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Volkswagen e o Salão do Automóvel: Por que ainda não voltamos e o que isso significa para você

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Volkswagen e o Salão do Automóvel: Por que ainda não voltamos e o que isso significa para você

Introdução – Um Salão que virou assunto

Você já deve ter ouvido falar do Salão do Automóvel de São Paulo, aquele evento que, a cada edição, reúne marcas, lançamentos e muita gente curiosa nas ruas da capital. Depois de sete anos de pausa, o salão voltou em 2025, mas, surpreendentemente, a Volkswagen decidiu ficar de fora. O presidente da VW Brasil, Ciro Possobom, explicou em entrevista ao g1 por que a gigante automotiva ainda não sente que o evento tem “força” suficiente para justificar sua presença.

O que o presidente da Volkswagen realmente disse?

Em palavras bem diretas, Possobom afirmou que um “salão forte” precisa ter a participação de todas as marcas relevantes. Sem concorrentes de peso, o evento perde o brilho e, consequentemente, a capacidade de gerar negócios. Ele citou a ausência de marcas como Audi, BMW, Mercedes e outras como um ponto negativo. Além disso, o formato tradicional – um galpão fechado, estandes pequenos e pouco interativos – não agradou. Segundo ele, o público brasileiro está mais interessado em experiências ao ar livre, como as que vemos em eventos europeus, onde os carros são exibidos em praças e áreas abertas.

Por que a presença de todas as marcas importa?

  • Visibilidade cruzada: Quando várias marcas estão juntas, a mídia cobre o evento como um todo, gerando mais exposição para cada participante.
  • Comparação direta: Consumidores gostam de comparar modelos lado a lado. Se só algumas marcas aparecem, a comparação perde sentido.
  • Networking B2B: Fornecedores, parceiros e investidores costumam usar o salão para fechar negócios. Um evento com poucas marcas atrai menos interesse desses atores.

Para a Volkswagen, que tem uma linha de produtos diversificada e está investindo pesado em SUVs e eletrificação, estar em um salão “fraco” poderia ser um desperdício de recursos.

O futuro do Salão: Quando a Volkswagen pode voltar?

Possobom deixou a porta aberta para 2027, caso o evento evolua para um formato mais inovador e atraia a presença das grandes marcas. Ele citou exemplos europeus, onde os salões se transformam em festivais de mobilidade, com test‑drives ao ar livre, áreas de realidade aumentada e até shows musicais. Se o Salão de São Paulo adotar essas tendências, a Volkswagen pode reconsiderar sua participação.

O panorama do mercado automotivo brasileiro

Enquanto a discussão sobre o salão se desenrola, o mercado de carros no Brasil segue em movimento. Segundo a Fenabrave, o país deve fechar 2025 com cerca de 2,55 milhões de veículos zero quilômetro emplacados – um crescimento de 3 % em relação ao ano anterior. Não é um número pequeno, mas também não atinge as projeções mais otimistas (2,6 milhões). O que poderia impulsionar esse número?

Três fatores apontados por Ciro Possobom

  1. Juros mais baixos: A taxa Selic está em 15 % desde junho, mas há expectativa de queda para cerca de 12 % em 2026. Taxas menores reduzem o custo do financiamento, facilitando a compra.
  2. Maior produção nacional: Se a capacidade de fábricas brasileiras aumentar de 600 mil para 800 mil unidades, o custo por carro cai, tornando os veículos mais competitivos.
  3. Regulamentação mais flexível: As normas de emissão (PL 7, PL 8) são rígidas e elevam o custo de produção. Uma flexibilização ou incentivos fiscais poderia aliviar esse peso.

Preferência por SUVs versus hatches

Um dos pontos mais interessantes da entrevista foi a análise de preferências dos consumidores. Desde 2020, os SUVs dominam as vendas, representando 54 % dos veículos emplacados, enquanto os hatches ficam em 24,6 %. A Volkswagen reflete essa tendência em seu portfólio:

  • 6 SUVs: Tera, Nivus, T‑Cross, Taos, Tiguan, ID.4 (para aluguel)
  • 2 hatches: Polo e Golf GTI
  • 2 picapes: Saveiro e Amarok
  • 1 minivan: ID.Buzz (também para aluguel)

Mas, apesar da clara preferência por utilitários, Possobom insiste que o hatch ainda tem relevância. Ele destaca que o Polo, embora tenha perdido ritmo frente ao Tera, ainda serve a um público que busca um carro mais compacto e econômico.

