Você deve ter visto nas redes sociais que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um aumento nas tarifas sobre produtos sul‑coreanos. De 15% para 25%, isso mesmo, um salto de 10 pontos percentuais que afeta carros, madeira, remédios e muito mais. Mas, antes de ficar só no susto, vamos entender por que isso aconteceu, quais são os impactos reais e o que isso pode mudar para quem compra ou vende produtos entre os dois países.
Por que Trump decidiu subir as tarifas?
Segundo o próprio Trump, a medida é uma resposta ao que ele chama de “não‑cumprimento” do acordo comercial firmado entre os EUA e a Coreia do Sul. O Legislativo sul‑coreano, de acordo com o presidente americano, não teria aprovado o acordo histórico que reduziu as tarifas para 15% no ano passado. Em termos simples, Trump está usando a alavanca das tarifas como forma de pressão para que Seul cumpra o que foi prometido.
É importante lembrar que, desde que assumiu a presidência, Trump tem usado tarifas como ferramenta de negociação. A ideia é simples: aumentar o custo de importação para forçar o parceiro a mudar de postura. No caso da Coreia do Sul, o foco está em setores estratégicos como automóveis, madeira e produtos farmacêuticos.
O que está em jogo para a Coreia do Sul?
O governo sul‑coreano ainda não recebeu notificação oficial, mas já sinalizou que vai reagir. O ministro da Indústria, Kim Jung‑kwan, que está no Canadá, deve viajar aos EUA entre 28 e 31 de janeiro para conversar com o secretário de Comércio americano, Howard Lutnick. Essa reunião pode definir se as tarifas vão ser mantidas, reduzidas ou até revertidas.
Além das tarifas, a Coreia do Sul tem um compromisso de investir US$ 350 bi em setores estratégicos dos EUA. No entanto, o ministro das Finanças sul‑coreano avisou que esse investimento pode atrasar, principalmente porque o won (moeda local) está fraco, em níveis não vistos desde a crise de 2007‑2009. Se o investimento for adiado, a pressão de Trump pode aumentar ainda mais.
Como isso afeta o consumidor brasileiro?
Você pode estar se perguntando: “E eu, que moro no Brasil, como isso me afeta?” A resposta curta é que, indiretamente, pode sim chegar até o seu carrinho de compras. Se as tarifas aumentarem, os fabricantes americanos podem repassar parte desse custo para os consumidores finais, inclusive nos mercados onde vendem produtos importados da Coreia do Sul. Isso pode significar preços mais altos para smartphones, componentes eletrônicos e até alguns medicamentos.
Por outro lado, se a Coreia do Sul decidir retaliar com tarifas sobre produtos americanos, isso pode criar uma cadeia de aumentos de preço em várias indústrias. Empresas brasileiras que dependem de peças automotivas ou de matérias‑primas importadas podem sentir o efeito no custo de produção.
O histórico das tarifas entre EUA e Coreia do Sul
O acordo de 2025 estabeleceu que as tarifas sobre automóveis e autopeças sul‑coreanas nos EUA cairiam de 25% para 15%, alinhando‑se ao que o Japão já praticava. Em troca, Seul se comprometeu a investir US$ 200 bi em dinheiro, em parcelas de até US$ 20 bi por ano, para apoiar a estabilidade do won.
Esse acordo foi visto como um grande passo para reforçar a aliança estratégica entre os dois países, especialmente frente à crescente influência da China na região. No entanto, a implementação tem sido mais lenta do que o esperado, o que gerou a irritação de Trump.
O que os economistas dizem?
Especialistas como Josh Lipsky, do Atlantic Council, apontam que a medida de Trump reflete impaciência com a velocidade de execução do acordo por parte de Seul. “É apenas mais um lembrete de que os mercados estavam errados ao acreditar que entraríamos em um período de estabilidade tarifária em 2026”, disse Lipsky.
Além disso, há preocupação de que a volatilidade gerada por mudanças tarifárias frequentes pode afetar a confiança dos investidores. Quando as regras mudam de repente, as empresas hesitam em fazer investimentos de longo prazo, o que pode frear o crescimento econômico tanto nos EUA quanto na Coreia do Sul.
Possíveis cenários futuros
- Negociação bem‑sucedida: Se a reunião entre Kim Jung‑kwan e Howard Lutnick resultar em um novo acordo, as tarifas podem voltar a 15% ou até ser reduzidas ainda mais, mantendo a estabilidade do comércio.
- Escalada de tarifas: Caso a Coreia do Sul decida retaliar, poderemos ver um aumento de tarifas sobre produtos americanos, como soja, carne bovina e tecnologia. Isso poderia impactar cadeias de suprimento globais.
- Impacto na moeda: A pressão sobre o won pode levar a mais intervenções do Banco da Coreia, o que afetaria taxas de câmbio e, consequentemente, o preço de exportações e importações.
Para quem acompanha o mercado financeiro, vale ficar de olho nos indicadores de câmbio, nos relatórios de comércio exterior e nas declarações de autoridades de ambos os países. Pequenas mudanças nas tarifas podem gerar grandes ondas nos preços de commodities e ativos financeiros.
O que você pode fazer agora?
Se você compra produtos que podem ser afetados – como eletrônicos, veículos ou medicamentos importados – vale a pena pesquisar alternativas locais ou marcas que não dependam tanto da cadeia sul‑coreana. Também é útil acompanhar notícias sobre a negociação entre Seul e Washington, pois qualquer mudança pode se refletir nas cotações de moedas e nos preços de importação.
Para quem investe, diversificar a carteira e considerar ativos que não estejam excessivamente expostos ao comércio EUA‑Coreia pode ser uma estratégia prudente. Fundos de ações globais, títulos de países com políticas comerciais estáveis e até commodities podem servir como amortecedores.
Em resumo, a elevação das tarifas é mais do que uma medida isolada; ela faz parte de um jogo de barganha que tem repercussões globais. Mesmo que você não importe ou exporte diretamente, o efeito cascata pode chegar ao seu bolso. Por isso, manter-se informado e analisar como essas decisões afetam sua vida cotidiana pode fazer a diferença.



