Radar Fiscal

Tesla perde o posto de maior fabricante de EVs e BYD assume a liderança: o que isso muda para nós?

Compartilhe esse artigo:

WhatsApp
Facebook
Threads
X
Telegram
LinkedIn
Tesla perde o posto de maior fabricante de EVs e BYD assume a liderança: o que isso muda para nós?

Na última sexta‑feira (2), a Tesla viu seu título de maior fabricante de veículos elétricos do planeta ser tomado pela chinesa BYD. A notícia chegou como um balde d’água para os fãs de Elon Musk, mas, ao mesmo tempo, abre espaço para refletirmos sobre o futuro da mobilidade elétrica no Brasil e no mundo.



Os números falam por si: a Tesla entregou 1,64 milhão de veículos em 2025, queda de 9 % em relação ao ano anterior. Enquanto isso, a BYD registrou 2,26 milhões de unidades vendidas, superando a concorrente americana e assumindo a primeira posição no ranking global.



Mas o que está por trás dessa troca de bastão? A resposta não está só nos números de vendas, mas também nas estratégias de preço, nas políticas governamentais e na própria percepção dos consumidores.



Por que a Tesla está em queda?

A Tesla tem enfrentado dois grandes desafios nos últimos anos. Primeiro, a retirada do crédito tributário de US$ 7.500 nos Estados Unidos, que havia incentivado a compra de veículos elétricos. Sem esse benefício, o preço final dos modelos subiu, reduzindo a demanda.

Segundo, a concorrência internacional se intensificou. Fabricantes chineses, como a BYD, vêm lançando modelos cada vez mais acessíveis e com boa autonomia, o que tem atraído consumidores que antes consideravam a Tesla como a única opção premium.

Além disso, a própria estratégia da Tesla de focar em versões mais baratas do Model Y (cerca de US$ 40 mil) e do Model 3 (menos de US$ 37 mil) ainda não foi suficiente para compensar a queda nas vendas do quarto trimestre, que ficou em 418 mil unidades, abaixo das projeções de 440 mil.

Como a BYD chegou ao topo?

A BYD tem uma abordagem diferente: produção em massa, foco em custo‑benefício e forte presença nos mercados emergentes, como a Ásia e a Europa. Os modelos da marca, como o Han e o Tang, combinam boa autonomia com preços competitivos, o que tem atraído tanto compradores individuais quanto frotas corporativas.

Outro ponto crucial é o apoio dos governos chineses, que oferecem subsídios e infraestrutura de recarga mais desenvolvida. Isso cria um ecossistema favorável para que a BYD expanda rapidamente suas vendas.

O que isso significa para o consumidor brasileiro?

Para nós, que ainda estamos em fase de adoção massiva dos veículos elétricos, a mudança de liderança pode trazer algumas consequências práticas:

  • Mais opções de preço: Com a BYD ganhando força, é provável que vejamos modelos ainda mais acessíveis surgindo no mercado nacional, facilitando a troca de um carro a combustão por um elétrico.
  • Infraestrutura de recarga: A competição entre fabricantes pode acelerar a expansão de redes de carregamento, já que cada marca busca garantir que seus clientes tenham pontos de recarga próximos.
  • Inovação tecnológica: A Tesla continua investindo em IA, robótica e armazenamento de energia. Mesmo que as vendas de carros estejam em baixa, essas áreas podem gerar produtos que beneficiem o consumidor, como baterias domésticas mais eficientes.

O futuro da Tesla: além dos carros

Elon Musk tem deixado claro que a queda nas vendas de veículos não é o fim do mundo para a empresa. O foco agora está em três pilares:

  1. Robotáxis sem motorista: A ideia de um serviço de táxi totalmente autônomo pode transformar a mobilidade urbana, reduzindo custos e aumentando a segurança.
  2. Armazenamento de energia: As baterias Powerwall e Megapack da Tesla já são usadas em residências e indústrias. O crescimento dessa divisão pode compensar a desaceleração nas vendas de veículos.
  3. Robôs humanoides: O projeto Optimus, ainda em fase de protótipo, tem como objetivo criar robôs que realizem tarefas domésticas e industriais simples. Se bem sucedido, pode abrir um novo mercado totalmente diferente.

Essas apostas são arriscadas, mas também oferecem uma visão de longo prazo que pode atrair investidores que buscam diversificação.

Impactos no mercado de ações

Mesmo com a queda nas entregas, as ações da Tesla fecharam 2025 com alta de cerca de 11 %, cotadas em torno de US$ 450,27. O otimismo dos acionistas vem do potencial das áreas de IA e energia, além da expectativa de que a empresa reverta a tendência negativa em 2026.

Vale lembrar que Musk recebeu recentemente um bônus significativo após a Suprema Corte de Delaware reverter uma decisão que o privava de um pacote de remuneração de US$ 55 bilhões concedido em 2018. Esse tipo de notícia costuma impulsionar a confiança do mercado.

O que podemos esperar para 2026?

Analistas da FactSet projetam uma queda de 3 % nas vendas da Tesla no próximo trimestre e um recuo de quase 40 % no lucro por ação. Contudo, eles também acreditam que a tendência negativa pode começar a se reverter ao longo de 2026, impulsionada por:

  • Novos lançamentos de modelos mais baratos.
  • Expansão das redes de recarga nos EUA, Europa e Ásia.
  • Potencial lançamento comercial dos robotáxis.

Se a empresa conseguir equilibrar esses fatores, podemos ver a Tesla recuperar parte de sua liderança, ainda que talvez em um segmento diferente – mais focado em tecnologia avançada do que em volume de vendas.

Conclusão: quem sai ganhando?

Para o consumidor, a competição entre Tesla e BYD é uma boa notícia. Mais concorrência significa preços mais baixos, mais opções de modelos e, possivelmente, uma rede de recarga mais robusta. Para os investidores, a situação exige cautela: a Tesla ainda tem potencial de crescimento em áreas não‑automotivas, enquanto a BYD parece estar consolidando sua posição no mercado de veículos elétricos.

O que eu levo dessa mudança? Que a revolução dos carros elétricos está longe de ser monopolizada por uma única marca. O futuro será moldado por diversas empresas que trazem inovações diferentes, e nós, como consumidores, temos a chance de escolher o que melhor se encaixa nas nossas necessidades e no nosso bolso.

E você, já está pensando em trocar seu carro a combustão por um elétrico? Ou talvez esteja curioso sobre as novidades em robótica doméstica? Compartilhe sua opinião nos comentários!