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Warner recusa oferta bilionária da Paramount: o que isso significa para o futuro do streaming

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Warner recusa oferta bilionária da Paramount: o que isso significa para o futuro do streaming

Na última quarta‑feira (7), a Warner Bros. Discovery deu um sinal bem claro: a proposta de US$ 108,4 bilhões (cerca de R$ 580 bilhões) da Paramount Skydance não vai adiantar. O conselho de administração rejeitou a oferta por unanimidade e recomendou que os acionistas façam o mesmo. Mas o que está por trás dessa decisão? E por que isso importa para quem acompanha o mercado de entretenimento, ou mesmo para quem só quer saber se vai ver aquele filme novo no Netflix?



Um duelo de gigantes: Netflix vs. Paramount

Para entender o caso, vale lembrar que a Warner já tinha um acordo em andamento com a Netflix. Em troca de US$ 72 bilhões, a gigante do streaming vai comprar os estúdios de TV e cinema da Warner, além da divisão de streaming. A proposta da Paramount, embora maior em números absolutos, chegou como uma “oferta hostil”, ou seja, sem o apoio da diretoria da Warner.

Uma oferta hostil costuma ser feita direto aos acionistas, oferecendo um preço por ação que parece atraente, mas sem garantir que a transação será concluída. No caso da Paramount, o risco vem do financiamento: a maior parte do valor teria que ser levantada por dívida.



Por que a dívida é um ponto tão sensível?

Imagine que você queira comprar um carro de US$ 100 mil, mas só tem US$ 20 mil. Você recorre a um empréstimo de US$ 80 mil. Se a taxa de juros subir ou o banco mudar de ideia, o negócio pode desandar. O mesmo acontece em escala de bilhões.

  • Financiamento por dívida aumenta o endividamento da empresa compradora.
  • Se a dívida não for bem estruturada, pode comprometer a saúde financeira da companhia.
  • No caso da Paramount, a Warner ficaria com cerca de US$ 87 bilhões de dívida após a compra.

Esse número seria a maior aquisição já financiada principalmente por empréstimos. Para quem tem um olho no futuro, isso gera muita incerteza.

O que o conselho da Warner viu na proposta da Netflix

Segundo Samuel A. Di Piazza Jr., presidente do conselho, a oferta da Paramount oferece “valor insuficiente” e traz “riscos elevados”. Em contraste, o acordo com a Netflix traz mais previsibilidade e menos custos adicionais. Alguns pontos que o conselho destacou:

  • Valor por ação da Netflix: US$ 23,25 em dinheiro + ações da Netflix.
  • Menores custos de rescisão – a Paramount exigiria taxa de US$ 2,8 bilhões para desfazer o acordo com a Netflix, além de outras despesas.
  • Flexibilidade estratégica: a Warner manteria participação na Discovery Global, que tem ativos fortes em esportes e notícias.



O papel de Larry Ellison e o financiamento da Paramount

Em meio à disputa, o cofundador da Oracle, Larry Ellison, apareceu oferecendo uma garantia pessoal de US$ 40,4 bilhões em ações para sustentar a proposta da Paramount. Mesmo assim, o conselho considerou que a garantia não era suficiente para cobrir o enorme volume de dívida que a operação exigiria.

Além disso, a própria saúde financeira da Paramount Skydance levanta dúvidas: classificação de crédito abaixo do grau de investimento, fluxo de caixa livre negativo e forte dependência da TV linear.

O que isso muda para nós, consumidores?

Se a Paramount tivesse conseguido, poderíamos estar diante de um conglomerado ainda maior, com um catálogo que inclui Warner, HBO, e todo o conteúdo da Paramount. Isso poderia significar mudanças nas estratégias de preço, mais “bundles” de serviços e talvez menos concorrência direta entre plataformas.

Por outro lado, a fusão com a Netflix pode trazer mais sinergias: produção de conteúdo próprio, integração de tecnologia de streaming e, possivelmente, um catálogo mais focado nos gostos dos assinantes. Para quem curte maratonar séries, a ideia de um único serviço que ofereça tudo pode ser atraente, mas também levanta questões sobre monopólio.

Prós e contras de cada cenário

Se a Paramount assumir:

  • Pró: Possível aumento de investimento em produção de filmes e séries, dado o capital combinado.
  • Contra: Risco de endividamento excessivo, possíveis cortes de custos e incerteza sobre a continuidade de projetos em andamento.

Se a Netflix fechar o acordo:

  • Pró: Maior estabilidade financeira, menos risco de falência, e potencial de expansão para games e eventos ao vivo.
  • Contra: Concentração de poder em poucas mãos, risco de aumento de preços para consumidores.

O que os acionistas podem esperar

O conselho da Warner enviou uma carta detalhando os motivos da rejeição. Caso a Paramount não conclua a transação, os acionistas da Warner ainda receberiam o acordo da Netflix, que inclui pagamento em dinheiro e ações. Se, por algum motivo, a Netflix não conseguir concluir o negócio, a Warner receberia uma taxa de rescisão de US$ 5,8 bilhões.

Em resumo, a recomendação do conselho é clara: a proposta da Paramount traz mais riscos do que benefícios. Para quem tem ações da Warner, a mensagem é manter a calma e confiar no acordo já firmado com a Netflix.

Olhar para o futuro do streaming

O mercado de streaming está em plena guerra de conteúdo. Netflix, Disney+, Amazon Prime Video, HBO Max, Paramount+… Cada plataforma busca diferenciação através de séries exclusivas, filmes originais e, cada vez mais, experiências interativas como jogos. A disputa pela Warner é apenas mais um capítulo dessa história.

Se a Netflix conseguir integrar a Warner, poderemos ver um reforço da sua biblioteca, mais investimentos em produção de alto orçamento e talvez até novos modelos de assinatura. Se a Paramount falhar, talvez ela volte a focar em fortalecer o Paramount+ e buscar outras alianças.

Para nós, espectadores, o que importa é que a competição continue. Quanto mais players disputam o público, maior a chance de termos conteúdo de qualidade e preços competitivos.

E você, o que acha? Acredita que a Warner deveria ter aceitado a oferta da Paramount, ou prefere ver a Netflix consolidar ainda mais seu império? Deixe seu comentário e vamos conversar!