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Tarifas de €93 bi contra os EUA: o que está em jogo na disputa pela Groenlândia?

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Tarifas de €93 bi contra os EUA: o que está em jogo na disputa pela Groenlândia?

A notícia de que a União Europeia está avaliando retaliações de € 93 bilhões – quase R$ 580 bi – contra os Estados Unidos pode parecer mais um número abstrato de política externa. Mas, quando a gente para para pensar, percebe que tem tudo a ver com a nossa vida cotidiana, com a segurança global e até com o futuro do clima.



## Por que a Groenlândia virou alvo de Trump?

Quando o ex‑presidente dos EUA, Donald Trump, começou a falar em anexar a Groenlândia, a maioria de nós ficou confusa. Afinal, quem pensa que a ilha, que tem cerca de 56 mil habitantes, pode mudar o cenário político mundial?

A resposta está na localização estratégica da ilha. No Ártico, a Groenlândia fica bem posicionada para controlar rotas marítimas que podem se tornar vitais à medida que o gelo derrete. Além disso, o território guarda reservas de minerais raros, como terras raras, que são essenciais para tecnologias verdes – baterias, turbinas eólicas e tudo mais.

## O que a UE está preparando?

Em Bruxelas, representantes dos 27 países se reuniram de emergência para discutir duas linhas de ação:

– **Tarifas de € 93 bi** sobre produtos americanos, que seriam aplicadas se os EUA realmente impusessem as tarifas de 10 % a 25 % que Trump ameaçou. Essa medida seria um golpe econômico direto, forçando Washington a recuar.
– **Instrumento anti‑coerção**, um mecanismo ainda pouco usado que permite bloquear o acesso de empresas norte‑americanas ao mercado europeu. É como dizer: “não vamos ceder à chantagem”.

Essas ideias já estavam no papel desde o ano passado, mas foram suspensas até 6 de fevereiro. Agora, com a escalada das ameaças, voltaram à mesa.



## Como isso afeta a gente?

Pode parecer que uma disputa entre potências distantes não tem nada a ver com o bolso do brasileiro, mas há alguns impactos diretos:

– **Preços de produtos importados**: Se as tarifas forem aplicadas, itens como eletrônicos, veículos e até alimentos podem ficar mais caros nos EUA e, por consequência, nos mercados globais, inclusive o brasileiro.
– **Segurança energética**: O Ártico está se tornando uma nova fronteira para a exploração de recursos. Se a competição por esses recursos aumentar, os preços de energia podem oscilar.
– **Clima**: A presença militar e industrial no Ártico pode acelerar o derretimento do gelo, afetando padrões climáticos que já sentimos aqui no Brasil, como mudanças nas chuvas e nos ciclos de seca.

## O ponto de vista dos países europeus

Vários líderes deixaram claro que não vão se curvar a pressões econômicas. O presidente da França, Emmanuel Macron, classificou as ameaças de Trump como “inaceitáveis”. A Dinamarca, que tem soberania sobre a Groenlândia, prometeu reforçar a presença militar na ilha – algo que também conta com o apoio da OTAN.

A Noruega, Suécia, Finlândia, Holanda, Alemanha, Reino Unido e outros países assinaram um comunicado conjunto, reforçando a defesa do território dinamarquês. Até mesmo o primeiro‑ministro sueco, Ulf Kristersson, declarou: “Não nos deixaremos chantagear”.

## O que a OTAN tem a dizer?

A aliança atlântica, que inclui tanto a Europa quanto os EUA, está em um momento delicado. O secretário‑geral da OTAN, Mark Rutte, conversou com Trump sobre a situação no Ártico e garantiu que a cooperação continua, apesar das tensões.

Entretanto, a própria OTAN já tem exercícios militares regulares na região – dois previstos para 2026, em fevereiro e março, na costa da Noruega. Isso mostra que, mesmo com a retórica de guerra fria, há um esforço de coordenação entre os aliados.



## O que pode acontecer a seguir?

1. **Negociação em Davos** – O Fórum Econômico Mundial será um palco importante. Se a UE conseguir usar o peso das tarifas como barganha, pode forçar Trump a recuar ou, no mínimo, a abrir um canal de diálogo.
2. **Escalada ou desescalada** – Caso Trump aumente as tarifas para 25 %, a UE pode ativar o instrumento anti‑coerção. Isso poderia levar a uma guerra comercial mais ampla, afetando cadeias de suprimentos globais.
3. **Impacto no Ártico** – Um aumento da presença militar pode acelerar a exploração de recursos, mas também gerar mais protestos ambientais. Já vimos milhares de pessoas nas ruas de Copenhague e da própria Groenlândia contra a anexação.

## Como acompanhar e o que fazer?

– **Fique de olho nas notícias**: As decisões sobre tarifas costumam ser anunciadas em conferências de imprensa e nos comunicados da Comissão Europeia.
– **Considere o efeito nos preços**: Se você tem produtos importados dos EUA ou usa serviços que dependem de cadeias de suprimentos globais, acompanhe a variação de preços.
– **Apoie iniciativas climáticas**: A disputa pelo Ártico tem um lado ambiental. Incentivar políticas que protejam o gelo e reduzam a exploração pode ser uma forma de contribuir.

Em resumo, o que parece ser uma briga de titãs sobre uma ilha remota tem reflexos que chegam até a nossa mesa de jantar. Seja nas contas do supermercado, nas discussões sobre energia limpa ou no clima que sentimos nas próximas décadas, a disputa pela Groenlândia nos lembra que o mundo está cada vez mais interligado.

**E você, o que acha?** Se a UE realmente aplicar as tarifas, será que isso vai mudar a postura dos EUA? Ou será apenas mais um capítulo na história de disputas geopolíticas que, no fim, acabam impactando a gente aqui embaixo?