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Venda de veículos novos em 2025: alta de 2% e o que isso significa para o seu bolso

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Venda de veículos novos em 2025: alta de 2% e o que isso significa para o seu bolso

Se você acompanha o mercado automotivo, já deve ter visto a notícia de que a venda de veículos novos no Brasil subiu 2% em 2025. Parece pouco, mas quando a gente coloca os números na mesa – 2.689.179 unidades – dá para entender o que está acontecendo nas ruas, nos concessionários e, principalmente, no seu planejamento de compra.



Esse foi o melhor resultado desde 2019, quando o país chegou a 2,78 milhões de veículos zero quilômetro. Em comparação com 2023, a alta foi de quase 17%, o que mostra que o setor ainda tem fôlego, apesar dos desafios de juros altos e da chamada Lei do Marco Legal das Garantias, que ainda não entrega o efeito esperado.



Dividindo os números: onde está o crescimento?

Vamos detalhar os segmentos para entender quem está puxando a barra:

  • Automóveis: 1.996.531 unidades em 2025, alta de 2,49% em relação a 2024.
  • Comerciais leves: 552.931 unidades, crescimento de 2,91%.
  • Caminhões e ônibus: 139.717 unidades, queda de 6,26%.
  • Motocicletas: 2.197.308 unidades, alta de 17,13% – o maior salto do ano.

O destaque vai para as motos, que se consolidam como o “segundo carro” das famílias brasileiras, impulsionadas pelo uso profissional em entregas e deslocamento individual.



Por que a projeção de 3% ficou aquém?

Marcelo Ciardi Franciulli, da Fenabrave, explicou que a fábrica da Toyota sofreu um vendaval que atrapalhou a produção, tirando volume suficiente para alcançar a meta de 3%. Por outro lado, o programa Carro Sustentável ajudou, mas ainda não foi suficiente para compensar a perda.

Além disso, a taxa de juros elevada tem encarecido o crédito, e a lei de garantias ainda não trouxe a segurança esperada para os consumidores. Esses fatores combinados criam um cenário de crescimento moderado, mas ainda positivo.

O que o Carro Sustentável pode mudar em 2026?

O programa, que reduz o IPI para veículos populares, teve impacto direto nas vendas de entrada. Sérgio Dante Zonta, vice‑presidente da Fenabrave, acredita que se a medida for ampliada para comerciais leves e modelos de maior valor, o efeito pode ser ainda mais forte.

A economista Tereza Fernandez, consultora da federação, vai além: ela sugere que, se o benefício for estendido a híbridos e elétricos, a demanda pode ganhar um impulso extra, alinhando a indústria com a transição verde que o mundo está exigindo.

Fatores externos que pesam nas projeções

Tereza também aponta variáveis globais – a guerra Rússia‑Ucrânia, políticas tributárias nos EUA e México – que afetam o preço de componentes e a cadeia de suprimentos. No plano interno, três pilares dominam a análise: crédito restrito, inadimplência em alta e a relação dívida/PIB, que subiu intensamente no último trimestre.

Como isso afeta você, consumidor?

Se você está pensando em trocar de carro, vale a pena observar alguns pontos:

  • Financiamento: com juros ainda altos, o custo total pode ser maior que o preço de tabela. Avalie bem o CET (Custo Efetivo Total) e compare ofertas.
  • Incentivos fiscais: fique de olho nas reduções de IPI do Carro Sustentável. Modelos de entrada podem sair mais baratos, e se a política se estender a híbridos/elétricos, a economia pode ser ainda maior.
  • Valor de revenda: a alta nas vendas de motos indica que a mobilidade urbana está mudando. Se você tem um carro, considere o momento de venda – o mercado ainda está aquecido, mas a concorrência de motos pode afetar a demanda.

O futuro próximo: projeções para 2026

A Fenabrave estima um crescimento de 3% em 2026, com um total de 2.625.912 veículos vendidos. O plano inclui:

  • Automóveis e comerciais leves: +3%.
  • Caminhões: +3,5%.
  • Ônibus: +3%.

Se o Carro Sustentável for ampliado, esses números podem subir ainda mais, especialmente nos segmentos de médio e alto padrão, que ainda não se beneficiam tanto das reduções de impostos.

Conclusão: um mercado em transição

O cenário automotivo brasileiro está em um ponto de inflexão. O crescimento de 2% em 2025 mostra resiliência, mas também evidencia a necessidade de políticas mais eficazes para reduzir custos de financiamento e ampliar incentivos fiscais. Enquanto isso, a explosão nas vendas de motocicletas sinaliza uma mudança de comportamento dos consumidores, que buscam soluções mais econômicas e ágeis para a mobilidade urbana.

Para quem pensa em comprar, a dica é: pesquise, compare e aproveite os programas de incentivo. E, claro, fique de olho nas próximas decisões da Fenabrave e do governo – elas podem determinar se 2026 será um ano de aceleração ou de manutenção do ritmo atual.

Se você gostou desse panorama e quer ficar por dentro de mais análises do setor, continue acompanhando o blog. Até a próxima!