Se você já sonhou em fazer as malas e dar a volta ao mundo, 2025 pode ter sido o ano que você esperava. Os números do Banco Central mostram que os gastos dos brasileiros fora do país atingiram US$ 21,7 bilhões, o maior patamar em 11 anos. Mas o que está por trás desse salto? E como isso afeta o seu bolso, seja você um viajante frequente ou alguém que só pensa em férias?
O cenário econômico que impulsionou a alta dos gastos
Primeiro, vamos entender o pano de fundo macroeconômico. Em 2025 o Brasil registrou crescimento do PIB, aumento da renda média e, ao mesmo tempo, uma queda significativa do dólar – 11,18% em relação ao real. Essa desvalorização foi a maior desde 2016, quando o recuo chegou a 17,8%.
Quando o dólar está barato, tudo que tem preço em moeda estrangeira fica mais acessível: passagens aéreas, hotéis, restaurantes e até compras de eletrônicos. Por isso, o poder de compra dos viajantes brasileiros aumentou, mesmo com o IOF (Imposto Sobre Operações Financeiras) mais caro.
IOF: o vilão que tentou frear a corrida
Em maio de 2025 o governo elevou o IOF para compra de moeda estrangeira de 1,1% para 3,5%, e a alíquota para cartões de crédito subiu de 3,38% para 3,5%. A ideia era desestimular a fuga de capital e aumentar a arrecadação.
Na prática, o efeito foi mais sutil. Muitos viajantes ainda preferem pagar em espécie ou usar cartões de crédito, pois a diferença de custo não é tão grande assim quando o dólar está em baixa. Além disso, o aumento do IOF acabou sendo compensado pelo aumento da renda e pela confiança de quem tem planos de viagem.
O que mudou na conta de serviços e na conta de renda?
- Conta de serviços: déficit de US$ 52,9 bilhões em 2025, melhora em relação aos US$ 55,2 bilhões de 2024. Essa conta inclui viagens internacionais, seguros e transportes.
- Conta de renda primária: saldo negativo de US$ 81,3 bilhões, praticamente estável em relação ao ano anterior.
Esses números mostram que, apesar do aumento dos gastos no exterior, o Brasil ainda tem desafios na balança de pagamentos. O superávit da balança comercial (US$ 59,9 bilhões) ajuda, mas não cobre totalmente o déficit de serviços e renda.
Turismo inbound: o Brasil também recebeu recorde de visitantes
Enquanto os nossos gastos lá fora subiam, o Brasil vivia um boom de turistas estrangeiros. Em 2025, 9,29 milhões de visitantes chegaram ao país, gerando US$ 7,8 bilhões em receitas – novo recorde, superando os US$ 7,34 bilhões de 2024.
O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, atribuiu esse sucesso à parceria entre Ministério do Turismo, Embratur e o trade turístico. Mais voos, mais destinos promovidos e uma campanha que destacou a diversidade e a hospitalidade brasileiras.
Como esses dados afetam você?
Se você está planejando uma viagem internacional, aqui vão alguns pontos práticos:
- Cheque a cotação do dólar: Aproveite a baixa atual, mas fique de olho em possíveis oscilações até a data da compra.
- Considere o IOF: Se for comprar moeda em espécie, a alíquota é 3,5%. No cartão de crédito, a taxa também é 3,5%. Avalie qual opção gera menos custo total, incluindo eventuais tarifas bancárias.
- Planeje com antecedência: Passagens e hotéis costumam ser mais baratos quando o dólar está baixo, mas a disponibilidade pode mudar rápido.
- Explore destinos menos tradicionais: Países com moeda mais fraca que o dólar podem oferecer ainda mais valor.
O futuro dos gastos no exterior
O que podemos esperar para os próximos anos? Se a tendência de crescimento econômico continuar, e o dólar permanecer relativamente estável ou ainda mais barato, os brasileiros provavelmente vão continuar aumentando seus gastos fora. Por outro lado, mudanças na política de IOF ou novas regras cambiais podem mudar o cenário.
Outra variável importante é o turismo inbound. Se o Brasil mantiver a estratégia de atrair turistas, a conta de serviços pode melhorar, equilibrando um pouco mais a balança de pagamentos.
Conclusão
Em resumo, 2025 foi um ano de contrastes: mais dinheiro saindo do país para viagens, mas também mais dinheiro entrando com turistas estrangeiros. O dólar barato foi o grande facilitador, enquanto o IOF mais alto tentou, sem muito sucesso, frear a vontade de conhecer o mundo.
Para quem está de olho no próximo destino, a mensagem é clara: aproveite a janela de oportunidade cambial, mas não esqueça de calcular o IOF. E, se ainda não conhece o Brasil, saiba que o país está pronto para receber você de braços abertos.



