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Trump ameaça o Canadá com tarifas de 100%: o que isso significa para nós

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Trump ameaça o Canadá com tarifas de 100%: o que isso significa para nós

Recentemente, o presidente dos EUA, Donald Trump, soltou uma ameaça que parece saída de um filme de ação: impor tarifas de 100% sobre tudo que vier do Canadá se o país fechar um acordo comercial com a China. Se você acha que isso afeta só políticos e grandes corporações, pensa de novo. A decisão tem reflexos diretos no preço da canola, nos carros elétricos que chegam às nossas ruas e até na conta de supermercado.



Por que o Canadá está se aproximando da China?

Depois de oito anos sem um líder canadense pisar em Pequim, o primeiro‑ministro Mark Carney fez a viagem histórica. O objetivo? Reconstruir laços comerciais com o segundo maior parceiro do Canadá, logo atrás dos Estados Unidos. A China, por sua vez, está interessada em reduzir as tarifas sobre a canola canadense – um produto essencial para a agricultura mundial – e abrir espaço para seus veículos elétricos no mercado canadense.

  • Canola: a China prometeu baixar as tarifas que chegaram a 84% em 2025, o que pode gerar até US$ 3 bilhões em exportações para agricultores canadenses.
  • Carros elétricos: o Canadá aceitou quase 50 mil veículos chineses com tarifa de 6,1%, muito abaixo dos 100% que o ex‑primeiro‑ministro Justin Trudeau impôs em 2024.



O que Trump realmente quer?

Para Trump, o Canadá não pode ser um “porto de descarga” para a China. Ele teme que, ao facilitar a entrada de produtos chineses, o Canadá ajude indiretamente a China a contornar as barreiras que os EUA impuseram a Pequim. A resposta do presidente americano foi simples e direta: “Se o Canadá fechar um acordo com a China, estará sujeito a uma tarifa de 100% nos EUA”.

Essa postura tem duas motivações claras:

  1. Pressão política: ao ameaçar tarifas extremas, Trump tenta forçar o Canadá a alinhar sua política comercial com os interesses norte‑americanos.
  2. Proteção da indústria americana: os EUA ainda veem a China como concorrente desleal, especialmente nos setores de tecnologia e automóveis.



Como isso pode mudar o nosso dia a dia?

Você pode estar se perguntando: “E eu, que não ligo para política internacional, como isso me afeta?” A resposta está nos detalhes:

  • Preço da canola: se a China reduzir tarifas, os agricultores canadenses terão mais lucro, o que pode refletir em preços mais baixos de óleo de canola e margarina nos supermercados.
  • Carros elétricos mais baratos: a entrada de veículos chineses com tarifas menores pode aumentar a oferta e baixar os preços, facilitando a adoção de carros elétricos no Brasil.
  • Setor agrícola brasileiro: um aumento nas exportações canadenses de canola pode pressionar os produtores locais, criando competição, mas também incentivando melhorias de produtividade.

O ponto de vista dos políticos canadenses

Nem todos no Canadá concordam com a estratégia de Carney. O primeiro‑ministro de Ontário, Doug Ford, criticou a medida, alegando que a chegada massiva de carros elétricos chineses pode prejudicar a indústria automobilística local, que ainda luta para se tornar competitiva.

Por outro lado, Carney defende que aprender com a China é essencial para desenvolver a própria cadeia de suprimentos de veículos elétricos no Canadá. Ele vê a parceria como um passo para reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras e criar empregos.

O que os EUA esperam da renegociação do NAFTA?

O acordo comercial entre EUA, Canadá e México – o USMCA – está passando por revisões. Alguns membros do gabinete de Trump já manifestaram críticas ao relaxamento das tarifas de carros elétricos no Canadá. A preocupação é que, se o Canadá facilitar a entrada de produtos chineses, os EUA percam parte da sua vantagem competitiva.

Entretanto, há quem acredite que a pressão de Trump pode ser um sinal de que os EUA ainda pretendem usar o comércio como ferramenta de negociação geopolítica, especialmente contra a China.

O futuro da canola e dos produtos agrícolas

Em 2023, a China importou quase 42 mil veículos elétricos do Canadá. Já em 2025, as importações de produtos agrícolas canadenses caíram 10,4% após a China impor tarifas sobre óleo e farinha de canola. O novo acordo promete mudar esse cenário: redução das tarifas sobre sementes de canola para cerca de 15% dos atuais 84% até 1º de março, além da eliminação de tarifas sobre farinhas, lagostas, caranguejos e ervilhas.

Se tudo ocorrer como planejado, agricultores, pescadores e processadores canadenses podem ganhar até US$ 3 bilhões em novos pedidos de exportação. Essa movimentação pode criar um efeito cascata nos mercados globais, inclusive no Brasil, que também exporta soja e milho para a China.

Conclusão: o que devemos observar?

Para quem acompanha a economia e as relações internacionais, alguns pontos merecem atenção nos próximos meses:

  • Se o Canadá realmente fechar o acordo com a China e quais serão os termos finais.
  • Como os EUA reagirão – se manterão a ameaça de 100% de tarifas ou buscarão outro caminho diplomático.
  • O impacto nos preços de commodities como a canola, que influenciam diretamente o custo de alimentos.
  • Se a presença de carros elétricos chineses no Canadá abrirá portas para que modelos similares cheguem ao Brasil, potencialmente reduzindo o preço desses veículos aqui.

Em resumo, o que parece ser um conflito entre duas potências pode acabar trazendo benefícios inesperados para consumidores e produtores ao redor do mundo. Fique de olho nas notícias, porque a balança comercial está em constante movimento, e cada decisão tem o potencial de mudar a nossa rotina.