O que isso significa para quem está pensando em comprar?

Se você está avaliando seu próximo carro, vale a pena considerar o uso diário. Se a maior parte dos trajetos são dentro da cidade, com pouco espaço de estacionamento, um hatch pode ser mais prático e barato de manter. Por outro lado, se você costuma viajar nos fins de semana, levar a família ou carregar bagagens, um SUV como o Tera (preço médio de R$ 120 mil) oferece mais conforto e versatilidade.

Eletrificação: Por que a Volkswagen ainda não vende elétricos no Brasil?

Outro ponto que chama atenção na entrevista é a estratégia de eletrificação da VW. Hoje, os únicos modelos elétricos da marca disponíveis no Brasil são o ID.4 e o ID.Buzz, e ambos só podem ser adquiridos via assinatura. Enquanto concorrentes como Chevrolet, Toyota, Hyundai e até marcas chinesas já têm versões elétricas à venda, a Volkswagen ainda não lançou um carro elétrico de produção em massa.

Os custos da eletrificação

Possobom explicou que colocar tecnologia elétrica ou híbrida em um modelo como o Tera aumentaria o preço em R$ 10 mil a R$ 40 mil, dependendo da solução (híbrido leve, híbrido pleno ou plug‑in). Para um carro cujo preço base já está em R$ 120 mil, esse acréscimo pode tornar o veículo inacessível para grande parte dos consumidores.

Ele também ressaltou a importância do custo residual: os brasileiros costumam manter os carros por muitos anos, e um aumento significativo no preço pode reduzir o valor de revenda, desincentivando a compra.

Qual será a estratégia da Volkswagen?

A empresa prometeu que, a partir de 2026, todo lançamento terá ao menos uma versão eletrificada, com foco em híbridos flex e plug‑in. A ideia é adaptar a tecnologia ao perfil brasileiro, que percorre em média 13 mil a 15 mil km por ano e costuma fazer viagens longas, como à praia. Um híbrido leve pode oferecer economia de combustível sem sacrificar a autonomia.

Possobom também mencionou a possibilidade de importar veículos elétricos fabricados na China, como fazem Chevrolet e Stellantis, mas a VW prefere produzir localmente, ajustando a tecnologia ao mercado nacional.

O que o público pode esperar nos próximos anos?

Com base nas declarações de Possobom, podemos desenhar alguns cenários:

  • Salão mais dinâmico: Se os organizadores adotarem formatos ao ar livre, com experiências interativas, a Volkswagen pode voltar em 2027.
  • Mais SUVs: O portfólio da VW continuará a expandir a linha de utilitários, atendendo à demanda que já representa mais da metade das vendas.
  • Híbridos como ponte: Antes de chegar aos 100 % elétricos, a marca vai lançar versões híbridas de modelos populares, equilibrando preço e tecnologia.
  • Produção nacional em alta: Se a capacidade das fábricas brasileiras crescer, os custos cairão e os preços poderão ficar mais competitivos.

Conclusão – O que isso tudo tem a ver com a sua carteira?

Para quem está de olho na compra de um carro, a entrevista de Ciro Possobom traz alguns insights práticos:

  1. Fique atento ao formato dos eventos: Salões mais interativos podem oferecer test‑drives gratuitos e descontos exclusivos.
  2. Considere o tipo de veículo: SUVs são tendência, mas hatches ainda têm boa relação custo‑benefício para uso urbano.
  3. Planeje a eletrificação: Se você pensa em um carro híbrido ou elétrico, avalie o custo extra e a disponibilidade de infraestrutura de recarga na sua região.
  4. Observe a taxa de juros: Uma queda na Selic pode tornar o financiamento mais barato nos próximos anos, então pode ser estratégico aguardar um pouco antes de fechar o negócio.

Em resumo, a decisão da Volkswagen de não participar do Salão de 2025 não é um sinal de fraqueza, mas sim uma estratégia de posicionamento. A empresa está observando o mercado, testando novas formas de engajar o público e preparando sua linha para a transição gradual rumo à eletrificação. Enquanto isso, nós, consumidores, ganhamos mais opções e, quem sabe, um evento mais empolgante nos próximos anos.

Se você gostou desse panorama, compartilhe com os amigos que estão na busca por um carro novo. E, claro, fique de olho nas próximas edições do Salão – quem sabe 2027 não traz novidades que mudem o jogo?