Quando a gente pensa em aumentos de preço no e‑commerce, a primeira coisa que vem à cabeça são promoções que não dão certo ou a alta nos custos de logística. Mas, nas últimas semanas, ouvi falar de um motivo bem diferente: as tarifas impostas pelos Estados Unidos durante a era Trump. O CEO da Amazon, Andy Jassy, revelou em entrevista ao CNBC que essas tarifas já começaram a aparecer nos preços de alguns produtos da plataforma.
Para quem não está acompanhando, vamos recapitular rapidamente o que são essas tarifas. Em 2018, o governo americano, sob a liderança de Donald Trump, decidiu aplicar um imposto de, no mínimo, 10 % sobre quase todas as importações. A justificativa era proteger a indústria nacional e pressionar países como a China. O problema? O custo adicional não fica só nas mãos das empresas que importam – ele acaba sendo repassado para quem compra, ou seja, para nós, consumidores.
O que o Andy Jassy disse em Davos
No Fórum Econômico Mundial, em Davos, Jassy explicou que a Amazon tenta manter os preços “mais baixos possíveis”, mas que, quando os custos sobem 10 %, as margens apertam muito. Ele disse que alguns vendedores já estão repassando parte desse encargo para o cliente, enquanto outros preferem absorver o impacto para não perder demanda. Existe ainda uma terceira estratégia: dividir o aumento, aumentando um pouco o preço, mas não tanto quanto o custo real.
Como isso afeta o consumidor brasileiro?
Mesmo que a tarifa seja americana, o efeito se sente globalmente porque a Amazon opera em dezenas de países, inclusive no Brasil. Quando um fornecedor chinês, por exemplo, tem que pagar mais para entrar nos EUA, ele pode decidir mudar a rota de exportação, enviar direto para o Brasil ou ajustar a cadeia de suprimentos. Em ambos os casos, o custo extra tende a subir o preço final do produto.
- Produtos eletrônicos: são os mais vulneráveis, já que grande parte vem da Ásia.
- Roupas e calçados: as tarifas também incidem sobre tecidos e componentes importados.
- Itens de casa: móveis e decoração podem sofrer aumentos, dependendo da origem.
Para quem faz compras frequentes na Amazon, a diferença pode ser de alguns centavos a alguns reais, dependendo do produto e da estratégia do vendedor.
Estratégias da Amazon para driblar a alta
A empresa tem duas armas principais: o estoque próprio e a rede de vendedores terceiros. Quando as tarifas foram anunciadas, a Amazon incentivou os vendedores a comprar antecipadamente e montar estoques antes que as tarifas entrassem em vigor. Essa medida funcionou por um tempo, mas o estoque extra está se esgotando, principalmente no hemisfério norte, onde a maioria dos centros de distribuição está localizada.
Com o estoque diminuindo, a pressão para repassar custos volta a subir. A Amazon ainda tenta controlar a situação oferecendo descontos, cupons e programas de frete grátis, mas esses recursos têm limites financeiros.
O que dizem os especialistas?
Segundo o Instituto Kiel para a Economia Mundial, 96 % da arrecadação das tarifas acaba sendo paga pelos próprios consumidores americanos, enquanto apenas 4 % recai sobre os exportadores estrangeiros. Isso indica que, em geral, quem paga são os compradores finais, não os produtores.
Para o Brasil, isso significa que, mesmo sem estar diretamente sujeito às políticas tarifárias dos EUA, somos parte de um ecossistema global onde os custos se deslocam. O efeito pode ser percebido em um aumento de 2 % a 5 % nos preços de alguns itens importados.
Como se proteger desses aumentos?
Não há fórmula mágica, mas algumas atitudes ajudam a minimizar o impacto no orçamento:
- Compare preços: use ferramentas de comparação antes de fechar a compra.
- Aproveite promoções: fique de olho em eventos como a Prime Day, Black Friday e ofertas relâmpago.
- Compre em estoque: se você costuma comprar um determinado item regularmente, vale a pena adquirir uma quantidade maior quando o preço estiver estável.
- Considere alternativas locais: produtos fabricados no Brasil podem ser mais baratos quando as tarifas internacionais aumentam.
O futuro das tarifas e da Amazon
O cenário ainda é incerto. A Suprema Corte dos EUA está analisando a legalidade das tarifas, e há processos movidos por pequenas empresas que alegam prejuízos. Se as tarifas forem derrubadas ou reduzidas, o efeito de alta nos preços pode ser temporário. Por outro lado, se o governo americano mantiver ou ampliar as medidas, poderemos ver um ajuste permanente nos preços globais.
Para a Amazon, o desafio será equilibrar a necessidade de manter margens saudáveis com a promessa de preços baixos ao consumidor. Isso pode levar a mais investimentos em automação, otimização de logística e, quem sabe, a um aumento do número de vendedores locais que não dependem tanto de importações caras.
Em resumo, as tarifas de Trump são mais do que uma questão política dos EUA – elas têm reflexos reais no nosso carrinho de compras. Ficar atento às notícias, comparar preços e aproveitar oportunidades de compra ainda são as melhores estratégias para não deixar o bolso sofrer demais.



