Eu sempre acompanho de perto as notícias de comércio exterior, porque, convenhamos, o que acontece nos corredores de Washington pode acabar na nota fiscal do nosso supermercado. Recentemente, ouvi um papo interessante na Fox Business: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem um ‘plano B’ preparado caso a Suprema Corte derrube o chamado “tarifaço”. Em termos simples, se a justiça decidir contra ele, Trump pretende aplicar uma tarifa geral de 10% nas importações – e isso inclui o Brasil.
## Por que isso importa para a gente?
Primeiro, vale entender que as tarifas são como impostos que os países colocam sobre produtos vindos de fora. Quando o governo dos EUA aumenta essas taxas, os exportadores – sejam eles agricultores, fabricantes de máquinas ou até empresas de tecnologia – acabam repassando o custo extra para os compradores. No caso do Brasil, isso pode significar preços mais altos para soja, carne, minério de ferro e uma série de outros produtos que exportamos para o mercado americano.
Além do impacto direto nos preços, há um efeito cascata: se as empresas americanas sentem que os custos de importação subiram, podem reduzir a demanda pelos nossos produtos, afetando a produção interna e, consequentemente, o emprego em setores chave.
## O que é esse ‘tarifaço’ que está em julgamento?
Em 2025, Trump lançou um pacote de tarifas que atingiu mais de 180 países, incluindo o Brasil. A ideia, segundo a administração, era corrigir desequilíbrios comerciais que, na visão deles, deixavam os EUA em desvantagem. Mas a medida foi contestada na justiça porque foi baseada em uma lei de 1977 – a Seção 301 da Lei de Comércio – que originalmente servia para situações de emergência nacional, não para uma política comercial de longo prazo.
A Suprema Corte dos EUA recebeu o caso e deve decidir nas próximas semanas se o presidente tem ou não autoridade para impor essas tarifas sem a aprovação do Congresso. Se a Corte decidir contra Trump, ele tem o ‘plano B’ que mencionei: usar outras bases legais, como a Seção 301, a Seção 232 (segurança nacional) ou a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite sobretaxas de até 15% por até 150 dias.
## Como funciona a Seção 122?
– **Objetivo:** Corrigir desequilíbrios comerciais de forma temporária.
– **Limite:** Até 15% de sobretaxa.
– **Prazo:** Máximo de 150 dias.
– **Uso típico:** Responder a práticas comerciais desleais ou a situações de emergência.
Se Trump optar por essa via, a tarifa de 10% poderia ser aplicada de forma quase imediata, sem precisar aguardar uma decisão judicial. Isso dá ao governo americano um “botão de emergência” para manter a pressão sobre parceiros comerciais.
## O que o Brasil pode fazer?
1. **Diálogo diplomático:** O Ministério das Relações Exteriores costuma buscar acordos bilaterais para reduzir ou eliminar tarifas. Uma negociação direta pode suavizar o impacto.
2. **Diversificação de mercados:** Reduzir a dependência do mercado americano, buscando mais exportações para a Ásia, Europa ou África.
3. **Apoio interno:** O governo brasileiro pode oferecer linhas de crédito ou incentivos para os setores mais vulneráveis, ajudando a absorver o choque de preços.
4. **Monitoramento de preços:** Consumidores e empresas devem ficar atentos aos aumentos nas cadeias de suprimentos para ajustar contratos e orçamentos.
## E os consumidores? O que muda no nosso dia a dia?
Se a tarifa de 10% entrar em vigor, alguns produtos que chegam ao Brasil por via marítima podem ficar mais caros. Pense em itens como:
– **Produtos eletrônicos:** Smartphones, laptops e componentes de TI.
– **Bens de capital:** Máquinas agrícolas e equipamentos industriais.
– **Alimentos processados:** Ingredientes importados usados na indústria alimentícia.
Para o consumidor final, o efeito pode ser sutil no começo, mas ao longo de alguns meses os preços nas prateleiras podem subir alguns centavos a poucos reais, dependendo da margem de lucro das empresas.
## Qual a probabilidade de a Corte manter o ‘tarifaço’?
A Suprema Corte tem maioria conservadora (6 a 3), o que pode favorecer uma decisão mais alinhada ao executivo. Contudo, alguns juízes conservadores já mostraram dúvidas sobre o alcance do poder presidencial em questões comerciais. O caso ainda tem muita incerteza, e a própria administração de Trump parece estar preparada para ambos os cenários – com ou sem o apoio da Corte.
## Olhando para o futuro
Independentemente do resultado, esse episódio mostra como as disputas comerciais podem ser rápidas e intensas. O mundo está cada vez mais interligado, e decisões tomadas em Washington podem repercutir em São Paulo, no Rio Grande do Sul ou em qualquer canto do Brasil. Para quem tem um negócio que depende de importação ou exportação, estar por dentro dessas discussões já é parte da estratégia de sobrevivência.
Se a tarifa de 10% for implementada, podemos esperar:
– **Ajustes de preços:** Empresas repassam parte do custo para consumidores.
– **Reavaliação de cadeias de suprimentos:** Busca por fornecedores alternativos.
– **Pressão sobre o governo brasileiro:** Para que tome medidas de apoio setorial.
Em resumo, o ‘plano B’ de Trump é um lembrete de que a política comercial dos EUA tem um alcance global. Ficar atento, planejar e, se possível, diversificar são as melhores formas de se proteger de choques inesperados.
E você, já percebeu algum aumento de preço que possa estar ligado a essas tarifas? Compartilhe sua experiência nos comentários – a troca de informações ajuda a todos a entender melhor o que está acontecendo.
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*Este artigo foi escrito de forma independente e tem como objetivo informar e contextualizar o leitor sobre as possíveis consequências das decisões comerciais dos EUA para o Brasil.*



