Radar Fiscal

UE pondera tarifas de €93 bi contra EUA após ameaça de Trump à Groenlândia

Compartilhe esse artigo:

WhatsApp
Facebook
Threads
X
Telegram
LinkedIn
UE pondera tarifas de €93 bi contra EUA após ameaça de Trump à Groenlândia

Nos últimos dias, a disputa entre Washington e Bruxelas ganhou um tom que lembra os velhos confrontos da Guerra Fria, só que agora o palco é o Ártico. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a falar em anexar a Groenlândia – território semiautônomo da Dinamarca – e, como resposta, a União Europeia está estudando retaliações comerciais que podem chegar a €93 bilhões, cerca de R$ 580 bilhões.



Por que a Groenlândia importa tanto?

A ilha, que fica a menos de 300 km do Alasca, tem mais de 1,5 milhão de km² de gelo e abriga reservas de minerais estratégicos, como terras raras, urânio e zinco. Além disso, sua posição geográfica a torna um ponto crucial para rotas de navegação e para a vigilância militar no Ártico. Para os EUA, garantir o controle da Groenlândia seria reforçar sua presença no Norte, algo que Trump tem defendido como essencial à segurança nacional.



O que a UE está considerando?

Os líderes europeus, reunidos em Bruxelas sob a presidência rotativa do Chipre, discutem duas linhas principais de ação:

  • Tarifas comerciais: um pacote que poderia atingir €93 bi, afetando setores como automóveis, tecnologia e produtos agrícolas dos EUA.
  • Instrumento anti‑coerção: mecanismo criado para impedir que países usem pressão econômica como chantagem política. Ele permitiria limitar o acesso de empresas americanas ao mercado europeu.

Essas medidas ainda não foram formalmente aprovadas, mas o fato de já estarem prontas desde o ano passado mostra que a UE não está despreparada para responder a ameaças externas.



Impactos para o cidadão comum

Para nós, que não somos diplomatas, a questão parece distante, mas tem consequências reais:

  • Preços de produtos importados: se as tarifas forem aplicadas, itens como eletrônicos, veículos e até alimentos americanos podem ficar mais caros nas prateleiras europeias – e, indiretamente, também no Brasil, que importa muitos desses produtos.
  • Empregos: empresas europeias que dependem da cadeia de suprimentos americana podem enfrentar custos maiores, o que pode levar a cortes de vagas ou à relocalização de fábricas.
  • Segurança energética: o Ártico está se tornando uma nova fronteira para a exploração de recursos. Tensões nessa região podem afetar projetos de energia limpa e de mineração que, no futuro, podem influenciar a matriz energética global.

Reação dos aliados e da OTAN

Países como Dinamarca, Noruega, Suécia, Finlândia, França, Alemanha e Reino Unido já declararam apoio à soberania dinamarquesa sobre a Groenlândia e ao reforço da presença militar no Ártico. A OTAN, por sua vez, tem intensificado exercícios na região, como o treinamento conjunto realizado em setembro de 2025 ao redor da ilha.

O secretário‑geral da OTAN, Mark Rutte, chegou a conversar com Trump sobre a situação, ressaltando que a aliança continuará trabalhando para garantir a estabilidade do Norte.

O que vem pela frente?

Nos próximos dias, a UE deverá decidir se ativa ou não o instrumento anti‑coerção e quais tarifas aplicar. Ao mesmo tempo, o Fórum Econômico Mundial em Davos será um palco importante para negociações entre líderes europeus e americanos. Se a tensão escalar, poderemos assistir a uma nova “guerra comercial” que, como nas crises anteriores, pode acabar prejudicando mais quem está do outro lado da fronteira.

Para nós, a lição é clara: o mundo está cada vez mais interconectado, e decisões tomadas em salas de reunião de Bruxelas ou Washington podem acabar refletindo no preço do café, no custo do smartphone ou até nas oportunidades de emprego que surgem aqui no Brasil.

Fique de olho nas notícias e, se possível, procure entender como essas grandes jogadas geopolíticas podem influenciar seu bolso e seu futuro. Afinal, a política internacional não é só assunto de especialistas – ela está presente no nosso dia a dia, mesmo que de forma sutil.