Radar Fiscal

Will Bank e Master: O que o FGC cobre e como proteger seu dinheiro agora

Compartilhe esse artigo:

WhatsApp
Facebook
Threads
X
Telegram
LinkedIn
Will Bank e Master: O que o FGC cobre e como proteger seu dinheiro agora

Na última quarta‑feira (21), o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank. Para quem não acompanha o mercado financeiro, pode soar como um termo complicado, mas a essência é simples: o banco deixou de operar e seus ativos serão vendidos para pagar credores.



O Will Bank fazia parte do mesmo conglomerado do Banco Master, que já estava em processo de liquidação desde novembro do ano passado. Essa ligação é crucial porque o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) tem um limite máximo de cobertura de R$ 250 mil por pessoa, e esse teto vale para todas as instituições do mesmo grupo.



Então, se você já recebeu R$ 250 mil de garantia ao solicitar o ressarcimento do Master, não receberá nada a mais pelo Will Bank. O fundo entende que o limite já foi atingido e, por isso, não há pagamento adicional.



Entendendo o papel do FGC

O FGC funciona como um seguro privado para depositantes e investidores. Quando um banco entra em falência ou tem sua liquidação decretada, o fundo paga até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, respeitando o limite total por conglomerado. Essa garantia protege quem tem CDBs, poupança, ou até mesmo alguns tipos de fundos.

Como solicitar o ressarcimento

  • Baixe o aplicativo do FGC (disponível na Google Play e na Apple Store).
  • Complete o cadastro com nome completo, CPF e data de nascimento.
  • Aguarde a liberação da lista de credores pelo liquidante.
  • Quando a opção aparecer, solicite o pagamento e informe uma conta bancária em seu nome.
  • Finalize a validação biométrica e envie documentos, se solicitado.

Para pessoas jurídicas, o caminho é o Portal do Investidor, onde o representante legal preenche os dados e recebe instruções por e‑mail.

O que acontece com valores acima do limite?

Se o seu investimento ultrapassar os R$ 250 mil, a parte excedente entra na fila de credores quirografários. Isso significa que você só receberá o que sobrar após o pagamento de todas as dívidas prioritárias, sem garantia de recebimento.

Por que o Master e o Will Bank foram à falência?

O caso do Master é um dos maiores escândalos financeiros recentes no Brasil. O banco emitiu cerca de R$ 50 bilhões em CDBs com juros muito acima da média de mercado, sem ter a liquidez necessária para honrar esses títulos. Para “encobrir” a falta de dinheiro, foram feitas operações suspeitas, como a compra de créditos inexistentes da empresa Tirreno e a venda desses mesmos créditos ao BRB por R$ 12,2 bilhões, sem documentação adequada.

Além disso, o Master investia em precatórios e empresas em dificuldade, estratégias que aumentaram ainda mais o risco. Quando a situação se tornou insustentável, o Banco Central interveio e nomeou um liquidante para encerrar as atividades, vender ativos e pagar credores conforme a lei.

O que você pode fazer para evitar surpresas semelhantes?

  1. Diversifique seus investimentos. Não coloque todo o seu dinheiro em um único banco ou tipo de título.
  2. Verifique o limite do FGC. Sempre calcule quanto do seu patrimônio está protegido pelo fundo.
  3. Fique de olho nas taxas de retorno. Juros muito acima da média podem ser um sinal de risco.
  4. Use corretoras e bancos consolidados. Instituições com capital robusto e histórico regulatório tendem a ser mais seguras.

Perspectivas para o futuro

Com a liquidação do Will Bank, o FGC estima que o total a ser pago seja em torno de R$ 6,3 bilhões. O processo ainda está em fase de consolidação de informações, então os prazos são incertos. Enquanto isso, o mercado observa atentamente as lições aprendidas: a importância da transparência, da regulação efetiva e da prudência ao buscar rendimentos altos.

Para quem tem investimentos em CDBs, a recomendação é simples: compare a taxa oferecida com a média do mercado, verifique a solidez da instituição e, se possível, distribua seu capital entre diferentes bancos para maximizar a cobertura do FGC.

Se você ainda tem dúvidas sobre como proceder ou quer entender melhor o seu caso específico, vale a pena conversar com um consultor financeiro ou mesmo entrar em contato direto com o FGC pelo aplicativo. Eles costumam responder rapidamente e podem esclarecer detalhes sobre o seu pedido de garantia.

Em resumo, a falência do Will Bank e a continuidade da liquidação do Master são um alerta forte de que, mesmo em um cenário de baixas taxas de juros, promessas de retornos extraordinários podem esconder riscos graves. Mantenha-se informado, diversifique e use as ferramentas de proteção que o FGC oferece.