Em janeiro, a caderneta de poupança viu uma saída de recursos que superou os depósitos em impressionantes R$ 23,5 bilhões, segundo dados do Banco Central divulgados nesta sexta‑feira (6). Para quem tem dinheiro guardado ou pensa em investir, esse número não é só um dado estatístico: ele revela tendências, pressões e oportunidades que afetam diretamente o nosso planejamento financeiro.
O que os números realmente mostram?
Vamos destrinchar os principais indicadores:
- Depósitos em janeiro: R$ 331,23 bilhões.
- Retiradas no mesmo período: R$ 354,74 bilhões.
- Patrimônio total da poupança: de R$ 1,02 trilhão em dezembro para R$ 1 trilhão no fim de janeiro.
Esses números indicam que, apesar de ainda haver mais dinheiro entrando na poupança do que saindo ao longo do ano, o mês de janeiro costuma ser um ponto de pressão. E não é coincidência: o início do ano traz despesas sazonais – matrícula escolar, material didático, IPVA, IPTU, compras de Natal parceladas e, claro, as tão esperadas férias.
Por que a gente tira dinheiro da poupança agora?
Além dos gastos de fim de ano, há fatores macroeconômicos que puxam a galera para fora da caderneta:
- Juros altos: a taxa Selic está em 15% ao ano – o maior patamar em cerca de 20 anos. Quando a Selic sobe, a rentabilidade de investimentos de renda fixa costuma ficar mais atraente que a poupança.
- Inadimplência recorde: o Banco Central apontou que o nível de inadimplência bancária fechou 2023 em recorde. Famílias endividadas buscam alternativas para reduzir custos e renegociar dívidas.
- Baixa atratividade da poupança: com a Selic acima de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança fica limitado a 0,5% ao mês + variação da TR, que hoje está praticamente zerada.
Esses elementos criam um cenário onde manter dinheiro na poupança pode parecer pouco vantajoso, sobretudo para quem tem algum conhecimento de mercado.
Onde o dinheiro está sendo colocado?
Os investidores têm buscado alternativas mais rentáveis:
- Títulos públicos (Tesouro Direto): oferecem rentabilidade atrelada à Selic ou ao IPCA, com segurança do Tesouro Nacional.
- Fundos de renda fixa e CDBs: costumam render próximo à taxa Selic, com liquidez diária ou prazos curtos.
- Renda variável: a Bolsa de Valores de São Paulo (B3) registrou alta de 34% em 2025, o melhor desempenho anual desde 2016, atraindo investidores dispostos a aceitar mais risco por retornos maiores.
Essas opções não são isentas de risco, mas o potencial de ganho supera em muito o rendimento quase nulo da poupança nos dias atuais.
O que isso significa para quem ainda prefere a poupança?
Se você ainda tem dinheiro guardado na caderneta, vale a pena reavaliar a estratégia. Aqui vão algumas dicas práticas:
- Faça um diagnóstico: calcule quanto você tem na poupança, qual o rendimento efetivo (0,5% ao mês + TR) e compare com a taxa Selic.
- Divida o objetivo: se o objetivo é liquidez imediata, mantenha uma reserva de emergência na poupança ou em um CDB com liquidez diária. Para metas de médio e longo prazo, considere títulos públicos ou fundos de renda fixa.
- Avalie a tolerância ao risco: se você aceita oscilações, alocar parte em ações ou ETFs pode gerar ganhos expressivos, como vimos na B3.
- Fique de olho nas taxas: alguns bancos cobram tarifas de manutenção ou de custódia em investimentos. Compare custos antes de mudar.
O ponto central é que a poupança ainda tem seu lugar – principalmente como reserva de emergência – mas não deve ser o único pote onde você guarda dinheiro.
Perspectivas para o futuro
O que esperar nos próximos meses?
- Manutenção da Selic alta: o Comitê de Política Monetária (Copom) tem sinalizado que a taxa pode permanecer em patamares elevados até que a inflação esteja sob controle. Isso mantém a atratividade de investimentos atrelados à taxa.
- Possível ajuste na regra da poupança: há discussões no Congresso sobre mudar a fórmula de cálculo da rentabilidade, mas ainda não há consenso.
- Maior diversificação: com mais brasileiros buscando alternativas, o mercado de fintechs e plataformas de investimento deve crescer, facilitando o acesso a produtos antes restritos a grandes investidores.
Em resumo, o cenário atual favorece quem busca rendimentos acima da inflação e está disposto a entender um pouco mais sobre o mercado financeiro.
Conclusão
O salto de R$ 23,5 bilhões nas retiradas da poupança em janeiro é um sinal claro de que os brasileiros estão reavaliando onde guardam seu dinheiro. Entre gastos sazonais, juros altos e a busca por melhores retornos, a caderneta tradicional perde terreno para opções mais rentáveis.
Para quem ainda tem dinheiro na poupança, a mensagem é simples: analise sua reserva de emergência, compare rendimentos e, se possível, migre parte dos recursos para investimentos que acompanhem a Selic ou ofereçam maior potencial de valorização. Não é preciso ser um especialista; basta entender o básico e usar as ferramentas disponíveis.
Se você ficou curioso sobre como começar a investir fora da poupança, deixe um comentário ou compartilhe sua experiência. A troca de ideias ajuda todo mundo a tomar decisões mais conscientes.



