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Tarifaço de Trump: o que a decisão da Suprema Corte pode mudar no dólar e no Brasil

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Tarifaço de Trump: o que a decisão da Suprema Corte pode mudar no dólar e no Brasil

A Suprema Corte dos Estados Unidos tem um dia decisivo na agenda: nesta quarta‑feira (14) vai se posicionar sobre a legalidade do chamado “tarifaço” imposto por Donald Trump a diversos países. 



Para quem não acompanha de perto, o caso parece distante, mas o impacto pode ser sentindo aqui no Brasil, no bolso do investidor e até no preço da fruta que a gente compra no supermercado. 



## O que está em jogo?

A Constituição americana reserva ao Congresso a criação de impostos e tarifas. Trump, porém, alega que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) de 1977 lhe dá autoridade para agir unilateralmente em situações de emergência. Essa interpretação nunca foi testada em tarifas tão amplas – de 10 % a 50 % – e acabou gerando um impasse judicial.



## Se Trump vencer: o que muda?

– **Tarifas permanecem**: produtos como aço, alumínio e até alguns itens agrícolas brasileiros continuam com custos adicionais.
– **Dólar sobe**: tarifas elevam a inflação nos EUA, forçando o Federal Reserve a manter juros altos. Juros mais altos atraem capital estrangeiro, fortalecendo o dólar.
– **Investimento nos EUA fica mais atrativo**: investidores buscam a renda fixa americana, tirando recursos de mercados emergentes.
– **Brasil sente o efeito**: exportadores enfrentam preços menos competitivos; o real pode se desvalorizar frente ao dólar, encarecendo importações.

Esses pontos foram explicados por especialistas como Sérgio Brotto, da Dascam Corretora, que destacou que “tarifas geram inflação, que exige juros altos, que fortalecem o dólar”. Em termos práticos, isso significa mais dinheiro saindo do Brasil para comprar dólares, pressionando a taxa de câmbio.

## Se Trump perder: o que esperar?

– **Tarifas podem ser suspensas**: a cobrança seria considerada ilegal, embora o dinheiro já recolhido não seja devolvido automaticamente.
– **Dólar enfraquece**: sem a pressão inflacionária das tarifas, o Fed ganha espaço para cortar juros, tornando o dólar menos atraente.
– **Capital volta aos mercados emergentes**: investidores buscam risco maior, o que costuma beneficiar o Brasil, a Argentina e outros países da região.
– **Real pode se valorizar**: menos demanda por dólares pode levar a uma cotação mais favorável para a moeda brasileira.

Jackson Campos, especialista em comércio exterior, resumiu que “sem a pressão das tarifas, o Fed tem mais liberdade para baixar juros, o que diminui o apelo do dólar”. Para o exportador brasileiro, isso pode significar preços mais estáveis e margens melhores.

## Como isso afeta o cotidiano?

1. **Produtos importados** – Se o dólar subir, itens como eletrônicos, roupas e até medicamentos importados ficam mais caros.
2. **Investimentos** – Quem tem aplicação em dólares ou fundos americanos sente a variação de forma direta no retorno.
3. **Turismo** – Viagens aos EUA ficam mais caras quando o real está fraco.
4. **Exportação de commodities** – Produtores de soja, carne e café acompanham a cotação do dólar para definir preços no exterior.

## O que o Brasil pode fazer?

– **Diversificar mercados**: buscar compradores na Ásia ou na Europa diminui a dependência dos EUA.
– **Hedging cambial**: empresas podem usar contratos futuros para proteger-se da volatilidade do dólar.
– **Política fiscal prudente**: manter as contas públicas equilibradas ajuda a sustentar a confiança dos investidores estrangeiros.

## Cenário futuro e incertezas

Mesmo que a Suprema Corte declare as tarifas ilegais, o governo Trump já sinalizou que pode buscar outras bases legais – como segurança nacional ou alegações de práticas desleais – para impor novas barreiras. Ou seja, a decisão não elimina a incerteza, mas reduz a capacidade de ação unilateral do presidente.

Além disso, o volume envolvido é gigantesco: cerca de US$ 90 bilhões em tributos de importação já foram recolhidos, o que representa quase metade da receita tarifária dos EUA em 2025. Esse dinheiro pode ser objeto de disputas judiciais prolongadas, criando mais volatilidade nos mercados.

## O que eu, como leitor, devo ficar de olho?

– **Calendário do Fed**: a próxima reunião de política monetária (27‑28 jan) pode confirmar a direção dos juros.
– **Pronunciamento de Trump nas redes**: ele tem usado o Truth Social para avisar que uma derrota judicial poderia gerar “caos” e devolução de centenas de bilhões.
– **Movimentação cambial**: acompanhe a cotação do dólar em tempo real, especialmente se você tem dívidas ou receitas atreladas à moeda americana.
– **Notícias de comércio internacional**: mudanças nas tarifas podem vir acompanhadas de novos acordos ou sanções.

Em resumo, a decisão da Suprema Corte pode ser um divisor de águas não só para a política comercial dos EUA, mas para toda a cadeia de fluxos financeiros globais. Se o dólar se fortalece, o Brasil sente a pressão no câmbio e nos custos de importação. Se ele enfraquece, abre‑se espaço para investimentos e para a valorização do real. Seja qual for o resultado, o melhor caminho é ficar atento, diversificar riscos e, claro, não deixar de acompanhar as próximas movimentações nos tribunais americanos.

**Fique ligado**: o mundo está cada vez mais interconectado, e decisões tomadas em Washington podem mudar a forma como gastamos, investimos e até como negociamos nossos produtos no Brasil.

*Este artigo foi escrito de forma independente e tem objetivo de informar leitores sobre as possíveis repercussões econômicas da decisão da Suprema Corte dos EUA.*