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Simulador do INSS de volta: como usar sem erro e garantir a aposentadoria que você merece

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Simulador do INSS de volta: como usar sem erro e garantir a aposentadoria que você merece

Depois de uma semana em que os canais de atendimento do INSS ficaram fora do ar e os atendimentos presenciais foram suspensos, a boa notícia chegou: o simulador de aposentadoria está novamente disponível no site e no aplicativo, a partir desta quarta‑feira (4).\n\nSe você está a poucos anos da aposentadoria ou quer entender quanto falta para alcançar a idade mínima, essa ferramenta pode ser um grande aliado. Mas, como todo recurso digital, ela tem limitações. Vou explicar como usar o simulador, quais armadilhas evitar e como garantir que o cálculo reflita a realidade do seu histórico de contribuições.\n\n—\n\n



\n\n—\n\n## Por que o simulador voltou e o que ele faz?\n\nO simulador do INSS realiza sete tipos de cálculos diferentes, comparando as regras da Previdência para mostrar quanto falta para atingir a idade mínima ou completar o número de contribuições exigidas. Se você está a até cinco anos de se aposentar, ele ainda fornece uma previsão do valor do benefício.\n\nEssas projeções são úteis para quem quer planejar a transição do trabalho para a aposentadoria, ajustar a renda ou até mesmo decidir se vale a pena continuar contribuindo como autônomo. Mas, atenção: o resultado depende totalmente das informações que o sistema extrai do CNIS – o Cadastro Nacional de Informações Sociais.\n\n—\n\n



\n\n—\n\n## Os principais problemas que podem atrapalhar o cálculo\n\n### 1. Dados desatualizados ou incompletos no CNIS\n\nMuitos segurados descobrem, ao usar o simulador, que o tempo de contribuição aparece menor do que o esperado. Isso costuma acontecer porque:\n\n- **Vínculos sem data de saída**: a empresa não registrou a data de desligamento, fazendo o sistema ignorar aquele período.\n- **Empresas que não recolheram o INSS**: se a empresa não fez os repasses, o vínculo não aparece no CNIS, mesmo que esteja na sua carteira de trabalho.\n- **Contribuições antes de 1976**: o CNIS só tem registro a partir desse ano; períodos anteriores podem ficar de fora.\n\n### 2. Salários incorretos ou não atualizados\n\nO simulador usa os salários informados para calcular o benefício. Se houver erro nos valores, o resultado será distorcido. Felizmente, o próprio simulador permite editar manualmente as datas e os salários (basta clicar no lápis ao lado do vínculo).\n\n### 3. Aposentadoria especial não considerada\n\nProfessores, pessoas com deficiência (PCD) e trabalhadores expostos a agentes nocivos têm regras diferenciadas. O simulador padrão **não** inclui essas modalidades, então o valor apresentado pode ser bem abaixo do que você teria direito.\n\n—\n\n



\n\n—\n\n## Como corrigir os dados no CNIS passo a passo\n\n1. **Acesse o portal Meu INSS** – Use seu CPF e senha ou o aplicativo.\n2. **Clique em ‘Extrato de Contribuição (CNIS)’** – Verifique cada vínculo listado.\n3. **Edite informações incorretas** – Ao lado de cada registro, há um ícone de lápis. Atualize data de saída, salários e inclua contribuições que estejam faltando.\n4. **Salve as alterações** – O sistema grava a mudança e o simulador passa a usar os novos dados.\n5. **Reexecute a simulação** – Veja se o tempo de contribuição e a estimativa de valor mudaram.\n\nSe algum vínculo realmente não existir (por exemplo, empresa que nunca pagou o INSS), será preciso comprovar a atividade com documentos como carteira de trabalho, termos de rescisão ou holerites. Quando for à agência ou enviar o pedido pela internet, anexe esses comprovantes; o analista pode corrigir o CNIS oficialmente.\n\n## Dicas práticas para evitar surpresas na hora de pedir a aposentadoria\n\n- **Reúna todos os documentos**: carteira de trabalho completa, contracheques, PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário) para quem tem aposentadoria especial, e comprovantes de contribuição autônoma.\n- **Cheque períodos antes de 1994**: salários anteriores a julho de 1994 não entram no cálculo do benefício, então não se preocupe em corrigir esses valores.\n- **Consulte um advogado especializado**: especialmente se você tem condição especial (professor, PCD, agente nocivo). Eles sabem quais documentos são exigidos e podem evitar que seu pedido seja indeferido.\n- **Faça a simulação mais de uma vez**: altere pequenos detalhes (como inclusão de contribuição como contribuinte individual) para ver como isso impacta o valor final.\n\n## O que mudou nas regras de 2026?\n\nA reforma da Previdência, que entrou em vigor em 2023, trouxe ajustes graduais que se completam em 2026. Entre as principais mudanças estão:\n\n- **Idade mínima**: 62 anos para mulheres e 65 para homens, com tempo de contribuição de 15 anos para ambos.\n- **Regra de transição**: quem já estava próximo da aposentadoria em 2023 pode se beneficiar de pontos (soma de idade + tempo de contribuição) que diminuem gradualmente até 2026.\n- **Aposentadoria especial**: a contagem de tempo pode ser reduzida para 25, 20 ou 15 anos, dependendo do grau de risco da atividade.\n\nEssas mudanças afetam diretamente o simulador, que já incorpora as novas tabelas. Por isso, manter o CNIS atualizado é ainda mais crucial para não perder tempo nem dinheiro.\n\n## Conclusão: usar a tecnologia a seu favor, mas não esquecer o toque humano\n\nO simulador do INSS é uma ferramenta poderosa – ele dá uma visão rápida do que ainda falta para a aposentadoria e até projeta o valor do benefício. Porém, ele não substitui a conferência detalhada dos seus registros e a preparação da documentação necessária.\n\nA minha dica final? **Combine o uso do simulador com uma revisão manual** do CNIS e, se possível, converse com um especialista em direito previdenciário. Assim, você evita surpresas desagradáveis, garante que todos os períodos sejam contabilizados e, principalmente, chega à aposentadoria com tranquilidade e o valor que realmente merece.\n\nSe você ainda não atualizou seu cadastro, aproveite agora mesmo. A aposentadoria pode parecer distante, mas quanto antes você organizar tudo, mais fácil será transformar esse direito em realidade.