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Tarifas dos EUA já chegam ao carrinho: o que o aumento de custos da Amazon significa para o seu bolso

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Tarifas dos EUA já chegam ao carrinho: o que o aumento de custos da Amazon significa para o seu bolso

Na última terça‑feira (20), Andy Jassy, CEO da Amazon, deu uma entrevista à CNBC durante o Fórum Econômico Mundial em Davos e confirmou algo que muitos de nós já suspeitávamos: as tarifas impostas pelo ex‑presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começaram a aparecer nos preços de alguns produtos da plataforma.



Para quem usa a Amazon como referência de preço, a notícia pode parecer um susto. Mas, antes de fechar a aba do site e procurar outra loja, vale entender como essas tarifas funcionam, quem realmente paga a conta e o que podemos fazer para minimizar o impacto no nosso orçamento.



Um panorama rápido das tarifas

  • As medidas, anunciadas em 2018, previam um imposto mínimo de 10 % sobre quase todas as importações para a China e outros países.
  • O objetivo oficial era proteger indústrias americanas, mas a forma de aplicação foi feita por meio de poderes de emergência presidencial.
  • Até agora, a maioria das críticas vem dos próprios consumidores, já que estudos apontam que 96 % da arrecadação das tarifas recai sobre eles.

Essas taxas, embora pareçam distantes do nosso dia a dia, entram na cadeia de produção de quase tudo que compramos online: desde eletrônicos até roupas e brinquedos.



Como a Amazon lida com o aumento de custos?

Andy Jassy explicou que a Amazon tenta manter os preços “o mais baixos possível”, mas reconheceu que o varejo opera com margens muito estreitas. Quando um custo sobe 10 %, não há muito espaço para absorver o impacto sem repassar parte dele ao consumidor.

Ele destacou três estratégias que os vendedores adotam:

  1. Repasse total: o preço sobe na mesma proporção da tarifa.
  2. Absorção parcial: o vendedor aceita reduzir sua margem para não perder vendas.
  3. Meio‑termômetro: combina aumento de preço com promoções ou descontos estratégicos.

Na prática, isso significa que você pode ver o mesmo item com preços diferentes dependendo de quem o está vendendo.

O que isso muda para o consumidor brasileiro?

Embora a Amazon.com seja a loja americana, a Amazon.com.br também tem produtos importados que passam por esses custos. Quando o fornecedor paga a tarifa e repassa o valor ao varejista, o preço final pode subir tanto na versão internacional quanto na versão local.

Alguns efeitos que já podemos observar:

  • Eletrônicos como fones de ouvido, carregadores e gadgets tendem a ganhar alguns reais a mais.
  • Roupas e acessórios importados podem ficar mais caros ou ter menos promoções.
  • Produtos de marcas chinesas, que antes eram muito competitivos, podem perder parte da vantagem de preço.

Se você tem o hábito de comparar preços antes de comprar, vale ficar ainda mais atento ao histórico de variação.

Dicas práticas para driblar o aumento

Não precisa aceitar o aumento de cara. Algumas estratégias simples podem ajudar a proteger o seu bolso:

  1. Use alertas de preço: ferramentas como Keepa ou o próprio “Desejo” da Amazon avisam quando o valor baixa.
  2. Compre em estoque: se perceber que um item está em promoção antes da alta das tarifas, vale garantir a compra.
  3. Explore vendedores alternativos: às vezes o mesmo produto tem vendedores que ainda não repassaram a tarifa.
  4. Aproveite cupons e programas de fidelidade: o Amazon Prime, por exemplo, pode oferecer frete grátis que compensa um pequeno aumento.

Outra opção é buscar lojas locais que já tenham importado o produto antes da imposição das tarifas. Muitas vezes esses estoques ainda estão disponíveis a preços mais estáveis.

Visão de futuro: o que esperar?

O cenário ainda tem muitas incógnitas. A Suprema Corte dos EUA ainda está analisando a legalidade das tarifas, e se houver mudanças, os custos podem cair ou subir ainda mais. Enquanto isso, a Amazon continua a incentivar os vendedores a estocar produtos antes que as tarifas entrem em vigor – estratégia que já mostrou seus limites, já que o estoque extra está se esgotando no hemisfério norte.

Para nós, consumidores, o melhor caminho é manter a vigilância: acompanhar notícias, comparar preços e não hesitar em buscar alternativas quando algo parece estar caro demais.

Em resumo, as tarifas de Trump já não são apenas um assunto de política internacional; elas estão no nosso carrinho de compras, influenciando o preço de itens que usamos no dia a dia. Entender quem paga a conta – e como – nos dá mais controle para decidir onde gastar o dinheiro.

E você, já percebeu alguma mudança nos preços da Amazon? Compartilhe nos comentários e vamos trocar ideias sobre como driblar esses aumentos juntos.