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Por que São Paulo e Rio de Janeiro perderam participação no PIB e o que isso significa para a gente

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Por que São Paulo e Rio de Janeiro perderam participação no PIB e o que isso significa para a gente

O que os números do IBGE revelam?

Na última sexta‑feira, o IBGE divulgou o levantamento PIB dos Municípios 2022‑2023. O resultado? As cidades de São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ) lideram a lista de municípios que perderam participação no Produto Interno Bruto nacional. Não é só mais um dado estatístico: esses números mexem com a forma como a economia do país está distribuída e, no fim das contas, afetam o nosso dia a dia.

Quem ficou para trás?

Entre os 5.570 municípios analisados, a cidade que mais recuou foi Maricá (RJ), com queda de 0,3 ponto percentual (p.p.). Logo atrás, Niterói e Saquarema, também no RJ, perderam 0,2 p.p. Cada uma delas tem uma economia fortemente ligada à indústria extrativa – principalmente petróleo e gás.

Outros nomes que apareceram na lista de perdas são Ilhabela (SP) e Campos dos Goytacazes (RJ), ambos com redução de 0,1 p.p.

Por que essas cidades perderam?

O IBGE apontou duas causas principais:

  • Dependência da indústria extrativa: quando a maior parte da receita vem de petróleo e gás, qualquer variação nos preços internacionais tem um efeito direto.
  • Queda dos preços das commodities: em 2023, os preços do petróleo caíram cerca de 22,7%, apesar de um aumento de 9,2% no volume produzido. Essa combinação fez o Valor Adicionado Bruto (VAB) desses municípios encolher.

Sete dos trinta municípios com maiores perdas estavam diretamente ligados à extração de petróleo e gás. A região Norte Fluminense – onde estão Campos dos Goytacazes e Macaé – é um exemplo clássico: a produção é alta, mas o preço baixo diminui a contribuição ao PIB.

E os que ganharam?

Do outro lado da balança, quem registrou crescimento foi, em sua maioria, as capitais e grandes centros urbanos. São Paulo (SP) liderou os ganhos, avançando 0,36 p.p. e passando de 9,4% para 9,7% da participação nacional. Seguem Brasília (DF), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG) e Manaus (AM), todos com aumentos entre 0,04 e 0,08 p.p.

O motor desse avanço foi a recuperação do setor de serviços, que está concentrado nas capitais. Depois de 2022, ano em que o setor atingiu o ponto mais baixo da série histórica, 2023 trouxe um retorno que ajudou a elevar a participação das cidades maiores.

Em São Paulo, as atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados foram destaque, impulsionando a cidade a ganhar mais espaço no PIB nacional.

Desconcentração ou concentração?

Um dos pontos que o IBGE destacou foi a mudança na distribuição da riqueza entre capitais e interior. A fatia dos municípios que não são capitais caiu de 72,5% para 71,7% entre 2022 e 2023, enquanto a participação das capitais subiu de 27,5% para 28,3%.

Em termos simples, isso significa que a economia do Brasil está se concentrando um pouco mais nas grandes cidades. Para quem mora em cidades menores, pode ser um sinal de que oportunidades de investimento, empregos qualificados e serviços públicos podem ficar mais escassos.

O que isso tem a ver comigo?

Talvez você pense: “Esses números são para economistas, não afetam a minha vida”. Mas a verdade é que a concentração econômica influencia:

  • O mercado de trabalho: cidades que perdem participação tendem a ter menos vagas, principalmente em setores de alta remuneração.
  • Os investimentos públicos: governos costumam alocar recursos de acordo com a importância econômica de cada região.
  • Os preços de bens e serviços: quando a produção local cai, pode haver aumento nos custos de transporte e, consequentemente, nos preços ao consumidor.

Se você mora em Maricá, Niterói ou outra cidade da lista de perdas, pode notar menos oportunidades de emprego na área de energia ou até mesmo uma desaceleração nos negócios locais.

Por outro lado, quem está em São Paulo, Brasília ou Rio de Janeiro pode sentir um leve impulso na oferta de empregos de serviços, finanças e tecnologia.

Como as cidades podem se reinventar?

Não é só esperar que os preços do petróleo voltem a subir. Algumas estratégias que municípios dependentes de commodities costumam adotar são:

  1. Diversificação econômica: investir em setores como turismo, tecnologia, agronegócio ou economia criativa.
  2. Capacitação da mão‑de‑obra: oferecer cursos e treinamentos que preparem a população para trabalhar em áreas menos voláteis.
  3. Incentivos fiscais: atrair empresas de outros segmentos com benefícios tributários.
  4. Parcerias público‑privadas: desenvolver infraestrutura que torne a cidade mais atrativa para novos negócios.

Algumas cidades já estão no caminho. Por exemplo, Ilhabela tem investido em ecoturismo, enquanto Campos dos Goytacazes tem buscado ampliar o polo de logística para exportação de produtos agrícolas.

O que esperar para 2024 e além?

O cenário para 2024 ainda depende de duas grandes variáveis:

  • Preço internacional do petróleo: se a demanda global permanecer alta, os preços podem se recuperar, trazendo de volta parte da participação perdida.
  • Política econômica nacional: medidas que incentivem a descentralização de investimentos podem ajudar a equilibrar a balança entre capitais e interior.

Além disso, a tendência mundial de transição para energia limpa pode mudar o mapa das cidades dependentes de petróleo. Municípios que souberem se adaptar – investindo em energias renováveis, por exemplo – podem transformar a aparente desvantagem em oportunidade.

Resumo prático

  • Maricá, Niterói e Saquarema (RJ) lideram as perdas de participação no PIB em 2023.
  • São Paulo (SP) lidera os ganhos, impulsionada pelos serviços financeiros.
  • A concentração econômica nas capitais aumentou ligeiramente, de 27,5% para 28,3%.
  • Dependência de petróleo e queda de preços foram os principais vilões das cidades que perderam.
  • Diversificação, capacitação e incentivos são caminhos para reverter a tendência.

Ficar de olho nesses indicadores pode ajudar a entender onde estão surgindo novas oportunidades de emprego, investimento e até mesmo qualidade de vida. Afinal, a economia do país é feita de histórias locais, e cada mudança no PIB de um município pode refletir nas nossas rotinas.

E você, já percebeu alguma mudança no mercado da sua cidade? Compartilhe nos comentários – a troca de experiências ajuda a gente a entender melhor o panorama nacional.