Quando a gente ouve falar de picapes no Brasil, a primeira imagem que vem à cabeça costuma ser a da Fiat Strada, que há alguns anos domina as ruas e estradas do país. Mas, nesta terça‑feira (3), a Volkswagen deu um passo importante ao anunciar a Tukan, a primeira picape da marca a chegar ao mercado depois de quase 16 anos focada apenas na Saveiro e na Amarok.
A Tukan ainda está envolta em mistério – a Volkswagen ainda não revelou detalhes técnicos como motorização, capacidade de carga ou consumo – mas já sabemos que a produção será em São José dos Pinhais, no Paraná, e que o lançamento está previsto para 2027. O fato de a fábrica ser a mesma que produz a Amarok já dá uma pista de que a Volkswagen pretende usar a experiência que tem com picapes robustas para criar algo que converse bem com o mercado brasileiro.
Um detalhe curioso que chamou a atenção de quem acompanhou a apresentação: a cor de lançamento será o amarelo. Não é coincidência. Em 2027 o Brasil será sede da Copa do Mundo Feminina e a Volkswagen é patrocinadora da seleção. O amarelo, cor da bandeira nacional, serve como um lembrete visual de que a marca quer estar presente nos momentos de celebração esportiva do país.
Cabine dupla, mas com duas portas?
A Tukan será vendida na configuração de cabine dupla, indicada pela presença de uma maçaneta próxima à caixa de roda, no início da caçamba. Isso a diferencia da tradicional Saveiro, que tem um único banco traseiro e não oferece a mesma versatilidade. No entanto, apesar de ter banco traseiro, a Tukan contará apenas com duas portas, o que pode gerar dúvidas: será que a praticidade de acessar a parte de trás será comprometida? A resposta provavelmente está na ideia de que a picape será mais voltada para o uso comercial leve, onde a carga e a durabilidade são mais importantes que o conforto de acesso frequente.
Por que a Volkswagen está entrando de cabeça nesse segmento?
Os números falam por si. Enquanto a Volkswagen tem conquistado boas fatias de mercado com SUVs e hatches, no segmento de picapes ela está há mais de duas décadas sem um modelo que realmente desafie a liderança da Fiat. A Strada, por exemplo, ultrapassou a Saveiro em 2021 e tem mantido uma vantagem de mais que o dobro de emplacamentos em relação à concorrente da VW.
Além disso, a Volkswagen anunciou um pacote de 21 lançamentos na América do Sul desde 2024, depois de investir R$ 20 bilhões na região. Entre os modelos apresentados estão o Tera, novas versões do Nivus, T‑Cross, Amarok, além dos esportivos Golf GTI e Jetta GLI. A Tukan chega como a cereja desse bolo, sinalizando que a montadora quer ser mais que apenas uma presença discreta no segmento de picapes.
O que esperar da Tukan em termos de motorização?
O presidente da Volkswagen no Brasil, Ciro Possobom, afirmou que todos os lançamentos de 2026 terão alguma versão eletrificada. Isso abre a possibilidade de que a Tukan venha com opções híbridas, ao lado das tradicionais a combustão. No cenário global, picapes híbridas já são uma realidade (como a Ford Maverick nos EUA) e, no Brasil, a tendência de eletrificação está ganhando força, ainda que ainda dependa de incentivos e infraestrutura de recarga.
Se a Tukan chegar com um motor híbrido, a Volkswagen pode atrair um público que busca eficiência de combustível sem abrir mão da robustez de uma picape. Por outro lado, se a versão a combustão for mais potente, a marca pode mirar no segmento de trabalho pesado, competindo diretamente com a Chevrolet S10 e a Toyota Hilux.
Impacto para o consumidor brasileiro
Para quem está pensando em trocar de picape ou adquirir a primeira, a chegada da Tukan pode significar mais opções de negociação, melhor serviço pós‑venda e, quem sabe, preços mais competitivos. Quando há competição saudável, as montadoras costumam melhorar o pacote de equipamentos, oferecer garantias mais longas e até criar linhas de financiamento mais atraentes.
Além disso, a presença de uma picape da Volkswagen pode trazer um novo padrão de qualidade interior. A marca tem investido em materiais mais sofisticados nos seus SUVs, como o Tiguan, que terá um interior com menos plástico rígido e uma central multimídia maior, similar à dos modelos elétricos ID.4 e ID.Buzz. Se essa tendência se estender à Tukan, podemos esperar um interior mais confortável e tecnológico do que o habitual das picapes de trabalho.
Desafios à vista
Mesmo com todas as expectativas, a Tukan enfrentará desafios. Primeiro, a fidelidade dos consumidores à Fiat Strada ainda é alta, graças ao preço acessível e à rede de concessionárias bem estabelecida. Segundo, a questão do preço final da Tukan será crucial; se a Volkswagen posicionar o modelo em um segmento muito acima da Strada, pode acabar limitando seu apelo.
Outro ponto a observar é a aceitação da configuração de duas portas com cabine dupla. Embora seja prática para quem usa a picape para transporte de mercadorias, pode ser vista como um ponto fraco para famílias que desejam mais conforto ao entrar e sair do veículo.
O que vem depois?
Além da Tukan, a Volkswagen também indicou que o Tiguan terá nova versão lançada em março de 2026. Embora o Tiguan não seja uma picape, ele compete no mesmo segmento de SUVs médios, que também tem recebido forte pressão de marcas chinesas com preços agressivos. A estratégia da VW parece clara: diversificar o portfólio, apostar em eletrificação e, sobretudo, recuperar terreno em segmentos onde tem sido superada.
Se a Tukan conseguir equilibrar preço, desempenho e tecnologia, ela pode mudar o panorama das picapes no Brasil nos próximos anos. Para nós, consumidores, isso significa mais escolha, mais inovação e, quem sabe, até um melhor custo‑benefício. Fique de olho nas novidades, porque 2027 pode ser o ano em que a Volkswagen finalmente dá um chute de verdade na liderança da Strada.



