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Por que a poupança está perdendo dinheiro e o que isso significa para o seu bolso em 2026

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Por que a poupança está perdendo dinheiro e o que isso significa para o seu bolso em 2026

Se você ainda tem dinheiro guardado na caderneta de poupança, provavelmente já percebeu que o rendimento não tem sido dos melhores nos últimos anos. Em 2025, o Banco Central apontou que as retiradas superaram os depósitos em R$ 85,6 bilhões – a quinta vez seguida que isso acontece. Essa saída de recursos não é só um número frio; ela tem impacto direto no crédito imobiliário, nas taxas de juros e, claro, nas decisões que você precisa tomar para proteger seu patrimônio.



Mas antes de entrar nos detalhes, vale entender o que está acontecendo de verdade. A poupança, que antes era quase sinônimo de “dinheiro seguro”, hoje enfrenta concorrência de investimentos que pagam muito mais. Quando a taxa Selic está acima de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança fica limitado a 0,5% ao mês mais a variação da Taxa Referencial (TR). Em 2025, a Selic chegou a 15% ao ano, o que fez a poupança render bem menos que títulos públicos, CDBs e até a própria Bolsa de Valores, que teve alta de 34%.



Essa diferença de rendimento explica por que muitas famílias decidiram puxar o dinheiro da poupança. O volume total aplicado caiu para R$ 1,02 trilhão no fim de 2025, contra R$ 1,03 trilhão em dezembro de 2024. Não é só questão de buscar um retorno maior; a alta inadimplência (3,8% – quase recorde) e o endividamento das famílias, que chegou a 49,3% da renda, também deixam o cenário mais delicado. Quando a conta bancária está apertada, a gente tende a buscar liquidez e segurança, mas a poupança já não oferece nem isso de forma competitiva.



**Impacto no crédito imobiliário**

Um ponto que costuma passar despercebido é que 65% dos recursos captados pelos bancos via poupança são obrigados a ir para o crédito habitacional. Com menos dinheiro na poupança, essa fonte de financiamento diminui, o que pode tornar mais difícil conseguir aquele financiamento para a casa própria. O governo já sinalizou mudanças: a obrigatoriedade de destinar 65% dos depósitos da poupança ao crédito imobiliário será eliminada, assim como os depósitos compulsórios no Banco Central. A ideia é liberar esses recursos para que os bancos possam oferecer mais crédito, mas a transição pode levar tempo e gerar incertezas.

**Onde colocar o dinheiro agora?**

Especialistas como Francisco Weliton Barroso, da Unicred Porto Alegre, recomendam olhar para alternativas de renda fixa que acompanham melhor a Selic. O Tesouro Selic, por exemplo, tem liquidez diária e risco baixo, rendendo quase na mesma taxa da taxa básica. CDBs de bancos médios também são atrativos, oferecendo de 100% a 110% do CDI com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Para quem pensa em médio e longo prazo, os títulos do Tesouro IPCA+ e os prefixados podem ser os protagonistas, já que protegem contra a inflação e dão previsibilidade de retorno.

**Renda variável ainda tem espaço?**

Se a sua tolerância ao risco for maior, a bolsa de valores pode ser uma boa opção. Em 2025, o índice Bovespa subiu 34%, o melhor desempenho desde 2016. Fundos de ETFs, fundos imobiliários (FII) e ações de setores resilientes podem complementar a carteira. Marcelo Boragini, da Davos Investimentos, destaca que, com a expectativa de queda da Selic em 2026, a renda variável tende a ganhar ainda mais força. Mas atenção: o ambiente eleitoral brasileiro costuma trazer volatilidade extra. Cada pesquisa de opinião pode fazer o mercado oscilar bruscamente, então é fundamental ter uma estratégia bem definida e não se deixar levar por movimentos de curto prazo.

**Planejando para 2026**

O próximo ano será marcado por duas grandes variáveis: a possibilidade de redução da taxa Selic e as eleições presidenciais. Historicamente, períodos eleitorais aumentam a volatilidade nos mercados financeiros, o que pode criar oportunidades, mas também riscos. Se você ainda não tem uma reserva de emergência, a poupança ainda pode servir como um “cofre” de fácil acesso, apesar do baixo rendimento. O ideal é manter uma parte em um investimento de alta liquidez (como Tesouro Selic ou CDB de liquidez diária) e destinar o restante para opções que busquem maior rentabilidade.

**Dicas práticas para quem tem poupança**

1. **Faça um diagnóstico** – Verifique quanto você tem na poupança e compare o rendimento atual com o de outras aplicações.
2. **Monte uma reserva de emergência** – Se ainda não tem, transfira o equivalente a 3‑6 meses de despesas para um investimento de alta liquidez.
3. **Diversifique** – Não coloque todo o dinheiro em um único produto. Combine Tesouro Selic, CDBs, fundos de renda fixa e, se o perfil permitir, algum percentual em ações ou fundos imobiliários.
4. **Acompanhe a Selic** – Quando a taxa começar a cair, produtos atrelados a ela (Tesouro Selic, CDBs) podem perder atratividade, então é hora de reavaliar a alocação.
5. **Fique de olho nas mudanças regulatórias** – A retirada da obrigatoriedade de destinar recursos da poupança ao crédito habitacional pode abrir novas oportunidades de crédito mais barato no futuro.

**Conclusão**

A saída de recursos da poupança em 2025 não é só um número de banco central; é um sinal de que o antigo “cofre” de papel está perdendo força diante de opções mais rentáveis e de um cenário econômico desafiador. Para quem quer proteger o dinheiro e ainda buscar crescimento, a chave está na diversificação e no acompanhamento das políticas monetárias e eleitorais. Não se trata de abandonar a poupança de uma hora para outra, mas de usá‑la de forma estratégica, como parte de um conjunto maior de investimentos que atendam ao seu objetivo de curto, médio e longo prazo.

Lembre‑se: o futuro financeiro depende das escolhas que fazemos hoje. Avalie seu perfil, converse com um consultor e ajuste sua carteira antes que 2026 chegue, trazendo novas oportunidades – e, claro, alguns desafios.