Você já parou para pensar que pode ter dinheiro parado em alguma conta que você nem lembra? Parece cena de filme, mas o Banco Central acabou de divulgar que ainda existem mais de R$ 10 bilhões em recursos “esquecidos” nas instituições financeiras brasileiras. Se você faz parte dos quase 50 milhões de brasileiros que têm algum valor perdido, ou se conhece alguém que possa estar nessa situação, este texto é para você.
Quanto está em jogo?
De acordo com o balanço do BC, R$ 7,8 bilhões pertencem a 49,31 milhões de pessoas físicas. Já R$ 2,22 bilhões são de quase 5 milhões de empresas. Em outras palavras, são milhões de contas que nunca foram verificadas, saldos de consórcios, cheques devolvidos ou até valores de heranças que ficaram “no limbo”. Até agora, o BC já devolveu R$ 12,92 bilhões, mas ainda há um montante considerável que pode ser seu.
Como consultar se você tem dinheiro esquecido
O caminho é simples e totalmente gratuito: acesse o site valoresareceber.bcb.gov.br. Lá, você entra com seu CPF e senha da conta gov.br (nível prata ou ouro) e ainda passa por uma verificação em duas etapas, que inclui reconhecimento facial ou código enviado ao celular.
Se houver algum recurso associado ao seu CPF, o sistema exibirá o valor e a instituição onde ele está guardado. Para receber o dinheiro, você precisará informar uma chave PIX. Caso ainda não tenha uma, basta solicitar à sua agência bancária ou criar a chave direto no aplicativo do banco.
O que fazer se a conta for de pessoa falecida?
Os recursos de contas de pessoas falecidas também aparecem no sistema, mas a consulta só pode ser feita por herdeiros, inventariante, representante legal ou testamentário. Além de comprovar a relação, é preciso preencher um termo de responsabilidade, que garante que o valor será entregue ao legítimo sucessor.
Automatizando a devolução: a nova funcionalidade do BC
Desde maio de 2023, o Banco Central permite que você habilite uma solicitação automática de resgate. A adesão é opcional, mas pode poupar tempo. Quando ativada, a plataforma verifica periodicamente se há novos valores a receber e, se houver, envia a solicitação ao banco automaticamente. O crédito cai direto na sua conta PIX, sem que você precise abrir um ticket a cada novo achado.
Para usar esse recurso, você precisa:
- Ter uma conta gov.br nível prata ou ouro, com autenticação em duas etapas.
- Possuir chave PIX do tipo CPF (não vale número de telefone ou e‑mail).
- Autorizar a automatização no próprio portal do SVR.
Vale lembrar que bancos que ainda não aderiram ao termo de devolução via PIX continuarão exigindo a solicitação manual. Por isso, vale a pena conferir se a sua instituição está entre as que aceitam a automatização.
Segurança: fique atento a golpes
Infelizmente, a divulgação desses valores atrai golpistas. O governo nunca vai entrar em contato pedindo dados pessoais, senhas ou pagamento de taxa para liberar o dinheiro. Qualquer mensagem ou ligação que peça essas informações deve ser ignorada e denunciada.
Para garantir que você está no site oficial, verifique se o endereço começa com https://valoresareceber.bcb.gov.br. Além disso, nunca compartilhe seu código de acesso ou a foto da sua validação facial com terceiros.
Dicas práticas para não deixar dinheiro “esquecido” novamente
- Cheque seus extratos regularmente. Mesmo que você não use uma conta há tempos, faça login ao menos uma vez por semestre.
- Atualize suas chaves PIX. Se mudar de banco ou de número, registre a nova chave para evitar que o dinheiro seja devolvido a uma conta inativa.
- Converse com familiares sobre contas conjuntas. Em caso de falecimento, quem tem a documentação correta consegue resgatar o valor mais rápido.
- Use o serviço de consulta automática. Ele funciona como um “alerta de saldo” que você não precisa monitorar.
Conclusão: vale a pena investigar?
Se você tem dúvidas sobre contas antigas, investimentos que não foram movimentados ou até mesmo um consórcio que nunca foi finalizado, a consulta ao SVR pode revelar um dinheiro inesperado que pode ser usado para pagar dívidas, fazer uma viagem ou simplesmente melhorar o orçamento doméstico. O processo é simples, seguro e, sobretudo, gratuito.
Não deixe para depois – o prazo oficial de 16 de outubro de 2024 já passou, mas o Ministério da Fazenda confirmou que não há limite para o resgate. Portanto, abra o site, insira seu CPF e descubra se tem algum centavo esperando por você. Afinal, quem não gosta de encontrar dinheiro “esquecido” no próprio bolso?



