A notícia de que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) vai desembolsar cerca de R$ 6,3 bilhões para ressarcir clientes e investidores da Will Financeira (também conhecida como Will Bank) chegou ainda nesta quarta‑feira (21). Se você tem ou já teve algum produto financeiro nessa instituição, é natural ficar se perguntando como tudo isso funciona na prática e o que isso pode mudar no seu bolso.
## Por que o FGC entrou em cena?
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira. Quando isso acontece, o FGC assume a responsabilidade de proteger os depositantes, até o limite de R$ 250 mil por pessoa (CPF ou CNPJ). Essa garantia existe exatamente para evitar que um colapso bancário deixe o cliente sem nada. No caso da Will, o fundo estimou que o total a ser pago será de R$ 6,3 bilhões – um número que, à primeira vista, parece assustador, mas que na prática será distribuído entre milhares de pessoas.
## Quem tem direito ao ressarcimento?
A regra básica do FGC é simples: se você tinha um produto elegível (conta corrente, poupança, CDB, LCI/LCA, entre outros) antes de 30 de agosto de 2024, seu direito à garantia está preservado. Depois dessa data, a situação muda um pouco, porque a Will passou a fazer parte do conglomerado do Banco Master. Se você já recebeu o limite máximo de R$ 250 mil em outra instituição do mesmo grupo (Banco Master, Banco Master de Investimento ou Letsbank), não haverá pagamento adicional.
### Resumindo em tópicos:
– **Produtos elegíveis**: conta corrente, poupança, CDB, LCI/LCA, etc.;
– **Data corte**: até 30/08/2024 garante o direito;
– **Limite por pessoa**: R$ 250 mil (cobertura total do FGC);
– **Consolidação de valores**: se você tem produtos em mais de uma instituição do mesmo grupo, os valores são somados até o limite.
## Como solicitar a garantia?
Muitos pensam que o dinheiro cai na conta automaticamente, mas não é assim. O pagamento depende da sua manifestação de interesse. O processo é totalmente digital e segue estes passos:
1. **Baixe o app do FGC** (disponível na Google Play e Apple Store) ou acesse o portal para pessoas jurídicas.
2. **Cadastre-se** informando nome completo, CPF/CNPJ, data de nascimento e dados bancários.
3. **Aguarde a lista consolidada** – o liquidante nomeado pelo Banco Central enviará ao FGC a relação completa de credores. Só depois disso a opção de solicitar aparecerá no app.
4. **Solicite o pagamento** – indique a conta onde quer receber o valor, faça a validação biométrica e envie documentos, se necessário.
5. **Assine digitalmente** o termo de cessão de crédito. Ao fazer isso, você transfere ao FGC o direito de cobrar a Will pelos valores que ainda não foram pagos.
6. **Receba o dinheiro** – o FGC tem até 48 horas úteis para efetuar a transferência.
Para empresas, o caminho é parecido, só que a solicitação acontece pelo Portal do Investidor e o termo é enviado por e‑mail.
## E se o valor ultrapassar R$ 250 mil?
Caso o seu investimento seja maior que o teto de cobertura, o excedente fica fora da garantia do FGC. Isso significa que você passa a ser um credor quirografário, ou seja, terá que aguardar o processo de falência da Will para tentar receber o que resta. Na prática, isso costuma ser um caminho mais demorado e incerto, já que depende da venda dos ativos da instituição.
## Prazo e expectativas
O FGC ainda não definiu uma data exata para o início dos pagamentos, mas nas últimas liquidações o prazo variou entre 30 e 60 dias após a consolidação da lista de credores. Portanto, se você ainda não fez o cadastro, vale a pena agir agora para não perder o prazo de solicitação.
## Por que isso importa para o seu dia a dia?
– **Segurança financeira**: saber que seu dinheiro está protegido até R$ 250 mil traz tranquilidade, principalmente em tempos de instabilidade no sistema bancário.
– **Planejamento**: ao receber o valor garantido, você pode reorganizar suas finanças, quitar dívidas ou reinvestir em opções mais seguras.
– **Conscientização**: o processo deixa claro a importância de diversificar investimentos e não concentrar tudo em uma única instituição.
## Dicas práticas para quem tem dinheiro na Will
– **Cheque seu extrato**: confirme quais produtos você tinha e a data de contratação.
– **Faça o cadastro no app**: o processo é rápido, e você já garante que receberá as notificações.
– **Mantenha documentos em dia**: caso o FGC solicite comprovantes, tê‑los à mão acelera a liberação.
– **Reavalie sua carteira**: use o momento da restituição para analisar se vale a pena manter investimentos em outras instituições do mesmo conglomerado.
## O que esperar do futuro?
A liquidação da Will Financeira serve como um lembrete de que o cenário bancário pode mudar rapidamente. O FGC tem se mostrado eficaz em proteger os depositantes, mas a responsabilidade de escolher instituições sólidas ainda recai sobre o investidor. A tendência é que mais bancos menores sejam monitorados de perto pelo Banco Central, e que o público esteja cada vez mais atento aos limites de garantia.
Se você ainda não tem o hábito de acompanhar as notícias do setor financeiro, recomendo assinar newsletters ou seguir canais que expliquem essas mudanças de forma simples. Informação é a melhor defesa contra surpresas desagradáveis.
No fim das contas, o desembolso de R$ 6,3 bilhões do FGC pode parecer um número gigantesco, mas para a maioria das pessoas ele se traduz em um alívio concreto: a garantia de que, até certo limite, o dinheiro que você confiou a um banco não desaparece da noite para o dia.
Se você tem dúvidas específicas sobre o seu caso, a própria central de atendimento do FGC está disponível para esclarecer. Não deixe para a última hora – quanto antes você se organizar, mais tranquilo será o processo.
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**Resumo rápido**:
– FGC pagará até R$ 6,3 bilhões para clientes da Will Financeira;
– Limite de garantia: R$ 250 mil por CPF/CNPJ;
– Data de corte para direito garantido: 30/08/2024;
– Cadastre‑se no app do FGC e solicite o pagamento assim que a lista for divulgada.
Lembre‑se: a proteção está aí, basta ativá‑la.



