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Por que 25 cidades concentram mais de um terço do PIB brasileiro? Entenda o que isso significa para você

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Por que 25 cidades concentram mais de um terço do PIB brasileiro? Entenda o que isso significa para você

Quando eu vi a notícia do IBGE de que 25 municípios respondem por 34,2% do PIB do Brasil, confesso que fiquei intrigado. Não é todo dia que a gente descobre que menos de 0,5% dos municípios produzem quase um terço da riqueza nacional. Mas, ao olhar mais de perto, percebi que esse dado tem muito a nos contar – não só sobre a distribuição da riqueza, mas também sobre oportunidades de trabalho, investimentos e, claro, sobre as desigualdades que ainda marcam o país.

O panorama geral: quem são esses 25 municípios?

Primeiro, vale listar quem está no topo. As três primeiras posições são ocupadas por capitais que já são bem conhecidas:

  • São Paulo (SP) – 9,7% do PIB nacional;
  • Rio de Janeiro (RJ) – 3,8%;
  • Brasília (DF) – 3,3%.

Juntas, essas três cidades quase chegam a 17% de tudo que o país produz. Além delas, outras oito capitais entram na lista, totalizando 11 das 25 cidades. O restante vem, em sua maioria, do Sudeste – nove municípios de São Paulo, quatro do Rio de Janeiro e um de Minas Gerais.

Como chegamos aqui? Uma breve história

O IBGE acompanha a participação das capitais no PIB desde 2002. Naquele ano, elas respondiam por 36,1% da produção nacional. Até 2019, antes da pandemia, essa fatia já havia caído para 31,4%, sinalizando uma leve desconcentração. A Covid‑19 acelerou o processo: em 2020, as capitais chegaram a 29,7% e, no pior momento, 2022, ficaram em 27,5%.

Em 2023, vemos uma recuperação parcial – 28,3% – mas ainda abaixo dos níveis pré‑pandemia. Isso mostra que, embora o país esteja se reerguendo, o peso relativo das grandes cidades ainda não voltou ao que era.

PIB per capita: a diferença que faz a diferença

Enquanto o PIB total indica onde a economia é maior, o PIB per capita revela onde a riqueza por habitante é mais alta. Em 2023, a média nacional foi de R$ 53.886,67, mas há municípios que ultrapassam esse número em dezenas de vezes.

O recorde ficou com Saquarema (RJ), que registrou R$ 722.441,52 por pessoa – mais de 13 vezes a média nacional. Essa disparidade tem explicação: cidades com atividades intensivas em capital, como extração de petróleo, gás ou minério, tendem a gerar valores absolutos elevados, mas a população é pequena, inflando o per capita.

Outros exemplos de municípios com PIB per capita acima da média:

  • São Francisco do Conde (BA) – petróleo;
  • Maricá (RJ) – petróleo;
  • Paulínia (SP) – refino;
  • Santa Rita do Trivelato (MT) – agropecuária (soja);
  • Louveira (SP) e Extrema (MG) – indústria de transformação e comércio.

Note que a maioria desses lugares tem população menor que 100 mil habitantes, o que explica o número alto por cabeça.

Serviços x Indústria: quem está crescendo?

Outro ponto que o IBGE destacou foi a evolução dos setores. O segmento de Serviços continua dominante, representando 67,8% do Valor Adicionado Bruto (VAB) em 2023, um leve aumento em relação a 2022. Dentro dele, se destacam:

  • Atividades financeiras e de seguros;
  • Outros serviços (o maior subgrupo);
  • Administração pública, educação e saúde.

Já a Agropecuária foi o setor que mais cresceu em volume (16,3%), embora os preços tenham caído. Por outro lado, a Indústria perdeu participação, de 26,3% para 25,4%, principalmente por causa da queda nos preços de produtos extrativos.

O que isso significa para a gente, cidadão comum?

Agora vem a parte que realmente interessa: como esses números afetam a sua vida?

  1. Oportunidades de emprego: cidades com alta participação no PIB geralmente oferecem mais vagas em setores específicos – finanças em São Paulo, petróleo no Rio de Janeiro, serviços públicos em Brasília. Se você está pensando em mudar de cidade ou buscar uma nova carreira, vale analisar quais municípios têm a atividade que você deseja.
  2. Investimentos: investidores costumam olhar para o PIB per capita como um indicativo de potencial de retorno. Municípios como Saquarema ou Paulínia podem atrair investimentos em infraestrutura, o que gera mais negócios locais e, eventualmente, mais empregos.
  3. Políticas públicas: a concentração de riqueza nas capitais pode levar a um descompasso nas políticas de saúde, educação e transporte. Entender onde está a maior parte do PIB ajuda a cobrar dos governantes uma distribuição mais justa de recursos.
  4. Desigualdade regional: a diferença entre o Norte/Nordeste (com PIB per capita mais baixo) e o Sudeste/Sul (mais alto) continua grande. Isso impacta o custo de vida, a qualidade dos serviços e até a mobilidade social.

Perspectivas para o futuro

O que esperar nos próximos anos? Alguns sinais apontam para duas tendências:

  • Descentralização gradual: com a expansão da internet de alta velocidade e o crescimento de hubs de tecnologia em cidades menores, pode haver um leve deslocamento de empresas e talentos para fora das metrópoles.
  • Reforço da indústria extrativa: enquanto o mundo avança para energias renováveis, a demanda por petróleo e gás ainda é alta. Municípios que dependem desses recursos podem continuar com PIB per capita elevado, mas também ficar vulneráveis a choques de preço.

Para quem vive em cidades fora do grupo dos 25, a mensagem é clara: é preciso buscar formas de atrair investimentos, melhorar a qualificação da mão‑de‑obra e criar políticas que incentivem a diversificação econômica.

Conclusão

Descobrir que 25 municípios concentram mais de um terço do PIB brasileiro pode parecer assustador, mas também abre espaço para reflexão e ação. A concentração indica onde está a força econômica do país, mas também revela as desigualdades que ainda precisamos enfrentar. Seja você um estudante, profissional ou empreendedor, entender esses números ajuda a tomar decisões mais informadas sobre carreira, investimentos e até sobre onde viver.

E aí, já pensou em como esses dados podem mudar sua estratégia pessoal ou profissional? Compartilhe nos comentários – adoro trocar ideias sobre economia e futuro do Brasil.