Se você costuma fazer o mercado toda semana, já deve ter reparado que o preço do frango tem subido nos últimos meses. Não é só impressão sua – os números do Cepea, do IBGE e da Secex confirmam que a proteína avícola está mais cara, especialmente na Grande São Paulo. Mas o que está por trás desse aumento? E, mais importante, como isso afeta a gente no dia a dia?
O que os dados mostram
Entre agosto e setembro de 2025, a disponibilidade interna de carne de frango ficou em 111 milhões de quilos, praticamente igual ao volume registrado antes da gripe aviária (110 milhões). Quando a doença foi confirmada, a oferta caiu drasticamente, mas agora ela voltou ao patamar pré‑crise. Mesmo assim, o preço continuou subindo: de R$ 7,99/kg em 3 de novembro para R$ 8,11/kg em 3 de dezembro.
Por que a oferta “enxugou”?
O Cepea explica que a retomada das exportações de frango para a União Europeia e outros mercados está tirando parte da produção que antes ficava no Brasil. Quando os exportadores enviam mais aves ao exterior, menos carne fica disponível para o atacado interno, o que pressiona os preços para cima.
- Exportações em setembro foram as maiores dos últimos 11 meses.
- Em outubro, o ritmo diário de embarques estava 9,6 % acima de setembro e 16 % acima de outubro de 2024.
- Mesmo com a gripe aviária declarada controlada em junho, o volume exportado ainda está próximo ao de antes da crise.
Como isso se compara ao preço do porco?
Até outubro, o frango tinha vantagem de preço sobre a carne suína, mas a diferença está diminuindo. Em outubro, o quilo do frango inteiro resfriado foi vendido a R$ 4,55, apenas 1,5 % abaixo da cotação da carcaça suína. Em setembro, a diferença era maior. Isso significa que, para quem compra carne suína, o custo está ficando mais competitivo.
O que mudou na demanda interna?
Além da exportação, dois fatores sazonais influenciaram a queda de preço em novembro:
- Maior disponibilidade de frango vivo para abate, o que aumentou a oferta no atacado.
- Enfraquecimento da demanda na segunda quinzena do mês, típico do período pós‑férias.
Esses dois efeitos combinaram‑se para reduzir a média mensal em 2,1 % em relação a outubro.
O que os produtores de porco estão sentindo?
Os criadores paulistas de suínos têm um momento favorável porque o poder de compra do farelo de soja – principal insumo – está 54 % acima da média histórica. Em setembro, um quilo de suíno vivo no interior de São Paulo comprava 5,57 kg de farelo, o melhor registro desde 2004.
Impacto direto no consumidor
Para quem faz compras no supermercado, a alta do frango pode significar:
- Reajuste do orçamento familiar: se antes você gastava R$ 30,00 por 4 kg, agora pode chegar a R$ 32,40.
- Busca por alternativas: muitas famílias começam a comprar mais carne de porco ou opções vegetais para equilibrar o gasto.
- Planejamento de refeições: o preço pode influenciar a escolha de pratos mais econômicos ou a compra em maior volume (promoções).
Estratégias para economizar sem abrir mão do frango
Mesmo com a alta, dá para driblar o impacto no bolso. Aqui vão algumas dicas que funcionam na prática:
- Compre em atacado quando houver promoções. O preço por quilo costuma ser menor que no varejo.
- Prefira cortes menos nobres, como sobrecoxa ou coxa, que costumam ser mais baratos que peito ou filé.
- Congele em casa. Comprar uma quantidade maior e dividir em porções ajuda a evitar desperdício e a comprar quando o preço está mais baixo.
- Combine frango com leguminosas (feijão, lentilha) para aumentar a proteína da refeição sem precisar de muito frango.
- Fique de olho nas datas de validade e aproveite produtos próximos ao vencimento que costumam ter desconto.
O que esperar nos próximos meses?
Os analistas do Cepea ainda estão divididos. Um lado acredita que o aumento das exportações vai continuar, mantendo a pressão sobre a oferta interna. O outro vê potencial de queda de preço no final do ano, quando a demanda doméstica costuma subir (Natal, festas de fim de ano) e os produtores podem reduzir as exportações para atender o mercado interno.
Em resumo, se você quer evitar surpresas no próximo supermercado, vale a pena:
- Monitorar os preços semana a semana.
- Aproveitar as promoções de novembro e dezembro.
- Variar as fontes de proteína – porco, ovos, leguminosas.
Conclusão
O aumento do preço do frango em São Paulo tem explicação clara: exportações em alta, oferta interna enxuta e sazonalidade da demanda. Para o consumidor, isso se traduz em um pequeno aperto no orçamento, mas também em oportunidade de repensar hábitos alimentares e buscar alternativas mais econômicas. Fique atento, planeje suas compras e, se possível, aproveite os períodos de queda de preço para estocar. Assim, você garante a proteína na mesa sem comprometer o resto das contas.



