Na última terça‑feira (20), Andy Jassy, CEO da Amazon, confirmou algo que muitos de nós já suspeitávamos: as tarifas de importação impostas pelo ex‑presidente dos EUA, Donald Trump, começaram a aparecer nos preços de alguns produtos vendidos na plataforma. A notícia veio durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, transmitida pela CNBC, e gerou um alvoroço que merece ser analisado com calma.
Como as tarifas chegam ao consumidor
Jassy explicou que a Amazon tenta manter os preços “o mais baixos possível”, mas que a realidade do varejo é outra. Quando os custos de importação sobem – a taxa mínima de 10% sobre quase todas as mercadorias, segundo a política de Trump – os vendedores têm três caminhos:
- Repasse total: aumentam o preço final para cobrir a taxa.
- Absorção parcial: mantêm o preço, mas sacrificam parte da margem de lucro.
- Meio‑termômetro: aumentam levemente, tentando equilibrar competitividade e rentabilidade.
Essas decisões não são tomadas no vácuo. Cada categoria de produto tem uma sensibilidade diferente ao preço. Um smartphone pode sofrer um ajuste de 5 % e ainda vender bem, enquanto um item de uso diário, como papel higiênico, tem menos margem para variações.
Por que isso importa para quem compra na Amazon do Brasil?
Você pode estar se perguntando: “Mas eu moro no Brasil, por que devo me preocupar com tarifas americanas?” A resposta está na cadeia de suprimentos global. Muitos produtos vendidos na Amazon.com.br são enviados dos EUA, seja diretamente do estoque da própria Amazon ou de vendedores terceiros que operam a partir de lá.
Quando esses vendedores enfrentam custos maiores, eles repassam parte desse peso para o consumidor final, independentemente da moeda. O efeito pode ser percebido como um pequeno aumento no preço do produto, mas, acumulado em várias compras ao longo do ano, representa um impacto significativo no orçamento familiar.
O que a Amazon fez para tentar conter o aumento
Segundo Jassy, a empresa e muitos vendedores anteciparam as tarifas, aumentando os estoques antes da implementação das medidas. Essa estratégia funcionou por um tempo, mas o estoque extra começou a minguar no segundo semestre do último ano no Hemisfério Norte. Quando o “cushion” de produtos acabou, a pressão para repassar os custos voltou com força.
Além disso, a Amazon tem um papel peculiar: ela é, em grande parte, uma plataforma de terceiros. Isso significa que, embora a empresa estabeleça políticas de preço e ofereça ferramentas de análise, ela não controla diretamente a decisão de cada vendedor sobre como lidar com aumentos de custos.
Impacto nas margens dos vendedores
O varejo online opera com margens estreitas. Um aumento de 10 % nos custos de aquisição pode significar a diferença entre lucro e prejuízo. Jassy destacou que “as opções não são infinitas”. Para pequenos empreendedores que dependem da Amazon para vender, a tarifa pode ser um golpe duro.
Alguns podem optar por absorver o custo, mas isso pode levar a uma redução de investimentos em marketing, inovação ou até mesmo à diminuição da variedade de produtos oferecidos. Outros podem decidir fechar o negócio ou migrar para mercados menos onerosos.
Quem realmente paga a conta?
Um estudo do Instituto Kiel para a Economia Mundial revelou que 96 % da arrecadação gerada pelas tarifas recai sobre os consumidores americanos, enquanto apenas 4 % impacta exportadores estrangeiros. Essa distribuição desproporcional indica que, apesar da intenção de proteger a indústria nacional, o efeito prático recai sobre quem compra.
Para nós, brasileiros, o efeito indireto pode ser percebido em três frentes:
- Produtos importados: itens eletrônicos, roupas de marca e acessórios tendem a subir.
- Produtos de fabricantes locais: se eles dependem de componentes americanos, os custos podem ser repassados.
- Serviços de logística: o frete internacional pode encarecer, refletindo no preço final.
Como se proteger desses aumentos?
Não há fórmula mágica, mas algumas estratégias podem ajudar a mitigar o impacto no seu orçamento:
- Planeje compras com antecedência: se souber que um item costuma subir de preço, compre antes de possíveis reajustes.
- Compare preços em diferentes plataformas: às vezes, lojas locais ou outros marketplaces oferecem o mesmo produto sem a taxa de importação.
- Fique de olho nas promoções: a Amazon costuma ter eventos como o Prime Day, onde descontos podem compensar aumentos recentes.
- Use cupons e cashback: aplicativos de recompensas podem devolver parte do valor gasto, suavizando o efeito da tarifa.
O futuro das tarifas e da Amazon
As tarifas ainda estão sob análise da Suprema Corte dos EUA, após processos movidos por pequenas empresas que alegam violação de regras comerciais. Se a corte decidir anular ou reduzir as medidas, poderemos ver uma estabilização nos preços.
Por outro lado, se as tarifas permanecerem, a Amazon pode intensificar sua estratégia de diversificação de estoques, investindo mais em centros de distribuição fora dos EUA, como na Europa ou na Ásia, para driblar os custos de importação.
Para nós, consumidores, o importante é manter a vigilância. Notícias como a do CEO da Amazon nos lembram que a economia global está interconectada e que decisões políticas em um canto do mundo podem chegar até a nossa conta bancária.
Resumo rápido
- Tarifas de 10 % impostas por Trump já estão sendo repassadas em alguns preços da Amazon.
- Vendedores podem repassar, absorver ou fazer um ajuste parcial.
- Consumidores americanos arcam com 96 % da carga tributária.
- Impacto indireto chega ao Brasil via produtos importados e cadeias de suprimento.
- Estratégias de compra antecipada e comparação de preços podem reduzir o efeito.
Fique atento às próximas edições do Fórum Econômico Mundial e aos comunicados da Amazon. Enquanto isso, continue acompanhando nosso blog para dicas práticas de como economizar nas compras online.



