Na última quarta‑feira, Donald Trump respondeu a perguntas da Reuters dizendo que ainda não tem planos de remover Jerome Powell da presidência do Federal Reserve (Fed). Mesmo com uma investigação criminal do Departamento de Justiça sobre o chair do Fed, o ex‑presidente insiste que “é muito cedo” para tomar qualquer decisão. Para quem acompanha a política econômica, esse posicionamento pode parecer mais um capítulo de drama do que uma estratégia clara.
Mas vamos dar um passo atrás e entender por que esse assunto está gerando tanto burburinho. Primeiro, vale lembrar que o Fed tem um papel central na definição da política monetária dos Estados Unidos: controla a taxa de juros, regula a oferta de dinheiro e, em última análise, influencia a inflação e o crescimento econômico. Quando o presidente dos EUA tenta interferir diretamente nessa instituição, o risco de perder a credibilidade do dólar aumenta.
Powell, nomeado por Trump em 2017, tem seu mandato oficial até maio de 2024, mas ele pode permanecer no Conselho de Diretores até 2028. A investigação em curso se refere a custos supostamente excessivos em um projeto de US$ 2,5 bilhões para reformar dois edifícios históricos da sede do Fed. Powell nega irregularidades e acusa a investigação de ser um pretexto para pressioná‑lo a baixar os juros mais rápido do que ele considera seguro.
Por que Trump quer mudar Powell?
Desde que assumiu a presidência em 2024, Trump tem criticado a postura do Fed por não reduzir as taxas de juros rapidamente. Para ele, juros mais baixos significam mais consumo, mais crédito e, teoricamente, mais apoio ao seu projeto de governo. No entanto, a maioria dos economistas alerta que reduzir juros de forma abrupta pode gerar inflação e desvalorizar o dólar.
Em entrevista, Trump sugeriu nomes como Kevin Warsh e Kevin Hassett como possíveis substitutos. Ambos são ex‑diretores do Fed ou economistas de perfil conservador, o que indica que ele busca alguém que compartilhe de sua visão de juros mais baixos. Ele também descartou Scott Bessent, secretário do Tesouro, alegando que o cargo atual do homem “não combina” com o Fed.
O que a comunidade internacional pensa?
Diretores dos principais bancos centrais do mundo emitiram uma nota conjunta em apoio a Jerome Powell. Essa demonstração de solidariedade não é apenas um gesto simbólico; ela reflete a preocupação de que a independência do Fed seja corroída. Se investidores perceberem que o presidente dos EUA pode destituir o chair a qualquer momento, a confiança no dólar pode despencar, provocando volatilidade nos mercados.
Analistas apontam que a erosão da independência do Fed pode levar a duas consequências graves:
- Desvalorização do dólar: investidores buscam moedas mais estáveis quando a política monetária parece sujeita a pressões políticas.
- Inflação alta: juros muito baixos podem aquecer a economia rapidamente, elevando os preços de bens e serviços.
Como isso afeta o cidadão comum?
Para quem vive a realidade do custo de vida nos EUA – e, de passagem, no Brasil, que sente os reflexos das decisões americanas – a questão dos juros tem impacto direto:
- Crédito mais barato ou mais caro: se o Fed baixar os juros, empréstimos, hipotecas e cartões de crédito tendem a ficar mais baratos.
- Valor da poupança: contas de depósito e títulos de renda fixa rendem menos quando a taxa de juros está baixa.
- Inflação no dia a dia: juros baixos podem acelerar a alta de preços, reduzindo o poder de compra.
Portanto, a decisão de Trump – ou a falta dela – pode mudar o que você paga no financiamento da casa, no cartão de crédito e até no supermercado.
Próximos passos e cenários possíveis
O que podemos esperar nos próximos meses?
- Manutenção de Powell: se a investigação não gerar acusações formais, Trump pode optar por manter o status quo, evitando turbulência nos mercados.
- Substituição por um “Kevin”: caso o presidente encontre apoio suficiente no Congresso, poderemos ver a nomeação de Kevin Warsh ou Kevin Hassett, o que provavelmente levaria a uma política de juros mais acomodatícia.
- Escalada de tensão política: se a disputa se transformar em um embate aberto entre o Executivo e o Legislativo, a credibilidade do Fed pode ser abalada, gerando incerteza nos investidores.
Independentemente do caminho escolhido, é importante acompanhar não só as declarações de Trump, mas também os relatórios do Fed, as notas dos bancos centrais estrangeiros e, claro, os indicadores econômicos como taxa de desemprego, inflação ao consumidor e crescimento do PIB.
Conclusão
Em resumo, a decisão de Trump de não demitir Powell ainda que sob investigação deixa o cenário aberto. Enquanto isso, o mercado observa atentamente, pois a independência do Fed é um dos pilares da estabilidade econômica dos EUA. Para nós, leitores, o que realmente importa é como essas decisões vão refletir no seu bolso: nas taxas de juros dos empréstimos, no valor da moeda e na inflação que sentimos no dia a dia.
E você, o que pensa sobre a interferência política no banco central? Compartilhe sua opinião nos comentários – a discussão está apenas começando.



