Na última sexta‑feira, durante o encerramento do Fórum Econômico Mundial em Davos, o ministro das Finanças da Arábia Saudita, Mohammed Al‑Jadaan, garantiu que a recente turbulência na Venezuela não trará um “impacto significativo” ao mercado global de petróleo. Essa afirmação pode soar como mais uma frase de diplomacia, mas tem implicações reais para quem acompanha o preço do combustível, os investimentos em energia e até a conta de luz em casa.
Para entender o porquê, vale recuar um pouco e lembrar como chegou a situação atual. Em 3 de janeiro, forças militares dos Estados Unidos capturaram o presidente Nicolás Maduro em Caracas, numa operação que acabou por colocar o controle da produção venezuelana nas mãos de Washington. Desde então, os EUA têm direcionado as exportações de petróleo venezuelano, mas ainda assim o país enfrenta sérios desafios para voltar a ser um grande fornecedor.
Venezuela: reservas gigantes, produção em colapso
A Venezuela ainda detém as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo – cerca de 303 bilhões de barris, segundo a OPEP, superando até a Arábia Saudita (267,2 bilhões). No entanto, décadas de má gestão, corrupção e sanções internacionais fizeram a produção despencar de um pico de mais de três milhões de barris por dia para pouco mais de 1,2 milhão hoje.
Dados da Agência Internacional de Energia (AIE) apontam que, em 2025, a Venezuela produziu em média 950 mil barris por dia, dos quais 780 mil foram exportados. Mesmo com essas cifras, a produção ainda é uma fração do que o país poderia alcançar se as condições fossem favoráveis.
Por que a Arábia Saudita não vê risco imediato?
Al‑Jadaan ressaltou que qualquer aumento significativo na produção venezuelana demandará tempo e investimentos consideráveis. Isso inclui a modernização de refinarias, a reparação de oleodutos e a superação de sanções que ainda limitam o acesso a tecnologias essenciais.
Em termos práticos, isso significa que, mesmo que a Venezuela tente acelerar a produção, o mercado global não verá um excesso de oferta nos próximos meses. E quando a oferta não aumenta, os preços tendem a permanecer estáveis – ou, no pior cenário, a subir se houver outras pressões, como conflitos geopolíticos ou cortes de produção por parte da OPEP+.
O que isso muda para o consumidor brasileiro?
Para nós, brasileiros, a principal preocupação costuma ser o preço dos combustíveis nas bombas. A estabilidade do mercado global de petróleo costuma refletir diretamente nos preços internos, embora haja outros fatores como a política de impostos e a taxa de câmbio.
- Estabilidade nos preços: Se a produção venezuelana não crescer rapidamente, o risco de queda abrupta nos preços globais diminui.
- Investimentos em energia limpa: A previsibilidade do mercado pode incentivar investidores a apostar em fontes renováveis, já que o risco de flutuações extremas fica menor.
- Política de estoque: Empresas brasileiras de refino e distribuidoras podem ajustar seus estoques com mais confiança, evitando escassez ou excesso.
Perspectivas para o futuro próximo
Embora a Arábia Saudita esteja confiante, o cenário não é estático. Alguns pontos que podem mudar o panorama nos próximos anos incluem:
- Reformas internas na Venezuela: Se houver um governo que consiga estabilizar a economia e atrair investimentos, a produção pode subir gradualmente.
- Política dos EUA: Mudanças na administração americana podem alterar a forma como o petróleo venezuelano é vendido no mercado internacional.
- Decisões da OPEP+: A aliança de produtores pode ajustar cotas de produção para equilibrar o mercado, afetando diretamente os preços.
- Avanços tecnológicos: Novas técnicas de extração podem tornar viáveis campos que antes eram considerados inviáveis economicamente.
Até lá, a mensagem de Al‑Jadaan funciona como um lembrete de que, no mundo do petróleo, nem tudo acontece da noite para o dia. Grandes mudanças exigem tempo, capital e, sobretudo, estabilidade política.
Como acompanhar essas mudanças?
Se você quer ficar por dentro das oscilações do mercado e entender como elas podem impactar seu bolso, aqui vão algumas dicas práticas:
- Assine newsletters de energia – muitos sites especializados enviam análises semanais gratuitas.
- Use aplicativos de acompanhamento de preços de combustíveis – eles mostram variações regionais e ajudam a planejar abastecimentos.
- Fique de olho nas decisões da OPEP+ – anúncios de cortes ou aumentos de produção costumam mover o mercado.
- Observe a política externa dos EUA – mudanças de postura podem influenciar rapidamente o fluxo de petróleo venezuelano.
Em resumo, a crise venezuelana ainda não é um terremoto para o mercado de petróleo, mas é um ponto de atenção que pode ganhar força se as circunstâncias mudarem. Enquanto isso, a Arábia Saudita, como maior exportadora tradicional, mantém sua posição de segurança para o mercado global.
Fique atento, acompanhe as notícias e, quem sabe, aproveite oportunidades de economia nos próximos meses.



