Radar Fiscal

Revisão do FGC: O que a fala do diretor do Banco Central significa para o seu dinheiro

Compartilhe esse artigo:

WhatsApp
Facebook
Threads
X
Telegram
LinkedIn
Revisão do FGC: O que a fala do diretor do Banco Central significa para o seu dinheiro

Na última segunda‑feira, Gilneu Vivan, diretor de Regulação e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, soltou a notícia de que o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) pode ter suas regras revistas ainda este ano ou, no máximo, no início de 2027. A declaração veio em um evento da ABBC, em São Paulo, e já está gerando muita conversa nos corredores dos bancos, das corretoras e, claro, nas mesas de café dos correntistas.



Mas por que isso importa para quem tem conta no banco? Para entender, vamos dar um passo atrás e lembrar o que aconteceu com o Banco Master e o Will Bank – duas instituições que foram liquidadas extrajudicialmente nos últimos meses, com o FGC pagando mais de R$ 40 bilhões em garantias.



O que foi a liquidação extrajudicial?

Quando um banco não tem condições de honrar seus compromissos, o Banco Central pode decretar a sua liquidação. Um liquidante assume o controle, vende ativos, paga credores na ordem prevista em lei e, ao final, a instituição deixa de existir no sistema financeiro. No caso do Master, o BC apontou falta de recursos, descumprimento de normas e agravamento da situação financeira. Já o Will Bank acabou na mesma situação, em parte por laços de interesse com o Master.

Impacto direto nos correntistas

O Master tinha cerca de 1 milhão de correntistas; o Will, quase 7 milhões. Para esses clientes, a garantia do FGC – que cobre até R$ 250 mil por pessoa, por instituição – foi fundamental para evitar perdas totais. Porém, o volume de pagamentos exigiu uma mobilização sem precedentes e trouxe à tona questões que o BC ainda quer aprimorar.

Por que revisar o FGC?

Gilneu Vivan explicou que a experiência com o Master mostrou duas coisas: a “magnitude do processo” e a necessidade de regras mais claras para evitar fraudes e melhorar a transparência nas tarifas. Ele citou três áreas que podem mudar:

  • Distribuição de títulos: novas normas para quem emite e negocia títulos de dívida, buscando reduzir riscos de concentração.
  • Prevenção de fraudes: procedimentos mais rígidos para identificar movimentações suspeitas antes que causem danos sistêmicos.
  • Tarifas: uma revisão que pode alterar como são cobrados custos de serviços bancários, impactando tanto bancos quanto consumidores.

Essas mudanças não são apenas burocráticas; elas podem influenciar diretamente o custo de um empréstimo, o rendimento de uma aplicação e até a forma como você recebe seu salário.



O que muda para o cidadão comum?

Se você tem dinheiro guardado em um banco que não seja o Master ou o Will, a boa notícia é que Vivan afirmou que não houve alterações nas captações de outras instituições de pequeno e médio porte. Ou seja, o risco de uma nova liquidação em massa ainda parece baixo.

Entretanto, a revisão do FGC pode trazer benefícios concretos:

  1. Maior segurança nas garantias: regras mais rígidas podem ampliar a confiança de quem deposita, reduzindo a chance de perdas.
  2. Transparência nas tarifas: se as tarifas forem revistas, pode haver redução de custos ocultos em serviços bancários, como manutenção de conta ou transferências.
  3. Facilidade na recuperação de crédito: processos mais ágeis de distribuição de títulos podem acelerar a devolução de valores em casos de falência.

Como se preparar?

Mesmo que as mudanças ainda estejam no horizonte, vale a pena adotar algumas práticas simples:

  • Confira se seus bancos estão dentro do limite de cobertura do FGC (R$ 250 mil por pessoa, por instituição). Se você tem mais de R$ 250 mil em um único banco, considere dividir o valor entre duas ou mais contas.
  • Fique de olho nas tarifas cobradas. Quando houver anúncio de revisão, os bancos costumam atualizar seus sites e enviar comunicados. Compare sempre com a concorrência.
  • Monitore notícias sobre o sistema financeiro. O BC costuma publicar relatórios trimestrais que trazem indicadores de saúde dos bancos.

O que esperar nos próximos meses?

Vivan não deu detalhes sobre o calendário, mas indicou que a revisão pode acontecer ainda este ano ou, no pior cenário, no início de 2027. Enquanto isso, o BC deve continuar a analisar o caso Master, buscando lições que evitem atrasos como os que ele mesmo reconheceu – “o processo até a decretação da liquidação demorou mais do que eu gostaria”.

Se a tendência for de mais rigor, podemos ver um cenário onde bancos menores precisem reforçar seus controles internos, o que pode elevar a qualidade dos serviços oferecidos ao consumidor.

Conclusão

Em resumo, a fala do diretor do Banco Central traz à tona a necessidade de modernizar o FGC e o conjunto de regras que sustentam a estabilidade do nosso sistema financeiro. Para o cidadão, isso pode significar mais segurança nos depósitos, tarifas mais claras e menos surpresas em caso de crises bancárias.

Fique atento, converse com seu gerente, reveja onde está seu dinheiro e, sobretudo, acompanhe as notícias. O futuro do FGC ainda está sendo escrito, e quem acompanha de perto tem mais chances de tirar proveito das mudanças.