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Tarifa de 10%: O plano B de Trump e o que isso pode significar para o Brasil

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Tarifa de 10%: O plano B de Trump e o que isso pode significar para o Brasil

Na última sexta‑feira, Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, revelou que o presidente dos Estados Unidos tem um “plano B” caso a Suprema Corte derrube o tão falado “tarifaço”. A proposta? Uma tarifa geral de 10% sobre importações de mais de 180 países, entre eles o Brasil.



Para quem não acompanha o assunto de perto, pode parecer só mais um detalhe de política externa. Mas, na prática, esse movimento tem o potencial de mexer com o preço dos produtos que chegam aqui, impactar cadeias de produção e, até, mudar a forma como empresas brasileiras negociam com parceiros estrangeiros.

Por que a Suprema Corte está no centro da discussão?

A decisão que está pendente na Corte tem a ver com a legalidade das tarifas impostas por Trump em 2025. O argumento dos críticos é que o presidente usou uma lei de 1977 – pensada para emergências nacionais – para aplicar tarifas que, na verdade, são uma estratégia comercial. Se os juízes decidirem que isso ultrapassa a competência presidencial, o “tarifaço” pode ser anulado.

Hassett, porém, parece confiante. “A análise jurídica nos favorece”, disse ele à Fox Business, mas admitiu que o plano B está pronto para entrar em ação imediatamente, caso a Corte não dê o aval.



Como funciona o plano B?

O plano B não é um improviso. Ele se baseia em dispositivos já existentes na lei de comércio dos EUA:

  • Seção 301: permite sobretaxas quando há práticas comerciais desleais.
  • Seção 232: autoriza tarifas por motivos de segurança nacional.
  • Seção 122 da Lei de Comércio de 1974: dá ao presidente o poder de impor sobretaxas de até 15% por até 150 dias para corrigir desequilíbrios comerciais.

Essas ferramentas dão ao governo americano um “cinto de utilidades” para aplicar a tarifa de 10% de forma rápida e legal, mesmo que a decisão da Suprema Corte seja desfavorável.

E o que isso significa para o Brasil?

O Brasil já sente o peso das tarifas americanas em setores como agricultura, siderurgia e tecnologia. Uma tarifa adicional de 10% pode tornar nossos produtos menos competitivos nos EUA, o que, por sua vez, pode reduzir exportações e afetar a balança comercial.

Além do impacto direto nos preços, há efeitos colaterais que vale a pena observar:

  • Encadeamento de custos: empresas que dependem de insumos americanos podem ver seus custos subir, repassando parte desse aumento para o consumidor final.
  • Reação de outros mercados: parceiros comerciais que não são alvo das tarifas podem ganhar espaço, mas também podem adotar medidas de retaliação contra produtos americanos.
  • Pressão sobre políticas internas: o governo brasileiro pode precisar renegociar acordos ou buscar alternativas de diversificação de mercado.

Na prática, o que muda no nosso dia a dia? Se você compra eletrônicos, roupas ou alimentos importados, pode notar um aumento de preço nas lojas. Para quem tem negócios que exportam para os EUA, a margem de lucro pode ficar mais apertada.



Qual é a probabilidade de a Corte manter o tarifaço?

Não há como prever com certeza, mas alguns indicadores ajudam a montar um panorama:

  • A Suprema Corte tem maioria conservadora (6 a 3), o que pode favorecer uma interpretação mais flexível do poder executivo.
  • Durante as sustentações orais, juízes mostraram dúvidas sobre a aplicação da lei de 1977, mas também ouviram argumentos fortes sobre a necessidade de proteger a indústria nacional.
  • O caso está sendo acompanhado de perto por empresas e estados americanos – 12 estados, em sua maioria democratas, já entraram com ações contra as tarifas.

Se a decisão for a favor de Trump, o plano B pode nunca ser acionado. Se for contra, preparem‑se: o governo já tem o roteiro pronto.

O que podemos fazer enquanto isso?

Como cidadãos e empresários, temos algumas opções para nos preparar:

  1. Ficar atento às notícias: a decisão da Suprema Corte deve ser divulgada na próxima semana. Uma mudança repentina pode acontecer.
  2. Reavaliar cadeias de suprimento: se você depende de insumos americanos, vale a pena buscar fornecedores alternativos ou renegociar contratos.
  3. Planejar o preço final: empresas podem precisar ajustar margens ou repassar parte dos custos ao consumidor de forma transparente.
  4. Participar do debate: associações de classe e sindicatos costumam organizar sessões de informação e lobby. Sua voz pode influenciar políticas futuras.

Em resumo, o plano B de Trump é um lembrete de que a política comercial dos EUA pode mudar rapidamente, e que estar preparado é a melhor estratégia.

Olhar para o futuro

Mesmo que a tarifa de 10% seja aplicada, é provável que ela tenha prazo limitado – a Seção 122 permite até 150 dias. Isso significa que, após esse período, o governo pode reavaliar a medida, ajustá‑la ou até mesmo suspender.

Além disso, o cenário global está em constante mutação. A China, a União Europeia e outros blocos econômicos também estão revisando suas políticas comerciais, o que pode abrir novas oportunidades para o Brasil diversificar mercados.

Para nós, que acompanhamos de perto a economia internacional, o importante é transformar a incerteza em ação: entender os mecanismos, adaptar estratégias e, principalmente, manter o olho nas decisões judiciais que, muitas vezes, moldam o futuro do comércio mundial.