Na noite de terça‑feira (13), o grupo de lojas de luxo Saks Global entrou com um pedido de falência nos Estados Unidos. É um dos maiores colapsos do varejo desde a pandemia, segundo a Reuters, e tem gerado muita conversa entre quem acompanha o mercado de moda e quem simplesmente gosta de saber onde comprar aquele casaco caro.
Um pouco de história
A Saks tem origem bem antiga. A primeira Saks Fifth Avenue abriu suas portas em 1867, em Nova York, fundada por Andrew Saks. Desde então, a marca ficou conhecida por atrair celebridades – de Gary Cooper a Grace Kelly – e por fazer dos seus vitrines um espetáculo, principalmente nas festas de Natal.
Nos últimos anos, a empresa tentou se reinventar. Em 2024, a Saks Global foi criada, reunindo três nomes icônicos: Saks Fifth Avenue, Bergdorf Goodman e Neiman Marcus. A ideia era formar um conglomerado que ganhasse escala e eficiência num mercado cada vez mais competitivo.
Por que chegou a falência?
O plano de reunir as três redes parecia promissor, mas trouxe um problema clássico: dívida. A compra da Neiman Marcus foi financiada quase que totalmente por empréstimos. Quando o mercado global de luxo começou a desacelerar, a Saks Global viu seu fluxo de caixa apertar. Em dezembro, deixou de pagar mais de US$ 100 milhões em juros.
Além disso, a pandemia mudou o comportamento do consumidor. As lojas físicas perderam parte do seu público para o comércio eletrônico, e muitas marcas de luxo passaram a vender direto nos seus próprios sites, diminuindo a dependência de revendedores como a Saks.
O que acontece agora?
Mesmo com o pedido de falência, a empresa garantiu que as lojas permaneceriam abertas por enquanto, graças a um financiamento de US$ 1,75 bilhão. O novo CEO, Geoffroy van Raemdonck – ex‑CEO da Neiman Marcus – assumiu a liderança, acompanhado por executivos experientes da mesma rede.
O objetivo do processo de falência nos EUA (Chapter 11) é dar tempo para a reestruturação. A Saks pode renegociar suas dívidas, vender ativos ou até encontrar um novo controlador. Se nada disso acontecer, o risco é o fechamento de lojas, o que deixaria um vazio no cenário de luxo americano.
Impactos para quem compra luxo
- Disponibilidade de produtos: enquanto a empresa não fechar, os consumidores ainda podem encontrar as marcas tradicionais – Chanel, Burberry, Cucinelli – nas lojas físicas e online.
- Preços e promoções: em situações de reestruturação, é comum ver descontos para liquidar estoque. Quem acompanha as vitrines pode achar oportunidades inesperadas.
- Experiência de compra: a Saks sempre apostou no atendimento personalizado. Se a reestruturação for bem‑sucedida, talvez vejamos ainda mais foco nesse diferencial para se diferenciar do e‑commerce.
O que isso diz sobre o futuro do varejo de luxo?
O caso Saks Global é um sinal de que até as marcas mais estabelecidas precisam se adaptar rapidamente. O luxo não é mais apenas sobre exclusividade; é também sobre conveniência digital, sustentabilidade e experiência omnichannel.
Alguns analistas acreditam que veremos mais fusões e aquisições no setor, com grandes grupos tentando criar sinergias para reduzir custos. Outros apontam que o futuro pode ser mais fragmentado, com marcas menores e nichos ganhando espaço ao oferecer produtos altamente personalizados.
Como ficar de olho nas próximas movimentações?
Para quem acompanha o mercado ou simplesmente gosta de saber onde comprar o próximo par de sapatos de grife, vale observar:
- Os comunicados oficiais da Saks e dos credores – eles costumam divulgar prazos e planos de reestruturação.
- As estratégias de concorrentes como Nordstrom, Bloomingdale’s e lojas online de luxo.
- As tendências de consumo pós‑pandemia – especialmente a preferência por compras online combinadas com serviços de entrega rápida.
Em resumo, a falência da Saks Global não é só um capítulo triste na história de um ícone americano; é também um alerta de que o varejo de luxo está em plena transformação. Se você ainda tem aquele desejo de entrar numa loja que parece ter saído de um filme antigo, talvez seja a hora de aproveitar as oportunidades que surgem nesse momento de mudança.



