A notícia de que o Will Bank foi liquidado chegou como um balde de água fria para quem ainda tem algum vínculo com a instituição. Eu, que acompanho o mercado financeiro de perto, sei como essas situações podem gerar ansiedade e dúvidas. Por isso, resolvi escrever este post de forma clara e direta, explicando o que realmente acontece com quem tem conta, cartão de crédito ou investimentos no Will Bank, e quais são os próximos passos que você deve seguir.
## O que mudou imediatamente?
Na quarta‑feira (21), o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank. Isso significa que todas as atividades da instituição foram interrompidas de forma organizada. O aplicativo ainda pode ser aberto, mas nenhuma transação – seja pagamento, transferência via PIX ou compra – vai ser concluída. Em termos práticos, a conta deixa de funcionar como antes.
### Principais impactos
– **Conta corrente ou de pagamento:** não há mais como movimentar o saldo.
– **Cartão de crédito:** o cartão para de funcionar; as faturas já emitidas continuam válidas.
– **CDBs e outros investimentos:** entram no processo de liquidação e podem ser cobertos pelo FGC, até o limite de R$ 250 mil por pessoa.
## E o dinheiro que eu tenho na conta? Está protegido?
A resposta depende do tipo de conta que você tinha. O Will Bank operava como **financeira** e não oferecia conta corrente tradicional, mas sim **contas de pagamento pré‑pagas**. Nessa modalidade, o banco era obrigado a repassar diariamente os recursos dos clientes para uma conta própria no Banco Central.
### Fundo Garantidor de Créditos (FGC)
– **Depósitos em conta corrente** (quando existirem) e **CDBs** são cobertos pelo FGC até **R$ 250 mil** por CPF, por instituição.
– **Contas de pagamento pré‑pagas** não entram na cobertura do FGC. O ressarcimento desses saldos será feito diretamente pela própria Will, usando os recursos que permanecem depositados no Banco Central.
Em resumo, se o seu saldo está dentro do limite do FGC, você tem garantia de receber até R$ 250 mil. Se o valor for maior, ou se for de conta de pagamento, a devolução dependerá do processo de liquidação e pode levar algum tempo.
## Posso movimentar o saldo agora?
Não. Assim que a liquidação foi decretada, o saldo ficou **bloqueado**. Não há como fazer transferências, pagamentos ou saque. O liquidante nomeado pelo Banco Central vai analisar todos os créditos e definir a ordem de pagamento. Enquanto isso, a única coisa que você pode fazer é acompanhar as comunicações oficiais – elas chegam por e‑mail, SMS ou dentro do próprio app.
## E os CDBs que eu comprei?
Os **Certificados de Depósito Bancário (CDBs)** emitidos pelo Will Bank também são cobertos pelo FGC, dentro do mesmo limite de R$ 250 mil. Se você tem CDBs no valor total inferior a esse teto, a garantia se aplica integralmente. Acima do limite, a parte excedente entra no processo de liquidação e será paga de acordo com a disponibilidade de ativos da instituição.
## Diferença entre correntista e investidor
A distinção principal está no **produto** que você contratou:
– **Correntista (conta de pagamento):** o saldo não tem cobertura do FGC; a devolução será feita pela própria Will, sem limite máximo, mas depende dos recursos disponíveis no Banco Central.
– **Investidor (CDB, LCI, etc.):** tem proteção do FGC até R$ 250 mil. Acima disso, o valor entra no rateio entre credores.
## O que acontece com o cartão de crédito?
Quando um banco entra em liquidação, a emissão e o processamento dos cartões são suspensos imediatamente. Seu cartão deixa de funcionar para novas compras. Contudo, **as faturas já geradas permanecem válidas**. Você ainda precisa pagar o que foi consumido antes da interrupção.
### Posso ser negativado se não pagar?
Sim. A dívida do cartão não desaparece com a liquidação da instituição. Se a fatura ficar em aberto, o credor (geralmente a bandeira – Mastercard, Visa ou Elo) pode cobrar o valor e, em caso de inadimplência, registrar seu nome em cadastros de restrição.
## Como acompanhar o processo?
1. **Fique de olho nas comunicações oficiais** do Banco Central e do liquidante nomeado. Eles vão divulgar prazos e documentos necessários.
2. **Mantenha seus dados de contato atualizados** no cadastro do banco (e‑mail, telefone). Assim, você recebe as instruções sem atrasos.
3. **Não forneça dados pessoais** a terceiros que prometam “resgatar seu dinheiro rápido”. Fraudes são comuns em momentos de crise.
## O que levou à liquidação?
O Will Bank estava sob **Regime Especial de Administração Temporária (Raet)**, que o Banco Central usa para tentar salvar instituições em dificuldade. A ideia era encontrar um investidor que comprasse o banco, mas a negociação não avançou. Além disso, a instituição acumulou obrigações não pagas, tornando inviável a continuidade das operações. Diante disso, o BC optou pela medida mais severa: a liquidação extrajudicial.
## O que eu devo fazer agora?
– **Não entre em pânico.** A maioria das pessoas tem valores abaixo do limite do FGC, o que garante a devolução integral.
– **Anote todos os documentos**: extratos, contratos de CDB, faturas de cartão. Eles serão úteis para comprovar seus direitos.
– **Acompanhe as notícias** nos sites oficiais (Banco Central, CVM) e nos canais de comunicação do Will Bank.
– **Considere alternativas**: caso precise de conta para receber salários ou fazer pagamentos, abra uma conta em outra instituição o quanto antes.
## Dicas práticas para não ser pego de surpresa
– **Guarde cópias digitais** de todos os documentos em um local seguro (Google Drive, Dropbox).
– **Faça um checklist** das suas relações com o banco: saldo em conta, cartões, investimentos, empréstimos.
– **Planeje o fluxo de caixa** para os próximos meses, já que a impossibilidade de usar o app pode atrapalhar pagamentos automáticos.
– **Fique atento a fraudes**: golpistas podem se passar por representantes do liquidante. Exija sempre documentos oficiais.
### Conclusão
A liquidação do Will Bank é, sem dúvida, um incômodo para quem ainda tem dinheiro ou dívidas na instituição. Mas, com informação e cautela, é possível minimizar os impactos. O FGC protege a maior parte dos depósitos e investimentos, e o processo de liquidação segue regras claras. Enquanto isso, mantenha a calma, organize seus documentos e acompanhe as instruções do liquidante. Se precisar de ajuda, procure um consultor financeiro ou um advogado especializado em direito bancário.
Se você já passou por situação semelhante ou tem dúvidas específicas, deixa um comentário aqui embaixo. Compartilhar experiências ajuda a todos a entender melhor o que fazer nesses momentos.
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*Este post não substitui aconselhamento profissional. Consulte sempre um especialista antes de tomar decisões financeiras.*



