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Simulador do INSS de volta: como usar sem errar no cálculo da sua aposentadoria

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Simulador do INSS de volta: como usar sem errar no cálculo da sua aposentadoria

Depois de uma semana de instabilidade nos canais de atendimento do INSS, o simulador de aposentadoria voltou a funcionar normalmente. Se você está a poucos anos de se aposentar, ou apenas quer entender quanto tempo ainda falta para alcançar o benefício, essa ferramenta pode ser um grande aliado. Mas, como tudo na vida, ela tem suas pegadinhas. Neste post eu conto tudo que você precisa saber para usar o simulador sem cometer erros.



O que o simulador faz e como ele funciona

O simulador, disponível tanto no site quanto no aplicativo do INSS, realiza sete tipos de cálculos diferentes. Ele compara as regras de aposentadoria vigentes – idade mínima, tempo de contribuição, regras de transição – e indica quanto falta para você cumprir cada requisito. Se você está a até cinco anos da aposentadoria, ainda recebe uma estimativa do valor do benefício.

Essas estimativas são úteis porque dão uma ideia do que esperar no futuro, permitindo planejar melhor o orçamento, decidir se vale a pena complementar a renda ou até mesmo analisar a possibilidade de se aposentar mais cedo.



Por que o simulador pode te dar um número errado?

O grande vilão aqui é o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS). O simulador puxa os dados diretamente desse banco: vínculos de trabalho, salários, contribuições. Se algum desses registros estiver desatualizado ou incompleto, o cálculo sai errado.

  • Vínculos sem data de saída: quando a data de desligamento da empresa não aparece, o sistema pode considerar que o vínculo ainda está ativo, reduzindo o tempo de contribuição efetivo.
  • Empresas que não recolheram o INSS: se a empresa nunca fez o recolhimento, o período não aparece no CNIS, mesmo que você tenha a anotação na carteira de trabalho.
  • Salários incorretos: valores de remuneração errados podem mudar o cálculo do benefício, que leva em conta a média salarial dos últimos salários de contribuição.

Além disso, o simulador não contempla regras especiais, como aposentadoria de professores, pessoas com deficiência (PCD) ou trabalhadores expostos a agentes nocivos. Para esses casos, a ferramenta simplesmente não oferece a simulação.



Como corrigir os dados no CNIS antes de usar o simulador

Antes de confiar no número que o simulador apresenta, siga estes passos para garantir que seu CNIS está correto:

  1. Abra o site ou app do INSS e vá até a opção “Consultar CNIS”.
  2. Verifique cada vínculo listado. Se houver algum sem data de saída, clique no ícone de lápis e preencha a data correta.
  3. Cheque os salários de cada período. Caso estejam errados, ajuste-os da mesma forma.
  4. Inclua vínculos que estejam faltando. Se você trabalhou antes de 1976 ou teve contratos temporários que não apareceram, adicione manualmente as informações.
  5. Salve as alterações e aguarde a atualização do sistema (geralmente alguns minutos).

Essas correções são simples, mas fundamentais. Quando o cadastro estiver limpo, o simulador passará a refletir de forma mais fiel a sua realidade.

Documentos que você vai precisar ao solicitar a aposentadoria

Mesmo que o simulador dê um número aproximado, ao entrar com o pedido o INSS exigirá comprovação documental. Tenha em mãos:

  • Carteira de Trabalho (todas as páginas, inclusive as de anotações de salário e rescisões).
  • Termos de rescisão de contrato.
  • Extratos de contribuição (se for contribuinte individual ou autônomo).
  • PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário) para quem tem aposentadoria especial.
  • Laudos médicos e documentos que comprovem deficiência, se for o caso.

Levar esses documentos ao requerimento permite que o servidor corrija eventuais falhas no CNIS e evite que seu pedido seja indeferido por falta de informação.

Aposentadoria especial: quando o simulador não ajuda

Professores, trabalhadores da saúde, motoristas de ônibus, entre outros, podem se aposentar com regras diferenciadas. Por exemplo, o professor pode se aposentar com 25 anos de contribuição, independentemente da idade.

O simulador oficial do INSS não oferece cálculo para essas modalidades porque elas exigem comprovações específicas (como o PPP). Por isso, se você se enquadra em alguma dessas categorias, procure um advogado especializado em direito previdenciário ou vá direto ao posto do INSS com a documentação necessária.

Próximas mudanças na aposentadoria em 2026

O governo já sinalizou que haverá ajustes nas regras a partir de 2026, principalmente no que diz respeito à idade mínima e ao tempo de contribuição. Embora ainda não haja detalhes definitivos, vale ficar de olho nas discussões no Congresso e nos comunicados do Ministério da Previdência.

Enquanto isso, manter seu CNIS atualizado e usar o simulador como ferramenta de planejamento – e não como decisão final – continua sendo a melhor estratégia.

Dicas práticas para quem está perto da aposentadoria

  • Revisite seu CNIS a cada 6 meses: mudanças de emprego ou ajustes de salário podem não aparecer imediatamente.
  • Faça simulações com diferentes cenários: teste a aposentadoria por tempo de contribuição, por idade e, se for o caso, a aposentadoria especial.
  • Considere complementar a renda: investimentos de baixo risco podem ajudar a compensar eventuais diferenças no benefício.
  • Procure orientação jurídica se houver dúvidas sobre regras especiais ou se seu CNIS apresentar inconsistências recorrentes.

Em resumo, o simulador do INSS voltou e pode ser um aliado valioso, desde que você saiba que ele depende de dados corretos e que nem todas as situações são contempladas. Atualize seu CNIS, reúna a documentação necessária e, se precisar, conte com a ajuda de um especialista. Assim, você chega ao momento da aposentadoria com mais tranquilidade e segurança.