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Por que o dólar despencou 11% em 2025? O que isso muda no seu bolso

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Por que o dólar despencou 11% em 2025? O que isso muda no seu bolso

Se você ainda não percebeu, 2025 foi o ano em que o dólar deu um verdadeiro passo para trás. A moeda norte‑americana perdeu 11,18 % frente ao real – a maior queda em quase uma década. Para quem acompanha as notícias de economia, isso pode parecer só mais um número; para quem tem contas a pagar, faz compras no exterior ou pensa em investir, a mudança tem consequências bem reais.

O que aconteceu? Três forças principais

Não existe um único motivo mágico que explique a desvalorização do dólar. Na prática, três grupos de fatores se combinaram: as decisões de política econômica dos EUA, a postura do Federal Reserve (Fed) e o cenário interno do Brasil.

1. A política de Donald Trump

Depois da eleição, o mercado esperava que o presidente americano adotasse uma agenda conservadora e protecionista – aumento de tarifas, corte de impostos e, possivelmente, um “America First” mais agressivo. O que aconteceu foi diferente. O corte de impostos não foi tão rápido, e as tarifas só foram anunciadas em abril, com um efeito temporário de valorização do dólar.

O analista Leonel Mattos, da StoneX, explica que a “cautela” de Trump no início do mandato gerou incerteza. Investidores começaram a proteger suas posições em dólar (hedge cambial), o que acabou pressionando a moeda para baixo. Em termos simples, quando muita gente compra contratos para se proteger da variação do dólar, a própria moeda perde força.

2. O papel do Fed

O Federal Reserve, responsável pela política de juros nos EUA, também influenciou a queda. No início de 2025, havia uma expectativa de cortes agressivos nas taxas de juros, mas o primeiro recorte só veio em setembro, e foi de apenas 0,25 ponto percentual. Até o fim do ano, o Fed havia reduzido a taxa de 4,25‑4,50 % para 3,50‑3,75 % – o nível mais baixo desde 2022.

Taxas menores tornam os títulos americanos (Treasuries) menos atrativos. Investidores, então, buscaram alternativas mais rentáveis em mercados emergentes, como o Brasil. Essa migração de capital ajudou a valorizar o real e a pressionar o dólar para baixo.

3. O cenário interno brasileiro

No Brasil, a combinação de juros reais altos (um dos maiores do mundo) e a percepção de que o governo está mais responsável com as contas públicas criou um ambiente favorável para investidores estrangeiros. O Banco Central, sob a liderança de Gabriel Galípolo, manteve a meta de inflação em 3 % e não cedeu a pressões para cortar juros antes do momento adequado.

Além disso, o Prisma Fiscal, divulgado pela Secretaria de Política Econômica, mostrou uma melhora nas previsões de arrecadação e um controle maior das despesas. Essa estabilidade fiscal, ainda que modesta, reduziu o risco‑prêmio associado ao real.

Como isso afeta o seu dia a dia?

Para quem tem viagem marcada, a queda do dólar significa que o real compra mais dólares. Um pacote de viagem que custava R$ 12 mil em 2024 pode agora ficar em torno de R$ 10,5 mil, dependendo da cotação. Se você compra produtos importados online, a diferença pode ser ainda maior, já que a maioria dos sites converte o preço em dólar antes de aplicar a taxa de câmbio.

Investidores também sentem o impacto. Fundos que investem em ativos denominados em dólar – como ações de empresas americanas ou ETFs – tendem a render menos quando o real se valoriza. Por outro lado, aplicações em renda fixa brasileira, que pagam juros reais atrativos, ficam mais interessantes para quem busca proteção contra a volatilidade cambial.

O que esperar para 2026?

Os analistas concordam que a situação ainda é incerta. Nos EUA, a inflação ainda é monitorada de perto, e o Fed pode decidir por novos cortes ou, ao contrário, manter a taxa estável se a pressão inflacionária voltar a subir. A mudança de liderança no Fed, com a saída de Jerome Powell prevista para maio de 2026, pode trazer um novo tom à política monetária americana.

No Brasil, o próximo ano será marcado pelas eleições. O mercado costuma ficar mais cauteloso em períodos eleitorais, avaliando se o próximo governo manterá a disciplina fiscal. Caso a confiança diminua, o real pode perder parte da valorização que conquistou em 2025.

Dicas práticas para lidar com a variação do dólar

  • Planeje viagens com antecedência. Comprar dólares quando a cotação está favorável pode gerar economia de até 10 %.
  • Reavalie seus investimentos. Se você tem fundos em dólar, considere diversificar para ativos locais que estejam rendendo bem.
  • Use o hedge a seu favor. Empresas e investidores individuais podem contratar contratos de hedge para travar a taxa de câmbio e evitar surpresas.
  • Fique de olho nas notícias do Fed. Cada comunicado do banco central americano pode mover o dólar em poucos minutos.

Conclusão

O recuo de 11 % do dólar em 2025 não foi um acidente; foi o resultado de políticas internas dos EUA, decisões do Fed e um Brasil que soube se posicionar com juros altos e finanças mais estáveis. Para nós, brasileiros, isso trouxe benefícios imediatos – viagens mais baratas, importações mais baratas e um real mais forte. Mas a história ainda não acabou. O próximo ano trará novos desafios, e quem acompanhar de perto as decisões dos bancos centrais e do governo terá mais chances de transformar a volatilidade em oportunidade.

E você, já percebeu a diferença na sua conta bancária ou nas suas compras? Compartilhe nos comentários como a variação do dólar tem impactado a sua vida.