Quando a gente fala de aumentos de preço, costuma imaginar a inflação, a alta do dólar ou até mesmo a crise econômica. Mas, nos últimos meses, outro fator entrou na conversa: as tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos durante a presidência de Donald Trump. E, acredite se quiser, isso já está aparecendo nas contas de quem compra na Amazon.
O CEO da Amazon, Andy Jassy, confirmou em entrevista à CNBC, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, que as tarifas começaram a “se infiltrar” nos preços de alguns produtos. O que isso significa na prática? Vamos destrinchar tudo, entender como isso afeta o seu carrinho de compras e o que pode acontecer nos próximos meses.
Entendendo as tarifas de Trump
Para quem não acompanhou a política americana nos últimos anos, vale lembrar que, a partir de 2018, o governo Trump utilizou poderes de emergência presidencial para impor uma taxa mínima de 10% sobre quase todas as importações. O objetivo oficial era proteger indústrias nacionais, mas o efeito colateral – e mais imediato – foi o aumento do custo de produtos importados.
Essas tarifas são cobradas na fronteira, antes que o bem chegue ao consumidor final. Em teoria, quem paga a conta são os importadores e, consequentemente, os fabricantes estrangeiros. Na prática, a carga tributária costuma ser repassada para quem compra, ou seja, nós, consumidores.
Como a Amazon lida com o aumento de custos?
A Amazon funciona como uma gigantesca plataforma onde vendedores de todo o mundo podem oferecer seus produtos. Essa estrutura traz duas consequências importantes:
- Margens apertadas: O varejo online costuma operar com margens de lucro muito baixas. Um aumento de 10% nos custos pode significar a diferença entre lucro e prejuízo.
- Decisões descentralizadas: Cada vendedor decide como reagir ao aumento de custos – repassar ao cliente, absorver ou adotar uma solução intermediária.
Andy Jassy explicou que, apesar do esforço da Amazon para manter os preços “o mais baixos possível”, alguns aumentos são inevitáveis. Quando os custos sobem 10%, não há muitos “buracos” para absorver esse impacto sem mexer nos preços.
Quem está pagando a conta?
Um estudo do Instituto Kiel para a Economia Mundial revelou que 96% da arrecadação gerada pelas tarifas acaba sendo paga pelos próprios consumidores americanos, enquanto apenas 4% recai sobre os exportadores estrangeiros. Em outras palavras, a maioria dos aumentos de preço que vemos nas prateleiras – ou nas páginas da Amazon – vem do bolso do consumidor.
Mas por que isso acontece? Quando um vendedor importa um produto e paga a tarifa, ele tem três opções:
- Repasse total: Aumentar o preço do produto para cobrir exatamente a tarifa.
- Absorção parcial: Manter o preço, mas aceitar uma margem de lucro menor.
- Compromisso: Elevar o preço um pouco, mas não tanto quanto a tarifa, tentando equilibrar competitividade e rentabilidade.
Na prática, vemos uma mistura desses comportamentos. Produtos de marcas mais fortes tendem a absorver mais, enquanto itens de concorrentes menores repassam quase tudo.
Estoque estratégico: a jogada dos vendedores
Quando as tarifas foram anunciadas, muitos vendedores – inclusive a própria Amazon – anteciparam compras e aumentaram seus estoques antes que as tarifas entrassem em vigor. Essa foi uma estratégia para segurar os preços por um tempo, evitando repasses imediatos.
No entanto, como Andy Jassy comentou, esse estoque extra começou a se esgotar no segundo semestre do último ano no Hemisfério Norte. Quando o estoque diminui, a pressão para repassar os custos volta com força total.
O que isso significa para o consumidor brasileiro?
Você pode estar se perguntando: “Mas eu moro no Brasil, como isso me afeta?”. A resposta está na cadeia de suprimentos global. Muitos produtos vendidos na Amazon Brasil são importados dos EUA ou fabricados por empresas que dependem de componentes americanos. Quando o custo desses componentes sobe, o preço final tende a subir, mesmo que o produto seja vendido por um fornecedor brasileiro.
Além disso, a Amazon tem investido fortemente em logística própria no Brasil (Amazon Prime, centros de distribuição, etc.). Esses investimentos, embora visem melhorar a experiência do cliente, também aumentam os custos operacionais. Se a empresa já está lidando com tarifas mais altas nos EUA, pode buscar compensar parte desse ônus em outros mercados.
Como mitigar o impacto no seu bolso?
Não há fórmula mágica, mas algumas estratégias podem ajudar a driblar os aumentos:
- Fique de olho nas promoções: A Amazon costuma oferecer descontos relâmpago e cupons. Aproveitar esses momentos pode compensar um eventual aumento de preço.
- Compare preços: Use ferramentas como o Zoom ou Buscapé para checar se o mesmo produto está mais barato em outras lojas.
- Compre em quantidade: Se você tem um item que usa regularmente (ex.: papel higiênico, produtos de limpeza), comprar em maior volume pode garantir um preço mais estável.
- Considere alternativas locais: Produtos fabricados no Brasil podem ser menos afetados por tarifas americanas, então vale pesquisar opções nacionais.
Perspectivas para o futuro
O cenário ainda tem muitas incógnitas. A legalidade das tarifas está sendo contestada na Suprema Corte dos EUA, e há possibilidade de revogação ou modulação dos valores. Se isso acontecer, os preços podem estabilizar ou até cair.
Por outro lado, a política comercial dos EUA tem sido volátil nos últimos anos, e novos impostos ou barreiras podem surgir. A Amazon, como gigante global, tem recursos para se adaptar, mas os vendedores menores podem sentir o impacto de forma mais aguda.
Para nós, consumidores, a melhor saída é manter a vigilância: acompanhar notícias, analisar variações de preço e buscar alternativas quando necessário.
Em resumo, as tarifas de Trump já deixaram sua marca nos preços da Amazon, e esse efeito pode se estender ao mercado brasileiro. Não se trata de um aumento repentino de 50% nas suas compras, mas de um pequeno “extra” que, somado a outras pressões (inflação, custos logísticos, etc.), pode pesar no final do mês. Ficar atento, comparar e aproveitar promoções são as melhores armas que temos contra essa nova realidade.
E você, já percebeu alguma mudança nos preços da Amazon? Compartilhe nos comentários – a troca de experiências ajuda a gente a entender melhor como o mundo está se ajustando.



