Quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira, a notícia chegou como um balde de água fria para milhões de clientes que viam naquele banco digital uma porta de entrada para o sistema financeiro. Mas o que realmente está acontecendo? Por que um banco que se dizia focado em inclusão acabou fechando as portas? E, principalmente, como isso afeta quem depende de serviços bancários simples e de baixo custo?
Um pouco de história: de fintech a banco digital
O Will Bank nasceu em 2017, no Espírito Santo, como uma extensão do pag!, um emissor de cartões criado por Felipe Felix e os irmãos Giovanni e Walter Piana. A ideia era clara: oferecer crédito e pagamentos de forma descomplicada para quem não tinha acesso fácil aos bancos tradicionais. Em 2020, a marca mudou para Will Bank, ampliou o portfólio – conta remunerada, PIX, empréstimos, antecipação do FGTS e até um marketplace com cashback – e passou a se posicionar como um verdadeiro banco digital.
Por que o Will Bank parecia promissor?
A proposta de democratizar o crédito ganhou força porque a empresa falava a língua do seu público: linguagem simples, humor nas redes sociais e celebridades como Whindersson Nunes, Maísa ou Vinícius Jr. que ajudavam a quebrar a barreira de desconfiança que muita gente tem com instituições financeiras. O foco no Nordeste – região que concentra cerca de 60% dos usuários – foi estratégico, já que ali há grande número de pessoas que ainda dependem de agências físicas e de serviços bancários caros.
Os números que impressionavam
- Base de clientes: 12 milhões (segundo a própria empresa).
- Passivos: R$ 7 bilhões.
- Transações com a Mastercard: R$ 8 bilhões.
- Lucro líquido no 1º semestre de 2024: R$ 47,4 milhões.
Esses dados pareciam indicar que o Will Bank estava encontrando um caminho sustentável. Porém, a saúde financeira de uma fintech está muito ligada ao seu controlador, e aqui entrou o Banco Master.
O efeito dominó: a crise do Banco Master
Em novembro de 2025, o Banco Master foi liquidado pelo próprio Banco Central. Como o Will Bank fazia parte do mesmo conglomerado, a crise se espalhou. A instituição acumulou dívidas que não conseguiu honrar, principalmente com a Mastercard, que chegou a suspender a aceitação dos cartões Will. Sem recursos para reestruturar, o BC colocou o banco sob regime de administração temporária e, ao não encontrar comprador – apesar do interesse de um investidor árabe – decretou a liquidação.
O que muda na prática para os clientes?
Se você tem conta, cartão ou CDB no Will Bank, a primeira preocupação deve ser a segurança dos seus recursos. A liquidação extrajudicial garante que os credores – incluindo clientes – sejam pagos de forma organizada, mas isso pode levar meses. Enquanto isso, alguns serviços podem ficar indisponíveis: transferências, pagamentos via PIX, uso do cartão.
É fundamental entrar em contato com o Banco Central ou com a ouvidoria da instituição para saber como solicitar a restituição dos valores. Em geral, o BC abre um canal específico para que os clientes enviem documentos e acompanhem o processo.
Lições para quem busca inclusão financeira
O caso Will Bank mostra que, embora a tecnologia facilite o acesso, a solidez do negócio ainda depende de fundamentos tradicionais: capital suficiente, governança robusta e um controlador financeiramente saudável. Para quem está começando a usar serviços digitais, vale a pena diversificar – ter mais de uma conta ou, se possível, manter algum recurso em um banco tradicional com garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos).
Além disso, a experiência do Will Bank reforça a importância de ler os termos de uso e ficar atento a sinais de alerta, como atrasos frequentes nos pagamentos ou comunicação pouco clara sobre a saúde financeira da empresa.
O futuro da inclusão financeira no Brasil
Mesmo com a queda do Will Bank, a demanda por soluções simples e de baixo custo não desaparece. O mercado está cheio de novas fintechs que buscam preencher esse vazio, mas também aprendem com os erros do passado. Reguladores, como o Banco Central, têm intensificado a supervisão e criado mecanismos como o sandbox regulatório, que permite testar inovações sob controle.
Para o consumidor, a dica é: pesquise, compare e, se possível, escolha instituições que tenham histórico de solidez e que estejam vinculadas a redes de proteção, como o FGC. A tecnologia está aqui para ficar, mas a prudência ainda é o melhor aliado.
Se você ainda tem dúvidas sobre o que fazer com sua conta Will, compartilhe nos comentários. Vamos trocar ideias e, quem sabe, encontrar alternativas que ajudem a manter seu dinheiro seguro e acessível.



