Radar Fiscal

Will Bank entra em liquidação: o que acontece com seu dinheiro e como se proteger

Compartilhe esse artigo:

WhatsApp
Facebook
Threads
X
Telegram
LinkedIn
Will Bank entra em liquidação: o que acontece com seu dinheiro e como se proteger

Na manhã desta quarta‑feira (21), o Will Bank, banco digital que tinha como foco principal clientes de baixa renda, foi oficialmente liquidado pelo Banco Central. A notícia chegou acompanhada de uma enxurrada de reclamações nas redes sociais: clientes relatam que não conseguem fazer pagamentos, transferências ou até mesmo usar o cartão de crédito.



Se você tem conta no Will Bank, ou conhece alguém que tem, provavelmente está se perguntando: “O que eu faço agora?”. A resposta não é simples, mas é possível entender o processo e saber quais direitos você tem. Vou explicar tudo de forma clara, sem usar aquele jargão técnico que costuma aparecer nas manchetes.



O que significa “liquidação extrajudicial”?

Quando o Banco Central determina a liquidação extrajudicial de uma instituição financeira, ele está basicamente dizendo que o banco não tem mais condições de operar de forma segura. Em vez de levar o caso para o Judiciário, o BC nomeia um liquidante – uma empresa ou pessoa responsável por fechar as portas, avaliar os ativos e pagar os credores de acordo com a lei.

Como funciona a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)?

O FGC funciona como um seguro para quem tem dinheiro depositado em bancos. Ele cobre até R$ 250 mil por pessoa, considerando todos os produtos elegíveis (contas correntes, poupança, CDBs, etc.) que você possui na mesma instituição. No caso do Will Bank, isso significa que, se você tem menos de R$ 250 mil na conta, o dinheiro está protegido – embora o processo de restituição possa levar algum tempo.



O que acontece com as transações que estavam em andamento?

Na prática, quem ainda consegue abrir o aplicativo do Will Bank vê apenas o saldo e os limites. Qualquer tentativa de comprar, pagar um boleto ou fazer um PIX falha com mensagens de erro. Isso ocorre porque o sistema de pagamentos foi desligado para evitar novos compromissos que o banco não pode honrar.

Se você tinha um pagamento programado (por exemplo, um débito automático), ele provavelmente não será processado. É importante entrar em contato com o fornecedor do serviço e avisar que o pagamento não será efetuado, evitando multas ou interrupções.

Passos práticos para quem tem dinheiro no Will Bank

  • Verifique o saldo: abra o app ou acesse o internet banking e anote o valor disponível.
  • Documente tudo: tire prints das telas, guarde e‑mails de confirmação e qualquer comunicação que você recebeu da instituição.
  • Entre em contato com o liquidante: o Banco Central costuma divulgar o nome do liquidante e os canais de atendimento. Use esses canais para registrar sua reclamação e solicitar a restituição.
  • Acompanhe o FGC: o site do Fundo Garantidor de Créditos publica listas de instituições em processo de liquidação e orientações sobre como solicitar o ressarcimento.
  • Planeje o curto prazo: se você depende do dinheiro para pagar contas essenciais, procure alternativas temporárias – como transferir o valor para outra conta (se ainda for possível) ou usar recursos de emergência.

Por que o Will Bank chegou a esse ponto?

O Will Bank nasceu como uma proposta inovadora: oferecer serviços bancários digitais a quem tem menor acesso ao sistema tradicional. A ideia era boa, mas o modelo de negócios enfrentou desafios. Entre eles, a alta concorrência de fintechs, a necessidade de capitalização robusta e a pressão regulatória.

Em 2022, o Banco Central já havia colocado o Will Bank sob intervenção devido a indícios de fragilidade financeira. A intervenção é um alerta de que a instituição pode não estar cumprindo requisitos de capital ou de liquidez. Quando a situação não melhora, a autoridade recorre à liquidação.

Impactos para o mercado de fintechs

Esse caso serve de alerta para outras startups que operam no segmento de serviços financeiros. A regulação no Brasil tem se tornado mais rígida, especialmente após o aumento de fraudes e a necessidade de proteger o consumidor. Fintechs que ainda não têm capital suficiente ou que dependem de um modelo de crédito de alto risco podem precisar rever suas estratégias.

Ao mesmo tempo, a liquidação do Will Bank pode abrir espaço para concorrentes mais sólidos. Bancos tradicionais e grandes fintechs têm investido em soluções de baixa renda, mas com maior respaldo de capital e compliance. O consumidor, por sua vez, ganha mais opções, ainda que a transição possa ser dolorosa.

O que fazer se você ainda não tem conta em outro banco?

Se você ainda não migrou para outra instituição, aproveite o momento para pesquisar opções que ofereçam segurança e tarifas justas. Alguns bancos digitais mantêm a proposta de baixo custo, mas já estão consolidados e têm garantias maiores. Vale conferir:

  • Banco Inter
  • Nubank
  • C6 Bank
  • Banco Original

Antes de abrir a conta, confirme se o banco está registrado no FGC e se há cobertura total para os seus depósitos.

Conclusão

O fim do Will Bank é, sem dúvida, um transtorno para quem dependia dele. Mas, ao entender como funciona a liquidação e a proteção do FGC, dá‑se um caminho para recuperar o dinheiro e evitar surpresas no futuro. A lição principal é: nunca colocar todo o seu patrimônio em uma única instituição, especialmente se ela ainda está em fase de consolidação.

Se você está passando por essa situação agora, respire fundo, siga os passos práticos que listei e, se possível, procure orientação de um especialista em direito bancário. A recuperação pode demorar, mas a lei está ao seu lado.