Na última terça‑feira (20), Andy Jassy, CEO da Amazon, deu um sinal que muitos consumidores ainda não perceberam: as tarifas impostas pelo ex‑presidente dos EUA, Donald Trump, começaram a infiltrar-se nos preços de alguns produtos da plataforma. A declaração foi feita durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, e já gerou bastante burburinho nos meios de comunicação.
Mas, antes de entrar nos detalhes, vale a pena entender como essas tarifas funcionam e por que elas acabam chegando até a gente, mesmo que a Amazon tente manter os preços “mais baixos possíveis”.
O que são as tarifas de Trump?
Em 2018, o governo dos EUA decidiu aplicar uma taxa mínima de 10% sobre quase todas as importações. A justificativa oficial era proteger a indústria nacional e combater práticas comerciais consideradas desleais. A medida foi adotada usando poderes de emergência presidencial, o que acabou levando a questionamentos na Suprema Corte dos EUA.
Essas tarifas não são um imposto direto ao consumidor, mas aumentam o custo de produção ou de aquisição dos produtos que entram no país. Quando o fornecedor paga mais para trazer o item até o território americano, ele precisa decidir quem vai arcar com esse custo extra.
Como a Amazon lida com o aumento de custos?
Andy Jassy explicou que a Amazon opera com margens de lucro muito estreitas. “Se os custos sobem 10%, não há muitos lugares para absorver esse impacto”, afirmou. Ele descreveu três estratégias que os vendedores podem adotar:
- Repasse total: o vendedor aumenta o preço ao consumidor para compensar a tarifa.
- Absorção total: o vendedor mantém o preço, aceitando uma margem menor.
- Compromisso intermediário: parte do custo é repassada, parte é absorvida.
Essa escolha depende de fatores como o nível de concorrência, a elasticidade da demanda e a capacidade de estocar produtos antes da entrada da tarifa.
Estoque extra: estratégia que está acabando
No primeiro semestre de 2018, muitas empresas, inclusive a própria Amazon, anteciparam compras e formaram estoques maiores para evitar repassar os custos imediatamente. Essa foi uma tática de “comprar antes da tempestade”. No entanto, o estoque extra começou a se esgotar no segundo semestre do ano passado, principalmente no Hemisfério Norte. Quando o estoque diminui, os vendedores têm menos margem de manobra e acabam repassando as tarifas ao consumidor.
Impacto real nos consumidores americanos
Um estudo do Instituto Kiel para a Economia Mundial apontou que 96% da arrecadação gerada pelas tarifas acaba sendo paga pelos consumidores dos EUA, enquanto apenas 4% recai sobre exportadores estrangeiros. Em termos práticos, isso significa que, ao comprar um produto importado na Amazon, há uma boa chance de que parte do preço já inclua essa taxa.
Para quem faz compras frequentes, como eletrônicos, roupas ou itens de casa, a diferença pode ser de alguns dólares a dezenas de dólares, dependendo do produto e da margem que o vendedor está disposto a sacrificar.
O que isso muda para quem compra fora dos EUA?
Se você mora no Brasil, o efeito direto das tarifas de Trump na Amazon.com pode não ser tão evidente, já que a maioria das compras internacionais passa por processos de importação que já incluem impostos como o II, IPI, ICMS, etc. No entanto, há dois pontos a observar:
- Preços de referência: Muitos vendedores utilizam a Amazon.com como base para definir preços em marketplaces locais. Se o preço base subir, é provável que o preço final no Brasil também aumente.
- Produtos de origem chinesa: A maioria dos itens de baixo custo vem da China, que foi um dos alvos principais das tarifas. Assim, produtos como acessórios de celular, gadgets baratos e até alguns itens de vestuário podem sofrer aumentos.
Em resumo, mesmo que a tarifa seja americana, ela cria uma cadeia de repasse que pode chegar até o consumidor brasileiro.
Como se proteger de aumentos inesperados?
Algumas dicas práticas para quem não quer ser pego de surpresa:
- Fique de olho nas variações de preço: Use extensões de navegador que monitoram o histórico de preços. Se notar um salto repentino, pode ser sinal de tarifa.
- Compre em períodos de estoque alto: Quando os vendedores ainda têm estoque acumulado, eles tendem a manter os preços.
- Considere alternativas: Se o mesmo produto está disponível em outros marketplaces ou diretamente no site do fabricante, compare.
- Aproveite promoções: Grandes eventos como Black Friday ou Prime Day costumam trazer descontos que compensam o aumento de custos.
O futuro das tarifas e da Amazon
O cenário ainda está em aberto. A Suprema Corte dos EUA ainda vai decidir sobre a legalidade das tarifas, e novos acordos comerciais podem mudar o panorama. Enquanto isso, a Amazon continuará equilibrando a pressão entre vendedores e consumidores.
Para nós, que acompanhamos de perto as tendências de consumo, o mais importante é entender que políticas comerciais internacionais têm um efeito direto no nosso dia a dia, mesmo que pareçam distantes. Quando o CEO da Amazon fala que “tarifas já estão se infiltrando nos preços”, ele está nos lembrando de que a economia global é um organismo interligado.
E você, já percebeu alguma mudança nos preços de produtos que costuma comprar na Amazon? Compartilhe sua experiência nos comentários – a troca de informações ajuda todo mundo a navegar melhor nesse mar de tarifas e ajustes de preço.



