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Por que o dólar despencou 11% em 2025 e o que isso significa para o seu bolso

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Por que o dólar despencou 11% em 2025 e o que isso significa para o seu bolso

Se você acompanha as notícias de economia, provavelmente já viu a manchete: dólar em queda de 11% em 2025. Mas, além do número, o que realmente está acontecendo por trás desse movimento e como isso afeta quem mora no Brasil? Eu decidi mergulhar nos detalhes, juntar os pontos entre as decisões de Donald Trump, o Federal Reserve (Fed) e a situação econômica brasileira, e trazer tudo de forma simples e prática.

O panorama geral: dólar fraco, real forte

Em 2025, a moeda norte‑americana perdeu 11,18% frente ao real – a maior desvalorização em quase uma década. Para colocar em perspectiva, a última queda tão expressiva foi em 2016, quando o dólar recuou 17,8%. Não foi só o Brasil que se beneficiou; outras moedas emergentes e até algumas moedas de economias avançadas, como o euro e o iene, ganharam força.

1. O papel de Trump: tarifas e incertezas

Depois da eleição, o mercado esperava um presidente conservador e protecionista. A ideia era que Trump aumentaria tarifas e cortaria impostos logo no início do mandato. O que aconteceu? O corte de impostos demorou, e as tarifas só foram anunciadas em abril, gerando um curto pico de valorização do dólar que não se sustentou.

  • Tarifas inesperadas: o “tarifaço” de abril trouxe dúvidas sobre a balança comercial dos EUA.
  • Hedge cambial: empresas e investidores passaram a proteger suas posições contra a variação do dólar, o que acabou aumentando a pressão de venda da moeda.

Em resumo, a falta de clareza nas políticas de Trump fez investidores repensarem suas apostas no dólar, contribuindo para a queda.

2. O Fed e a política de juros

O Federal Reserve também teve um papel decisivo. No início do ano, esperava‑se que o Fed começasse a cortar juros de forma agressiva. Na prática, o primeiro corte só aconteceu em setembro, reduzindo a taxa de 4,25‑4,50% para 3,50‑3,75% – ainda acima dos níveis de 2022.

Por que isso importa?

  • Rendimentos menores: juros mais baixos deixam os títulos do Tesouro dos EUA menos atrativos.
  • Busca por retornos: investidores migraram para mercados emergentes, como o Brasil, em busca de melhores rendimentos.

Essa migração de capital ajudou a valorizar o real e impulsionou a bolsa brasileira.

3. Fatores internos do Brasil

Além do cenário externo, alguns pontos internos foram cruciais:

  • Juros altos no Brasil: a taxa Selic está no patamar mais alto dos últimos 20 anos, atraindo capital estrangeiro.
  • Compromisso do BC: o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tem mantido o foco na meta de inflação de 3%, reforçando a credibilidade da política monetária.
  • Contas públicas mais estáveis: o Prisma Fiscal mostrou melhora nas previsões de arrecadação e controle de despesas, reduzindo a percepção de risco.

Esses fatores criaram um ambiente favorável para o real, que se manteve em alta frente ao dólar ao longo do ano.

4. O que isso muda no seu dia a dia?

Você pode estar se perguntando: “E eu, como isso me afeta?” Aqui vão alguns impactos práticos:

  • Importação e viagens: produtos importados, como eletrônicos e roupas de marca, ficam mais baratos. Se você planeja viajar para os EUA, o custo da passagem e das despesas em dólar será menor.
  • Investimentos: quem tem dinheiro aplicado em dólares vê o valor da carteira cair em reais. Por outro lado, investimentos em reais – como CDBs, LCIs ou ações brasileiras – podem render mais, já que o real está mais forte.
  • Remessas de familiares: se você recebe dinheiro do exterior, a conversão para reais rende menos. Vale ficar de olho nas cotações e, se possível, negociar a data da transferência.

5. Olhando para 2026: o que esperar?

Os analistas apontam que a volatilidade ainda não acabou. Alguns pontos de atenção:

  • Nova liderança do Fed: a saída de Jerome Powell em 2026 pode trazer mudanças na política de juros.
  • Eleições nos EUA e no Brasil: decisões políticas podem mudar a percepção de risco e influenciar fluxos de capital.
  • Ciclo de juros no Brasil: o Banco Central pode iniciar um ciclo de cortes, o que poderia enfraquecer o real novamente.

Para quem gosta de se antecipar, vale acompanhar esses indicadores e, se necessário, ajustar a carteira de investimentos ou renegociar contratos que dependam de câmbio.

Dicas práticas para proteger seu dinheiro

  1. Diversifique em moedas: mantenha parte dos seus recursos em dólares, euros ou outras moedas fortes para reduzir risco.
  2. Use hedge se for empresa: contratos de hedge podem travar a taxa de câmbio e evitar surpresas.
  3. Fique de olho nas taxas de juros: mudanças no Selic ou no Fed costumam anteceder movimentos de câmbio.
  4. Planeje compras internacionais: aproveite períodos de dólar mais baixo para adquirir bens duráveis ou fazer viagens.

Em resumo, a queda do dólar em 2025 foi resultado de uma combinação de políticas externas (tarifas dos EUA, decisões do Fed) e fatores internos (juros altos e estabilidade fiscal no Brasil). Para o cidadão comum, isso se traduz em produtos importados mais baratos, oportunidades de investimento diferentes e a necessidade de ficar atento ao cenário macroeconômico.

Se você ainda tem dúvidas ou quer conversar sobre como ajustar sua estratégia financeira diante dessas mudanças, deixe um comentário ou entre em contato. Eu adoro trocar ideias sobre economia prática!