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Quem será o próximo presidente do Fed? Entenda o que está em jogo e como isso pode afetar o seu bolso

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Quem será o próximo presidente do Fed? Entenda o que está em jogo e como isso pode afetar o seu bolso

Na última terça‑feira (16), o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, deu uma pista que tem deixado economistas, investidores e até quem não entende muito de finanças de olho nas manchetes: o presidente Donald Trump deve anunciar o novo chefe do Federal Reserve (Fed) já no início de janeiro.

Por que essa escolha importa tanto?

O Fed não é só o banco central americano; ele dita a política monetária de uma das maiores economias do planeta. Quando o Fed decide subir ou baixar a taxa de juros, isso reverbera em todo o mercado global – afeta o preço do crédito, o valor do dólar, as bolsas de valores e, em última análise, o custo de vida de quem está do outro lado do Atlântico.

O mandatário atual, Jerome Powell, tem seu mandato até maio de 2025, mas a tradição nos EUA costuma antecipar a sucessão de presidentes de bancos centrais para garantir estabilidade política e de mercado. Por isso, a expectativa de que Trump vá anunciar o próximo presidente já no início do ano tem gerado bastante burburinho.

Quem são os nomes em alta?

Segundo Bessent, dois nomes se destacam como “muito qualificados”: Kevin Warsh e Kevin Hassett. Ambos têm laços estreitos com a Casa Branca e com a visão de Trump de que a política monetária deve ser mais agressiva na redução de juros.

  • Kevin Warsh – ex‑governador do Fed, participou da crise de 2008 e hoje defende cortes mais rápidos nas taxas e uma estrutura mais enxuta para o banco central.
  • Kevin Hassett – economista da Casa Branca, conselheiro econômico de Trump, crítico de Powell por não ter baixado os juros com a velocidade que o presidente desejava.

Além desses, a lista de possíveis candidatos inclui Christopher Waller, Michelle Bowman, Rick Rieder e outros nomes que combinam experiência técnica com diferentes visões sobre a relação entre crescimento e inflação.

Qual a diferença entre “crescimento gera inflação” e a visão de Bessent?

Bessent destacou que o futuro presidente do Fed precisará ter “mente aberta” para rever a ideia de que o crescimento econômico automaticamente gera inflação. Ele argumenta que, na prática, o que dispara a alta de preços é o desequilíbrio entre oferta e demanda, não o simples fato de a economia estar crescendo.

Essa postura pode abrir caminho para uma política monetária mais flexível – ou seja, menos foco em subir juros para conter a inflação e mais foco em estimular investimentos e consumo quando houver excesso de capacidade produtiva.

O que Trump quer e por que isso pode gerar conflitos

Trump tem sido aberto ao ponto de dizer que gostaria de ser consultado nas decisões de política monetária, algo que vai contra o princípio de independência do Fed. Ele tem criticado Powell por não cortar os juros de forma mais agressiva, chamando‑o de “burro” e “teimoso”.

Na última reunião do Fed, em 10 de dezembro, a taxa básica foi reduzida em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,50 % a 3,75 % ao ano – o menor nível desde setembro de 2022. Foi o terceiro corte de juros em 2025, sinalizando que a autoridade monetária ainda vê espaço para estímulo.

Se o novo presidente do Fed compartilhar da visão de Trump, podemos esperar cortes mais rápidos ou, ao menos, uma postura menos rígida em relação à inflação. Por outro lado, a independência do banco central pode ser pressionada, o que gera preocupação entre investidores que temem que decisões políticas interfiram na estabilidade macroeconômica.

Como isso afeta o brasileiro?

Para quem vive no Brasil, a escolha do próximo presidente do Fed tem impactos diretos:

  • Taxa de câmbio: Um Fed mais dovish (favorável a juros baixos) tende a desvalorizar o dólar, o que pode aliviar a pressão sobre o real e tornar importações mais baratas.
  • Investimentos: Taxas de juros mais baixas nos EUA reduzem a atratividade de títulos americanos, direcionando fluxo de capital para mercados emergentes como o Brasil, o que pode impulsionar a bolsa local.
  • Inflação importada: Um dólar mais forte eleva o preço de produtos importados, pressionando a inflação interna. Um dólar mais fraco tem o efeito contrário.

Além disso, a postura do Fed influencia as decisões do Banco Central do Brasil (BCB). Se o Fed cortar juros, o BCB pode ter mais espaço para manter ou até reduzir a taxa Selic, o que impacta empréstimos, financiamentos e o rendimento da poupança.

Riscos e oportunidades

É claro que não existe cenário único. Alguns dos riscos que acompanham uma mudança de liderança no Fed incluem:

  • Volatilidade nos mercados: Anúncios inesperados podem gerar picos de volatilidade nas bolsas e no câmbio.
  • Perda de credibilidade: Se a independência do Fed for percebida como comprometida, a confiança dos investidores pode despencar, elevando o custo do crédito nos EUA e, por efeito cascata, no mundo.

Por outro lado, há oportunidades:

  • Investimento em renda fixa: Caso o Fed adote uma postura mais acomodatícia, títulos de renda fixa de curto prazo nos EUA podem cair de rendimento, tornando atrativo buscar alternativas no Brasil.
  • Exportações: Um dólar mais fraco pode tornar os produtos brasileiros mais competitivos no exterior.

O que eu, como leitor, devo fazer agora?

Primeiro, não entre em pânico. As decisões de política monetária são tomadas por profissionais que analisam um volume enorme de dados. Ainda assim, vale ficar atento a alguns sinais:

  1. Monitorar as declarações de Bessent, Trump e dos próprios candidatos ao Fed nas próximas semanas.
  2. Observar a evolução da taxa Selic no Brasil – o BCB costuma reagir ao movimento do Fed para evitar grandes desequilíbrios.
  3. Reavaliar a composição da sua carteira de investimentos. Se você tem uma parcela significativa em dólares ou em ativos sensíveis ao câmbio, talvez seja hora de diversificar.

Em resumo, a escolha do próximo presidente do Fed pode mudar o ritmo da política monetária global, afetar a cotação do dólar e, consequentemente, influenciar a inflação, os juros e os investimentos no Brasil. Ficar informado e ajustar suas estratégias financeiras de forma consciente pode transformar uma possível turbulência em oportunidade.

Vamos acompanhar juntos esse desenrolar nos próximos meses? Compartilhe nos comentários suas dúvidas ou previsões – adoro trocar ideias sobre como o cenário macro pode impactar o nosso dia a dia.