Na última quinta‑feira (5), o governo de Donald Trump finalizou uma mudança que pode afetar até 50 mil servidores de carreira nos Estados Unidos. A medida, anunciada pelo Office of Personnel Management (OPM), devolve ao presidente a capacidade de contratar e demitir funcionários federais que, segundo a administração, estariam “influenciando” decisões do governo.
Para quem acompanha a política americana, isso não é apenas mais um ajuste administrativo. É a maior reforma nas regras do funcionalismo público dos EUA em mais de um século. Mas, antes de entrar nos detalhes, vale a pena entender por que essa mudança gera tanto alvoroço e como ela pode impactar a vida de quem trabalha no setor público – e, indiretamente, a nós, brasileiros que dependemos de decisões americanas em comércio, tecnologia e segurança.
De onde vem a ideia? O “Schedule F” de Trump
Durante seu primeiro mandato (2017‑2021), Trump já havia falado sobre a necessidade de criar o que ele chamou de “Schedule F” – uma categoria que tiraria garantias trabalhistas de cargos considerados “politicamente sensíveis”. A lógica era simples: se o servidor não for leal à agenda presidencial, ele pode ser substituído sem as proteções típicas de um emprego permanente.
Essa proposta ganhou força nas eleições de 2024, quando Trump prometeu “limpar” o que ele chamava de “deep state” – uma suposta rede de burocratas que, segundo ele, minava suas políticas. O novo decreto, portanto, cumpre exatamente essa promessa.
Como funciona na prática?
O texto oficial estabelece que o presidente decidirá quais cargos perderão as garantias de permanência. Não se trata de demitir 50 mil pessoas de uma vez; é mais um mecanismo que permite, ao longo do tempo, substituir funcionários que, na avaliação da Casa Branca, não estejam alinhados com a “agenda”.
- Critérios de avaliação: O Departamento de Estado, sob a liderança de Marco Rubio, deve criar novos padrões de recrutamento e avaliação de desempenho.
- Impacto nas embaixadas: Em 2025, diplomatas foram instruídos a entregar listas completas de funcionários nas missões ao redor do mundo, preparando o terreno para cortes.
- Sanções: Servidores que não seguirem a “única voz” da política externa podem ser investigados e até demitidos.
Essas mudanças, embora pareçam administrativas, têm reflexos profundos no funcionamento diário de agências como o Departamento de Defesa, o CDC e até a NASA.
Por que isso importa para nós?
Você pode estar se perguntando: “E eu, que moro no Brasil, como isso me afeta?” A resposta está na interdependência global. Quando o serviço civil americano passa por uma reestruturação tão drástica, duas coisas acontecem:
- Instabilidade nas políticas externas: Decisões sobre comércio, acordos climáticos e sanções podem mudar rapidamente, dependendo de quem ocupa cargos-chave.
- Influência nas empresas brasileiras: Muitas companhias brasileiras dependem de licenças, contratos e parcerias com agências federais dos EUA. Uma mudança de pessoal pode acelerar ou atrasar projetos que afetam diretamente nossos empregos.
Além disso, a percepção de que o governo americano pode demitir servidores de carreira a qualquer momento cria um clima de incerteza que pode reverberar nos mercados financeiros globais, inclusive na B3.
Prós e contras da reforma
Prós (na visão dos apoiadores):
- Maior alinhamento entre a política presidencial e a execução prática.
- Possibilidade de acelerar reformas que antes eram bloqueadas por burocratas considerados “resistentes”.
- Redução de custos ao eliminar cargos que, segundo a administração, são redundantes.
Contras (na visão dos críticos):
- Risco de politização excessiva do serviço público, comprometendo a neutralidade.
- Perda de expertise institucional acumulada ao longo de décadas.
- Insegurança para milhares de famílias que dependem desses empregos estáveis.
O que podemos esperar nos próximos meses?
Embora o decreto já esteja assinado, a implementação prática ainda depende de vários passos burocráticos. Aqui estão alguns cenários plausíveis:
- Revisões judiciais: Organizações de direitos civis podem contestar a constitucionalidade da medida.
- Pressão do Congresso: Democratas e alguns republicanos podem tentar limitar o alcance da reforma.
- Reação dos servidores: Sindicatos federais podem organizar protestos ou greves, como já aconteceu em outras áreas.
Se tudo correr como o governo deseja, podemos ver uma onda de demissões ao longo de 2026, especialmente em áreas de política externa e de segurança nacional.
Como se preparar?
Se você trabalha em uma empresa que depende de contratos com o governo americano, ou se tem investimentos ligados a políticas dos EUA, vale a pena ficar de olho nas seguintes ações:
- Monitorar comunicados do OPM e do Departamento de Estado.
- Manter contato com consultores de risco político.
- Reavaliar estratégias de entrada ou expansão nos EUA, considerando possíveis mudanças regulatórias.
Para quem está no Brasil, a lição maior talvez seja entender que a estabilidade de um governo pode ser mais frágil do que parece. A política americana está em constante movimento, e decisões como essa lembram que o futuro é sempre incerto.
Conclusão
O fim da garantia de permanência para 50 mil servidores federais marca uma nova fase na relação entre o executivo e a burocracia nos Estados Unidos. Seja visto como uma modernização ou como uma ameaça à neutralidade do serviço público, o impacto será sentido não só em Washington, mas ao redor do mundo – inclusive aqui, no Brasil.
O que você acha? Essa medida vai melhorar a eficiência do governo ou abrir caminho para abusos de poder? Deixe sua opinião nos comentários e vamos discutir juntos como esses acontecimentos internacionais podem influenciar o nosso cotidiano.



