A notícia de que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, nomeou um novo chefe para a área econômica chegou como um sopro de novidade em meio a um cenário já bastante turbulento. Se você acompanha um pouco a política internacional, sabe que mudanças de gabinete em Caracas costumam sinalizar tentativas de estabilizar uma economia que, há anos, luta contra hiperinflação, desvalorização da moeda e sanções externas. Mas quem é esse novo nome? E o que isso pode significar para quem, de alguma forma, sente o impacto das decisões venezuelanas – seja no preço do petróleo, nas migrações ou nas relações diplomáticas?
## O nome por trás da nomeação
Calixto Ortega Sánchez não é um desconhecido nos corredores do poder venezuelano. Ele comandou o Banco Central da Venezuela de 2018 a 2025, período em que o país viu sua moeda perder cerca de 500% do valor frente ao dólar. Antes disso, atuou na indústria do petróleo, o pilar da economia nacional. Essa bagagem deixa claro que Ortega traz para o cargo – agora vice‑presidente da área econômica – tanto experiência bancária quanto conhecimento profundo do setor que sustenta quase toda a arrecadação estatal.
## Por que a mudança agora?
Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina após a captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, pelos Estados Unidos. A transição foi marcada por muita pressão internacional, especialmente dos EUA, que mantêm um embargo ao petróleo venezuelano desde 2019. Nesse contexto, a escolha de Ortega pode ser vista como um movimento estratégico:
– **Consolidar os resultados de 2025**: Delcy mencionou à TV estatal que a meta é “consolidar os resultados de 2025 e avançar ainda mais” até o fim de 2026, alinhado à projeção de crescimento de 6,5% da Cepal.
– **Mostrar continuidade e confiança**: ao escolher alguém que já esteve à frente do Banco Central, o governo sinaliza que não vai abandonar as políticas de estabilização monetária que vêm sendo testadas nos últimos anos.
– **Abrir espaço para negociações**: especialistas acreditam que a nova administração pode flexibilizar o embargo, especialmente se houver demonstrações de comprometimento com a transparência e combate ao narcotráfico – acusações que pesam sobre o antigo regime.
## O que muda na prática?
Para quem não vive em Caracas, a mudança pode parecer abstrata. Ainda assim, há impactos concretos que vale a pena entender:
1. **Política cambial**: Ortega tem histórico de lidar com a moeda em crise. Podemos esperar uma continuação da estratégia de liberalização do dólar, que já foi parcialmente adotada por Delcy para aliviar a escassez de divisas.
2. **Setor petrolífero**: com experiência na indústria, ele pode buscar novos acordos de produção ou até parcerias que contornem o embargo, algo que poderia influenciar os preços globais do petróleo.
3. **Relações internacionais**: a postura de Delcy de “equilíbrio e respeito” pode ganhar força se Ortega conseguir mostrar que a Venezuela está disposta a cooperar em áreas como combate ao tráfico de drogas, o que poderia abrir portas para negociações com os EUA.
## Desafios que ainda persistem
Mesmo com a nomeação, o caminho à frente não é fácil. Alguns obstáculos permanecem:
– **Inflação e desvalorização**: a moeda venezuelana ainda está em queda livre. Se a política monetária não for bem calibrada, o risco de nova hiperinflação aumenta.
– **Sanções econômicas**: o embargo dos EUA ainda bloqueia grande parte das exportações de petróleo. Qualquer flexibilização depende de avanços políticos que ainda são incertos.
– **Instabilidade política interna**: a captura de Maduro gerou tensões entre diferentes facções militares e civis. Manter a coesão do governo será crucial para que as reformas econômicas tenham tempo de dar frutos.
## Olhando para o futuro
Se tudo correr como o planejado, a Venezuela poderia começar a mostrar sinais de recuperação nos próximos dois anos. A projeção da Cepal de 6,5% de crescimento para 2025 não é garantida, mas serve como um norte para as políticas de Ortega. Uma economia mais estável pode significar:
– **Melhor qualidade de vida** para os venezuelanos, com menos filas para alimentos e medicamentos.
– **Redução da migração** forçada, que tem pesado sobre países vizinhos como a Colômbia e o Brasil.
– **Maior estabilidade regional**, já que crises econômicas costumam gerar ondas de instabilidade política.
É claro que ainda há muito a ser visto. A comunidade internacional, especialmente os EUA, vai observar de perto cada passo de Delcy e Ortega. Se houver abertura para negociações, poderemos assistir a um alívio nas sanções e, quem sabe, a um retorno mais sólido da Venezuela aos mercados globais.
## Como isso afeta você?
Talvez você esteja se perguntando: “E eu, o que ganho com isso?”. Se você tem interesse em investimentos, acompanha o preço do petróleo ou tem familiares na região, essas mudanças podem influenciar diretamente:
– **Investidores**: um cenário menos conflituoso pode abrir oportunidades em empresas de energia ou em fundos que acompanham a região.
– **Consumidores**: estabilização da moeda pode reduzir a pressão inflacionária em países que importam produtos venezuelanos.
– **Cidadãos**: para quem tem parentes na Venezuela, a esperança de uma economia mais estável pode significar menos dificuldades diárias.
Em resumo, a nomeação de Calixto Ortega Sánchez é mais do que um simples ajuste de gabinete. É um sinal de que o governo interino busca consolidar ganhos, enfrentar desafios antigos e, quem sabe, abrir caminho para um futuro menos incerto. Vamos acompanhar de perto, porque, como sempre, a política internacional tem um jeito de mexer com a nossa vida cotidiana, mesmo que a milhares de quilômetros de distância.
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*Este artigo foi escrito com base em informações divulgadas pela Reuters e pelo G1, e tem o objetivo de trazer contexto e análise de forma acessível.*



