Quando a Volkswagen anunciou a Tukan, a primeira picape da marca em 16 anos, eu quase não acreditei. Depois de tanto tempo vendendo apenas a Saveiro e a Amarok, a ideia de uma nova concorrente para a Fiat Strada despertou a curiosidade de quem acompanha o mercado automotivo. E não é à toa: o segmento de picapes no Brasil tem sido dominado pela Fiat há quase uma década, e a VW parece estar pronta para dar um balde de água fria nessa hegemonia.
O que sabemos até agora sobre a Tukan
A Tukan será produzida em São José dos Pinhais, no Paraná, e o lançamento está previsto para 2027. A cor de estreia será um amarelo vibrante, uma escolha que tem tudo a ver com a Copa do Mundo Feminina que o Brasil vai sediar naquele mesmo ano – a Volkswagen é patrocinadora da seleção, então a cor pode ser um jeito de reforçar a presença da marca nos estádios.
Um detalhe que já chama atenção é a configuração de cabine dupla, indicada pela presença de uma maçaneta próxima à caixa de roda, no início da caçamba. Apesar de ser chamada de cabine dupla, a Tukan terá apenas duas portas, algo que a diferencia da Saveiro, que tem a caçamba mais simples e costuma ser vendida com cabine simples.
Por que a Volkswagen está entrando de cabeça nesse segmento?
Os números falam por si. Enquanto os SUVs e hatches da VW têm boa aceitação, as picapes são um ponto fraco há mais de 23 anos. A Saveiro nunca superou a Fiat Strada em emplacamentos; de 2021 a 2023, a Strada manteve a liderança, chegando a vender mais que o dobro da Saveiro no último ano. Essa disparidade faz a VW repensar sua estratégia.
Além disso, a montadora investiu R$ 20 bilhões na América do Sul desde 2024, lançando 21 novos modelos, incluindo o Tera, novas versões do Nivus, T‑Cross, Amarok e até os esportivos Golf GTI e Jetta GLI. A Tukan chega como parte desse pacote de inovações, mostrando que a VW quer ser mais que apenas uma marca de carros de passeio.
Como a Tukan pode se posicionar contra a Strada?
- Design e personalidade: O amarelo de lançamento já cria uma identidade visual forte. Se a Volkswagen apostar em linhas modernas e um interior mais sofisticado, pode atrair um público que busca algo além da tradicional picape de trabalho.
- Versatilidade: Cabine dupla com duas portas pode ser vista como um compromisso entre carga e conforto. Para quem precisa de espaço para passageiros e ainda quer transportar carga, isso pode ser um ponto de venda.
- Tecnologia: A VW prometeu que todos os lançamentos de 2026 terão alguma versão eletrificada. Se a Tukan chegar com opções híbridas ou até elétricas, vai ganhar um diferencial importante num mercado que começa a se preocupar com emissões.
- Preço competitivo: Historicamente, a Strada se destacou por oferecer bom custo-benefício. A VW precisará encontrar um equilíbrio entre qualidade e preço para não ficar fora da disputa.
É claro que ainda não sabemos detalhes como motorização, consumo ou capacidade de carga. Mas, se a Volkswagen mantiver a tradição de oferecer motores eficientes e, ao mesmo tempo, abrir espaço para versões híbridas, a Tukan tem tudo para ser mais que um “novo modelo” – pode ser um ponto de virada.
O que isso significa para nós, consumidores?
Primeiro, mais opções. Quando o mercado tem poucos concorrentes, os preços tendem a ficar estáveis e a inovação, mais lenta. A entrada da Tukan pode forçar a Fiat a melhorar a Strada, trazendo novas tecnologias, mais conforto ou até ajustes de preço. Em termos de escolha, quem procura uma picape para uso diário, para trabalho ou para aventuras terá mais alternativas.
Segundo, a possibilidade de versões híbridas chega num momento em que o Brasil começa a discutir mais políticas de redução de emissões. Se a VW oferecer uma Tukan híbrida a um preço acessível, pode ser a porta de entrada para quem quer um veículo utilitário sem abrir mão de responsabilidade ambiental.
Terceiro, a presença de uma picape produzida no Paraná traz um ganho econômico local. Fábricas geram empregos diretos e indiretos, além de estimular a cadeia de fornecedores da região. Para quem mora no Sul do Brasil, isso pode significar mais oportunidades de trabalho e desenvolvimento econômico.
Olhar para o futuro: a Tukan e o Tiguan
Durante o mesmo evento, a Volkswagen também anunciou o lançamento de uma nova versão do Tiguan, prevista para março. Embora ainda sem detalhes, a tendência é que ambos os veículos – Tukan e Tiguan – compartilhem a mesma estratégia de eletrificação. Isso indica que a VW está preparando um portfólio mais sustentável para o mercado brasileiro, alinhado com as demandas globais.
Se a Tukan chegar em 2027, teremos tempo para observar como a concorrência reage. A Fiat pode lançar uma nova geração da Strada, a Chevrolet pode reforçar a S10, e a Toyota pode atualizar a Hilux. O que importa é que o consumidor final sai ganhando, com mais tecnologia, mais conforto e, potencialmente, preços mais competitivos.
Em resumo, a Tukan representa mais do que um simples novo modelo; ela simboliza a vontade da Volkswagen de desafiar o status quo e de investir seriamente no mercado de picapes brasileiro. Para quem acompanha o setor, vale a pena ficar de olho nas próximas revelações – desde detalhes de motorização até testes de dirigibilidade que devem aparecer nos próximos anos.
E você, o que acha da nova picape da VW? Está animado para ver a Tukan nas ruas ou prefere esperar para comparar com a Strada? Deixe seu comentário e vamos acompanhar juntos essa nova fase da Volkswagen no Brasil.



