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Simulador do INSS de volta: como usar sem cair em erros e garantir a aposentadoria tranquila

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Simulador do INSS de volta: como usar sem cair em erros e garantir a aposentadoria tranquila

Depois de uma semana em que os canais de atendimento do INSS ficaram fora do ar e os atendimentos presenciais foram suspensos, finalmente a coisa voltou ao normal. Entre os serviços que reapareceram está o simulador de aposentadoria, disponível no site e no aplicativo a partir desta quarta‑feira (4). Se você está a poucos anos da aposentadoria, ou apenas quer entender quanto tempo ainda falta, essa ferramenta pode ser um grande aliado – mas, como tudo na vida, tem suas armadilhas.



O simulador faz sete tipos de cálculo diferentes, comparando as regras vigentes da Previdência e indicando se você ainda precisa alcançar a idade mínima ou completar o número de contribuições exigidas. Para quem está a até cinco anos da aposentadoria, ele ainda oferece uma previsão do valor do benefício. Parece perfeito, não é? Na prática, porém, o resultado pode ficar longe da realidade se alguns detalhes importantes não forem conferidos.

Um dos pontos críticos é a qualidade das informações que o simulador puxa do CNIS – o Cadastro Nacional de Informações Sociais. Esse banco de dados reúne vínculos de trabalho, salários e contribuições ao longo da vida do segurado. Quando há algum dado desatualizado ou ausente, o cálculo sai errado. Por exemplo, se a data de saída de um emprego não foi registrada, o tempo de contribuição pode aparecer menor, reduzindo o valor projetado.

Para corrigir isso, o próprio simulador permite que você ajuste manualmente as datas e salários. Basta clicar no ícone de lápis ao lado do vínculo que está incorreto, inserir a data correta e salvar. Essa correção já melhora bastante a precisão da simulação, mas lembre‑se: ao solicitar a aposentadoria, será preciso comprovar essas alterações com documentos como a carteira de trabalho, termos de rescisão e holerites.

Outro problema comum é quando a empresa onde você trabalhou não recolheu o INSS corretamente. Nesses casos, o vínculo aparece na carteira, mas não tem registro no CNIS, e o simulador simplesmente ignora esse período. Se você tem, por exemplo, dez anos de contribuição que não foram contabilizados, o benefício projetado pode ficar muito abaixo do que realmente lhe cabe.



Nesses casos, a solução passa por reunir toda a documentação que comprove o vínculo e o período trabalhado. Ao apresentar a carteira de trabalho completa no pedido de aposentadoria, o servidor responsável pode corrigir o cadastro no CNIS, inserindo os anos que faltavam. Vale também conversar com o RH da empresa ou até mesmo buscar orientação de um advogado especializado em direito previdenciário para garantir que tudo seja registrado.

Além das regras gerais de tempo de contribuição e idade mínima, o INSS tem modalidades especiais que não são contempladas pelo simulador padrão. Professores, pessoas com deficiência (PCD) e trabalhadores expostos a agentes nocivos à saúde têm requisitos diferenciados e podem se aposentar mais cedo ou com cálculo de benefício distinto. Como o simulador não considera essas particularidades, quem se enquadra nessas categorias deve pesquisar as exigências específicas e, se necessário, contar com auxílio jurídico.

Para quem tem dúvidas sobre qual modalidade se aplica, a primeira medida é reunir documentos que comprovem a condição especial: declaração de pessoa com deficiência, PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário) para agentes nocivos, ou comprovação de tempo de efetivo exercício na educação para professores. Depois, consulte o site do INSS ou procure um advogado para entender quais são os requisitos de tempo de contribuição e idade, que costumam ser menores que os das regras gerais.



Um detalhe que costuma gerar confusão é a questão dos salários de antes de julho de 1994. O INSS não utiliza esses valores no cálculo do benefício, então, se houver erros nesses períodos, não há necessidade de corrigi‑los no simulador. Já para quem trabalhou antes de 1976 – data de início do CNIS – pode acontecer de alguns vínculos não aparecerem. Nesses casos, a inclusão manual de informações pode ser feita, mas é preciso ter documentos que comprovem o período, como notas fiscais de autônomos ou contratos de prestação de serviço.

Em resumo, o simulador do INSS voltou e pode ser uma ferramenta muito útil, desde que você:

  • Verifique e atualize todas as informações do CNIS (datas de saída, salários, vínculos faltantes);
  • Tenha em mãos a documentação que comprove eventuais períodos não registrados;
  • Considere se você se enquadra em alguma aposentadoria especial e procure as regras específicas;
  • Se necessário, busque orientação de um advogado especializado para evitar surpresas na hora de solicitar o benefício.

O futuro da previdência ainda traz mudanças, com a reforma de 2026 prometendo ajustes nas regras de idade e tempo de contribuição. Por isso, manter o cadastro em dia e entender bem as particularidades do seu caso são atitudes que evitam dor de cabeça e garantem que você receba o que tem direito, no momento certo.

E então, já conferiu seu CNIS hoje? Uma simples revisão pode fazer a diferença de milhares de reais no seu benefício. Boa sorte na caminhada rumo à aposentadoria!