Se você tem conta, investimento ou até mesmo um empréstimo no antigo Will Bank, provavelmente já viu as notícias sobre a liquidação extrajudicial da instituição. Mas, além das manchetes, o que isso realmente traz para o seu bolso? Eu resolvi entender o assunto e trazer tudo de forma simples, passo a passo, para que você saiba exatamente como funciona o pagamento de R$ 6,3 bilhões que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) vai desembolsar.
O que aconteceu com o Will Bank?
Em 21 de janeiro de 2026, o Banco Central decretou a liquidação da Will Financeira, conhecida popularmente como Will Bank. A decisão foi tomada porque a instituição não conseguiu honrar seus compromissos financeiros e, para proteger os clientes, o regulador acionou o FGC – o mesmo fundo que garante depósitos até R$ 250 mil por pessoa ou empresa.
Por que o FGC vai pagar R$ 6,3 bi?
O número não é aleatório. Ele representa a soma dos valores que o FGC estimou que precisará cobrir para todos os clientes que têm produtos elegíveis à garantia. Essa estimativa foi feita com base nos dados que a Will enviou ao liquidante (a empresa nomeada pelo Banco Central para conduzir a falência) até novembro de 2025.
É importante lembrar que o limite de cobertura do FGC é de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Se o seu investimento ou depósito ultrapassar esse valor, o excedente ficará sujeito ao processo de falência da Will e você poderá receber apenas uma parte, ou até nada, dependendo do que sobrar da massa falida.
Quem tem direito à garantia?
O FGC deixou claro que a garantia se aplica aos produtos adquiridos antes de 30 de agosto de 2024 – data em que o Will Bank foi incorporado ao conglomerado do Banco Master. Ou seja, se você abriu conta, fez um CDB ou comprou um título antes dessa data, seu investimento está protegido até o limite de R$ 250 mil.
Para quem comprou depois, a situação muda. Se você tem produtos tanto no Will quanto em outra empresa do mesmo grupo (Banco Master, Master Investimento ou Letsbank), o FGC vai consolidar os valores por CPF/CNPJ e aplicar o limite único de R$ 250 mil. Se já atingiu esse teto em outra instituição do grupo, não haverá pagamento adicional do FGC.
Como solicitar o pagamento?
Ao contrário do que muita gente pensa, o dinheiro não cai automaticamente na sua conta. Você precisa manifestar interesse e ceder o crédito ao FGC, que passa a cobrar a dívida da Will. O processo é totalmente digital e varia um pouquinho entre pessoa física e jurídica.
- Pessoas físicas: Baixe o aplicativo oficial do FGC (disponível na Google Play e na Apple Store), faça o cadastro com nome completo, CPF e data de nascimento, e aguarde a liberação da lista de credores. Quando a lista estiver disponível, você poderá solicitar o pagamento, informar a conta bancária de destino e validar tudo com biometria.
- Pessoas jurídicas: Acesse o Portal do Investidor no site do FGC, preencha os dados da empresa e o representante legal, e siga as instruções enviadas por e‑mail. O pagamento será feito por transferência para a conta‑corrente ou poupança da mesma pessoa jurídica.
Depois de enviar a solicitação, o FGC tem até 48 horas úteis para efetivar o pagamento, direto na conta indicada.
Qual o prazo para tudo isso acontecer?
Não há um prazo legal fixado para o início dos pagamentos, mas nas últimas liquidações o tempo entre a nomeação do liquidante e a primeira liberação de recursos ficou entre 30 e 60 dias. O FGC costuma comunicar todas as etapas pelos seus canais oficiais, então vale a pena ficar de olho nas notificações do app.
O que fazer agora?
Mesmo que você ainda não tenha certeza se tem direito ao reembolso, o primeiro passo é garantir que seu cadastro básico esteja completo no aplicativo do FGC. Sem ele, você não receberá as notificações e pode perder a oportunidade de solicitar o pagamento.
Se o valor que você tem na Will ultrapassa R$ 250 mil, prepare‑se para uma possível perda parcial. Nesse caso, você será considerado credor quirografário – ou seja, ficará na fila dos que recebem depois que todos os garantidos forem pagos, e muitas vezes o valor final pode ser bem menor.
Impactos práticos no seu dia a dia
Para a maioria das pessoas, a garantia do FGC funciona como um seguro de depósito. Se você tem, por exemplo, R$ 20 mil em uma conta corrente e R$ 30 mil em um CDB, totalizando R$ 50 mil, tudo está dentro do limite e será devolvido integralmente.
Já quem investiu R$ 300 mil em um título de longo prazo pode receber apenas R$ 250 mil do FGC. O restante ficará sujeito ao processo de falência, que pode demorar anos e, muitas vezes, não paga nada.
O que aprendemos com essa situação?
Além do susto imediato, a liquidação do Will Bank nos lembra de alguns cuidados básicos:
- Diversifique suas aplicações. Não concentre todo o dinheiro em uma única instituição, mesmo que ela pareça segura.
- Fique atento ao limite de garantia. O FGC cobre até R$ 250 mil por pessoa ou empresa. Planeje seus investimentos de forma que cada conta ou CDB não ultrapasse esse teto, se possível.
- Use o app do FGC. Ele facilita a consulta de instituições em regime especial e permite solicitar a garantia de forma rápida.
- Leia os contratos. Muitas vezes há cláusulas que explicam como funciona a garantia em casos de fusões ou aquisições, como aconteceu com o Will Bank e o Banco Master.
Em resumo, o desembolso de R$ 6,3 bilhões pelo FGC é uma boa notícia para quem tem dinheiro protegido, mas também um alerta para quem tem valores acima do limite. Fique de olho nas datas, mantenha seu cadastro em dia e, se necessário, busque orientação de um especialista em finanças para entender como proteger melhor o seu patrimônio.
E aí, você já verificou se tem direito ao pagamento? Compartilhe sua experiência nos comentários – a troca de informações ajuda todo mundo a ficar mais seguro.



