Na manhã desta terça‑feira (13), o dólar deu uma leve alta de 0,06 %, fechando em R$ 5,3753. Enquanto isso, o Ibovespa recuou 0,72 %, terminando o dia em 161.973 pontos. Não foram notícias internas que puxaram esses movimentos, mas sim uma série de fatores externos que acabam influenciando o nosso bolso e os investimentos aqui no Brasil.
Tarifas de 25 % sobre o Irã: o que isso tem a ver com a gente?
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que vai impor uma tarifa de 25 % a qualquer país que mantenha relações comerciais com o Irã. A medida entrou em vigor imediatamente. Para o Brasil, o impacto direto parece pequeno – em 2025, as importações brasileiras do Irã somariam cerca de US$ 84,5 milhões (principalmente ureia, pistache e uvas secas). Porém, a decisão cria um clima de incerteza nas cadeias de suprimentos globais e pode elevar o custo de insumos que chegam ao país indiretamente.
Inflação nos EUA: CPI de dezembro e o que isso significa para o Fed
Os dados de inflação americana (CPI) mostraram alta de 0,3 % em dezembro, mantendo a taxa anual de 2,7 %. Esse número está dentro das expectativas dos economistas e reforça a ideia de que o Federal Reserve (Fed) deve manter a taxa de juros estável na próxima reunião, no fim do mês. Quando o Fed não corta juros, o dólar tende a se valorizar, já que investidores buscam retornos maiores em ativos denominados em dólares.
Pressão de Trump ao Fed: ameaça de acusação criminal
Além das tarifas, Trump intensificou a pressão sobre o Fed, sugerindo que poderia indiciar criminalmente o presidente do banco central, Jerome Powell. A polêmica surgiu após declarações de Powell ao Congresso sobre custos de reforma de um prédio do Fed. Essa tensão gerou preocupação sobre a independência da política monetária americana.
- Vários bancos centrais (BCE, BoE e outros nove) assinaram nota de apoio a Powell.
- Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil, também está entre os signatários.
- O apoio internacional reforça a mensagem de que a autonomia dos bancos centrais é crucial para a estabilidade econômica.
Como tudo isso afeta o investidor brasileiro?
Para quem tem dinheiro aplicado em renda fixa, ações ou até mesmo guarda parte do patrimônio em dólares, essas notícias mudam a forma de pensar. Um dólar mais caro encarece as importações, eleva a inflação local e pode pressionar o Banco Central do Brasil a rever a taxa Selic. Por outro lado, a queda do Ibovespa indica que os investidores estão cautelosos, talvez reavaliando posições em setores mais sensíveis às variações cambiais, como commodities e tecnologia.
Dicas práticas para quem acompanha o mercado
- Fique de olho no CPI americano: ele costuma ser um termômetro da política monetária dos EUA.
- Observe as tarifas comerciais: mesmo que o Irã não seja um grande parceiro, as sanções podem criar efeitos cascata em cadeias de suprimentos.
- Reavalie a exposição ao dólar: se você tem investimentos em dólares, considere a volatilidade recente e ajuste o peso no seu portfólio.
- Não se deixe levar por emoções: movimentos de curto prazo, como a alta de 0,06 % do dólar, costumam ser passageiros.
O panorama global: bolsas ao redor do mundo
Nos EUA, os principais índices de Wall Street fecharam em baixa após o JP Morgan alertar que o teto das taxas de cartão de crédito pode prejudicar o setor financeiro. O Dow Jones caiu 0,71 %, o S&P 500 recuou 0,23 % e o Nasdaq perdeu 0,16 %. Na Europa, o STOXX 600 teve leve queda de 0,1 %, enquanto o FTSE 100, o CAC‑40 e o DAX oscilaram em torno de zero. Na Ásia, o Hang Seng de Hong Kong subiu 0,9 %, mas a China fechou em queda, refletindo dúvidas sobre a sustentabilidade das exportações.
O que esperar nos próximos dias?
Com a reunião do Fed se aproximando, o mercado vai ficar de olho nas declarações de Powell e nas reações de Trump. Se o Fed mantiver os juros, o dólar deve continuar firme ou até subir um pouco mais. No Brasil, o Banco Central ainda tem a missão de equilibrar a inflação interna, que já sente o efeito da alta cambial. Enquanto isso, a nova plataforma da Reforma Tributária, com o Comitê Gestor do IBS, pode trazer mudanças na forma como pagamos impostos, mas ainda está nos estágios iniciais.
Em resumo, a combinação de tarifas comerciais, dados de inflação americana e a disputa política entre Trump e o Fed cria um cenário de incerteza que afeta tanto o dólar quanto o Ibovespa. Para quem acompanha o mercado, a melhor estratégia continua sendo diversificar, manter a calma e usar essas informações para ajustar a carteira de forma consciente.



