Depois de alguns dias de instabilidade nos canais de atendimento do INSS, o simulador de aposentadoria finalmente voltou ao ar. Se você está a poucos anos de se aposentar ou ainda está no início da carreira e quer planejar o futuro, essa ferramenta pode ser um grande aliado – desde que você saiba como tirar o melhor proveito dela.
Por que o simulador é tão importante?
O simulador faz sete tipos diferentes de cálculos, cruzando as regras de idade mínima, tempo de contribuição e modalidades especiais (como aposentadoria de professor ou de pessoa com deficiência). Ele ainda oferece uma projeção do valor do benefício para quem está a até cinco anos da aposentadoria.
Mas, como todo programa que depende de dados externos, ele só é tão bom quanto as informações que recebe. O ponto de partida são os dados do seu CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais). Se esses registros estiverem desatualizados ou incompletos, o resultado pode ficar bem distante da realidade.
Os erros mais comuns no CNIS e como corrigi‑los
- Vínculos sem data de saída: muitas vezes a empresa não informa a data de desligamento, o que faz o simulador ignorar aquele período e reduzir o tempo de contribuição.
- Salários incorretos: valores de remuneração que não batem com a realidade podem inflar ou reduzir o cálculo do benefício.
- Contribuições não registradas: se a empresa deixou de recolher o INSS, o vínculo aparece na carteira, mas não no CNIS.
- Períodos antes de 1976: o CNIS só tem registro a partir desse ano; trabalhos anteriores podem precisar ser inseridos manualmente.
Para ajustar essas falhas, basta entrar no site ou aplicativo do INSS, localizar o seu cadastro e usar o ícone de lápis para editar datas, salários e incluir vínculos que estejam faltando. A advogada Janaína Braga recomenda que, antes de fazer qualquer simulação, você revise tudo com calma.
Se houver dúvidas sobre como preencher algum campo, a própria OAB‑SP disponibiliza tutoriais e a Comissão de Direito Previdenciário, liderada por Adriane Bramante, costuma responder a perguntas nos seus canais de atendimento.
Quando o simulador não serve: modalidades especiais
Professores, trabalhadores expostos a agentes nocivos (como químicos ou ruído excessivo) e pessoas com deficiência têm regras diferenciadas. O simulador padrão não contempla essas particularidades, porque o cálculo depende de documentos específicos, como o PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário) ou laudos médicos.
Se você se enquadra em alguma dessas categorias, o caminho é:
- Reunir toda a documentação (carteira de trabalho, termos de rescisão, holerites, PPP, laudos).
- Verificar a exigência de tempo de contribuição ou idade mínima para a sua modalidade.
- Consultar um advogado especializado em direito previdenciário para validar a estratégia.
Mesmo que o simulador não mostre o valor exato, ele ainda pode dar uma ideia geral de quanto falta para alcançar a aposentadoria, o que ajuda no planejamento financeiro.
Passo a passo para usar o simulador sem erros
- Acesse o site ou app do INSS: procure a opção “Simulador de Aposentadoria”.
- Verifique seu CNIS: clique em “Consultar CNIS” e confira cada vínculo, salário e data.
- Corrija informações: use o ícone de lápis para ajustar datas de saída, inserir salários corretos ou acrescentar períodos que estejam faltando.
- Selecione a modalidade: escolha entre aposentadoria por idade, por tempo de contribuição ou a que melhor se aplica ao seu caso.
- Execute a simulação: o sistema mostrará o tempo que ainda falta e, se estiver dentro do prazo de 5 anos, uma projeção de valor.
- Guarde o resultado: faça captura de tela ou anote os números. Eles serão úteis na hora de reunir a documentação para o pedido.
- Prepare a documentação: carteira de trabalho completa, comprovantes de contribuição, PPP (se for especial) e laudos médicos.
- Solicite a aposentadoria: pode ser feita totalmente online, via Meu INSS, ou presencialmente, levando todos os documentos.
Seguindo esses passos, você reduz bastante a chance de ter o pedido devolvido por falta de informações.
O que muda nas regras de 2026?
Embora a reforma da Previdência de 2019 tenha sido a grande mudança, o governo anunciou ajustes que entrarão em vigor a partir de 2026. Entre as novidades estão:
- Revisão dos critérios de aposentadoria especial, com novos prazos de exposição a agentes nocivos.
- Aumento gradual da idade mínima para mulheres, que deve alcançar 62 anos em 2026.
- Possibilidade de aposentadoria por pontos (soma de idade + tempo de contribuição) com pontuação mínima ajustada para 100 pontos.
Essas mudanças podem impactar diretamente o resultado que o simulador apresenta. Por isso, ao usar a ferramenta, verifique se a opção “Regra de 2026” está selecionada, caso esteja planejando se aposentar a partir desse ano.
Conclusão: use a tecnologia, mas não dependa só dela
O simulador do INSS é uma ótima forma de ter uma visão geral do seu caminho rumo à aposentadoria. Ele traz rapidez, permite comparar diferentes regras e ainda dá uma projeção de valor. Porém, ele não substitui a conferência detalhada do seu CNIS nem a preparação da documentação necessária.
Se você tem dúvidas, não hesite em procurar um especialista. Um advogado previdenciário pode identificar situações que passam despercebidas no simulador – como períodos de trabalho informal, contribuições como autônomo ou direitos especiais que você ainda não conhece.
Em resumo: atualize seu cadastro, faça a simulação, anote os resultados e, em seguida, reúna toda a papelada. Assim, quando chegar a hora de solicitar o benefício, o processo será mais rápido, menos burocrático e, principalmente, mais seguro para o seu bolso.



