Na última quarta‑feira (7), o conselho da Warner Bros. Discovery deu um basta na proposta da Paramount Skydance de US$ 108,4 bilhões para comprar a empresa. A decisão foi unânime e, ao mesmo tempo, reforçou o apoio ao acordo já avançado com a Netflix, avaliado em cerca de US$ 82,7 bilhões. Para quem acompanha o mercado de entretenimento, a notícia chega como um sinal de que a disputa pelo controle dos maiores catálogos de Hollywood ainda tem muita gente de olho.
Por que a Warner preferiu a Netflix?
O conselho explicou que a oferta da Paramount trazia um nível alto de endividamento e muita incerteza quanto à conclusão do negócio. Em termos simples, a Warner viu mais risco e menos proteção para os acionistas na proposta da Paramount. Já a Netflix trouxe uma proposta mais “limpa”, focada nos estúdios de produção e no serviço de streaming, com cláusulas que garantem multas bilionárias caso reguladores bloqueiem a operação.
Além disso, a Netflix está disposta a pagar uma multa de US$ 5,8 bilhões se o acordo for barrado, enquanto a Paramount teria que desembolsar US$ 2,8 bilhões caso a Warner optasse por seguir com a Netflix e depois mudasse de ideia. Essa diferença de “colchão financeiro” parece ter pesado na balança.
O que está realmente em jogo?
A Warner Bros. Discovery detém um dos catálogos mais valiosos do planeta: de Friends a Harry Potter, de Batman a Looney Tunes. Sem contar séries premiadas como The Sopranos, Sex and the City e Succession. Quem controla esse conteúdo tem um poder enorme para definir o que vamos assistir nos próximos anos.
Se a Netflix fechar o negócio, ela vai reforçar ainda mais seu acervo, potencialmente elevando o preço das assinaturas ou criando novos planos para acomodar o volume de conteúdo. Por outro lado, se a Paramount fosse a vencedora, poderíamos ver uma nova gigante de mídia tentando competir diretamente com a Disney e a própria Netflix, talvez até criando um serviço de streaming próprio ainda maior.
- Valor da proposta Paramount: US$ 108 bi (cerca de R$ 582 bi) – US$ 30 por ação.
- Valor da proposta Netflix: US$ 72 bi (cerca de R$ 388 bi) – US$ 28 por ação.
- Garantia da Paramount: US$ 40,4 bi em financiamento pessoal via ações.
- Multas previstas: US$ 5,8 bi (Netflix) vs US$ 2,8 bi (Paramount).
Esses números ajudam a entender por que o conselho da Warner considerou a proposta da Netflix mais vantajosa, mesmo sendo financeiramente menor.
Como a decisão afeta você, assinante?
Para quem tem assinatura de streaming, a disputa pode parecer distante, mas as consequências chegam ao bolso. Se a Netflix absorver os estúdios da Warner, ela pode repassar parte dos custos de aquisição através de reajustes nas mensalidades. Já se a Paramount assumir, talvez vejamos um novo pacote de conteúdo exclusivo, que poderia forçar os usuários a assinar mais de um serviço para não perder seus programas favoritos.
Além do preço, há a questão da diversidade de conteúdo. Um mercado mais concentrado pode significar menos opções de produção independente, mas também pode garantir maior investimento em produções de alta qualidade. O que realmente importa é o equilíbrio entre preço, variedade e qualidade.
Os próximos passos
Dois momentos críticos ainda precisam acontecer:
- Voto dos acionistas: Eles decidirão se aprovam o acordo com a Netflix ou se rejeitam qualquer proposta.
- Aprovação regulatória: Órgãos antitruste nos EUA e em outros países vão analisar o impacto da operação na concorrência.
Mesmo que os acionistas digam “sim”, os reguladores podem impor condições ou bloquear o negócio se entenderem que a fusão prejudica a competição. Essa etapa costuma se arrastar até 2026.
Enquanto isso, a Warner continua operando normalmente, com seus canais a cabo como CNN sendo preparados para se tornarem parte de uma nova empresa chamada Discovery Global. Ou seja, o que vemos hoje nas telas ainda pode mudar nos próximos anos, dependendo de como essa negociação se desenrolar.
Em resumo, a rejeição da Paramount e a proximidade com a Netflix sinalizam que a Warner está buscando um caminho mais estável e menos arriscado. Para nós, consumidores, isso pode significar catálogos ainda mais recheados, mas também a possibilidade de preços mais altos no futuro. Fique de olho nas próximas notícias – o futuro do streaming ainda tem muitas reviravoltas pela frente.



