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Tarifas dos EUA em xeque: o que o possível reembolso de US$ 150 bi pode mudar para importadores brasileiros

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Tarifas dos EUA em xeque: o que o possível reembolso de US$ 150 bi pode mudar para importadores brasileiros

Nos últimos dias, o mundo dos negócios tem falado muito sobre a decisão que a Suprema Corte dos Estados Unidos deve dar nesta sexta‑feira (9) a respeito das tarifas impostas pelo ex‑presidente Donald Trump. Se o tribunal derrubar as tarifas baseadas na Lei de Poderes Econômicos Emergenciais Internacionais (IEEPA), os importadores americanos poderão pedir reembolso de até US$ 150 bilhões – o que, convertido, chega a R$ 808 bilhões. Mas, e a gente, que importa da China, do México ou do Canadá? Como esse cenário pode afetar a nossa cadeia de suprimentos e, sobretudo, o preço dos produtos que chegam às prateleiras brasileiras?



Entendendo a origem das tarifas

Trump foi o primeiro presidente a usar a IEEPA para cobrar tarifas sobre produtos de parceiros comerciais. A justificativa? Emergências nacionais – primeiro, um déficit comercial “catastrófico”, depois o combate ao tráfico de fentanil e outros opioides. O resultado foi a aplicação de taxas sobre bilhões de dólares em mercadorias, especialmente da China, mas também do Canadá, México e, a partir de agosto, do Brasil.



O que significa um possível reembolso?

Se a Corte decidir que Trump não tinha autoridade para usar a IEEPA como base legal, o governo dos EUA terá que devolver o que já arrecadou. O valor total das tarifas já recolhidas entre fevereiro e dezembro de 2025 chega a US$ 133,5 bi, segundo a Alfândega (CBP). As projeções apontam que o montante pode chegar a US$ 150 bi até o fim do ano.

Para as empresas americanas, isso abre a possibilidade de recuperar valores que variam de alguns milhões a dezenas de milhões de dólares. A Danby Appliances, por exemplo, espera reaver US$ 7 mi (cerca de R$ 37,7 mi). Já a fabricante de brinquedos Kids2 vendeu seus direitos de reembolso por centavos de dólar, numa prática que tem ganhado força no mercado secundário.



E para o Brasil? Por que devemos nos importar?

Embora a decisão seja focada nos importadores norte‑americanos, o efeito cascata pode chegar até nós. Primeiro, se as tarifas forem anuladas, a pressão sobre os preços de produtos importados – como eletrônicos, vestuário e componentes industriais – pode cair. Isso pode significar preços mais competitivos nas lojas brasileiras, especialmente em categorias que dependem fortemente da cadeia asiática.

Segundo, a forma como o governo dos EUA lidará com o reembolso pode criar precedentes sobre como tratados comerciais são interpretados. Caso o retorno de dinheiro seja lento ou burocrático, as empresas podem buscar alternativas, como mudar de fornecedor ou renegociar contratos, o que pode abrir espaço para produtores locais.

O papel da CBP e a nova tecnologia de reembolso

A Alfândega dos EUA anunciou, em 2 de janeiro, que a partir de 6 de fevereiro todas as restituições serão feitas via portal eletrônico ACE, abandonando os cheques em papel. A mudança promete mais agilidade e menos erros, mas ainda não garante que o processo será totalmente automático.

Angela Lewis, da Flexport, vê nisso um sinal de que a CBP está pronta para avançar com os pagamentos caso a Corte dê o aval. No entanto, a agência ainda não respondeu como lidaria com um cenário de grande volume de reembolsos – algo sem precedentes para a CBP.

Estratégias dos importadores: vender direitos ou esperar?

Muitos importadores já estão se preparando para diferentes desfechos. Alguns optam por vender seus direitos de reembolso a fundos de hedge por centavos de dólar, garantindo um pagamento rápido, ainda que menor. Outros, como a Basic Fun!, ainda avaliam se vale a pena esperar pelo processo judicial completo.

Essa diversificação de estratégias mostra como o mercado está tentando se proteger contra a incerteza. Para nós, que dependemos de importações, isso indica que as cadeias de suprimentos podem ficar mais resilientes, com empresas buscando alternativas de financiamento e mitigação de risco.

O que o futuro reserva?

Se a Suprema Corte decidir a favor dos importadores, podemos esperar três grandes impactos:

  • Redução de custos de importação: sem as tarifas, o preço final dos produtos tende a cair.
  • Revisão de acordos comerciais: os EUA podem buscar novas bases legais para impor tarifas, o que pode gerar novas rodadas de negociações.
  • Maior competitividade para produtores locais: com preços de importados mais baixos, empresas brasileiras podem ganhar espaço ao oferecer qualidade e rapidez.

Por outro lado, se Trump mantiver as tarifas ou se o governo dos EUA retardar os reembolsos, o cenário permanece o mesmo: custos altos para quem importa, pressão sobre margens de lucro e, eventualmente, repasse ao consumidor final.

Como se preparar?

Para quem tem negócios que dependem de importação, algumas atitudes podem ajudar a mitigar o risco:

  1. Revisar contratos de fornecimento: incluir cláusulas que permitam ajustes de preço caso tarifas sejam alteradas.
  2. Diversificar fornecedores: buscar alternativas fora da China ou de países sujeitos a tarifas.
  3. Monitorar o processo judicial: estar atento às decisões da Suprema Corte e às orientações da CBP.
  4. Considerar seguros de comércio: algumas seguradoras oferecem coberturas específicas para riscos tarifários.

Em resumo, a disputa judicial nos EUA pode parecer distante, mas o efeito dominó chega até a nossa porta. Ficar de olho nas notícias, entender as implicações e ajustar a estratégia de compras pode fazer a diferença entre perder dinheiro ou aproveitar uma oportunidade de redução de custos.

E você, já pensou em como essas tarifas podem estar influenciando o preço daquele eletrodoméstico ou brinquedo que você compra? Compartilhe nos comentários suas experiências e dúvidas – a gente adora trocar ideias sobre comércio internacional!