Quando eu li que 25 municípios respondem por 34,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, confesso que a primeira reação foi de surpresa. Parece pouco, né? São apenas 25 cidades num país com mais de 5.500 municípios. Mas, quando você coloca esses números em perspectiva, a história que eles contam é bem diferente.
O que o IBGE realmente mediu?
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acabou de publicar a pesquisa PIB dos Municípios 2022‑2023. Ela traz duas informações que costumam passar despercebidas:
- Em 2023, 25 municípios geraram 34,2% do PIB nacional.
- As 27 capitais subiram de 27,5% para 28,3% da participação nacional.
Esses números mostram que, apesar de a economia estar se recuperando da crise da Covid‑19, a concentração de riqueza ainda é muito alta.
Quem são essas 25 cidades?
O ranking tem um padrão que já se repete desde que o IBGE começou a coletar esses dados, em 2002: as capitais dominam as primeiras posições. Em 2023, as três primeiras são:
- São Paulo (SP) – 9,7% do PIB nacional
- Rio de Janeiro (RJ) – 3,8%
- Brasília (DF) – 3,3%
Juntas, essas três cidades quase chegam a 17% da produção econômica do país. Além delas, outras oito capitais estão entre os 25 maiores, o que deixa 11 capitais no total.
Fora das capitais, o Sudeste continua liderando: nove municípios paulistas, quatro fluminenses e um mineiro (Betim, que entrou no ranking em 2023).
O que isso revela sobre a concentração regional?
Se você observar a história, a participação das capitais tem variado:
- 2002 – 36,1% (ponto mais alto da série histórica)
- 2019 – 31,4% (antes da pandemia)
- 2020 – 29,7% (queda forte com a Covid‑19)
- 2022 – 27,5% (mínimo histórico)
- 2023 – 28,3% (recuperação parcial)
Mesmo com a leve alta de 2023, ainda estamos longe de voltar ao patamar pré‑pandemia. Isso significa que a produção econômica está ainda mais concentrada em poucos polos.
PIB per capita: a outra face da moeda
O PIB total mostra onde a economia é maior, mas o PIB per capita indica onde a riqueza por habitante é mais alta. Em 2023, a média nacional foi de R$ 53.886,67, mas alguns municípios superam esse número em dezenas de vezes.
O destaque vai para Saquarema (RJ), com R$ 722.441,52 por habitante – mais de 13 vezes a média nacional. O que explica esse salto?
- Atividades intensivas em capital (petróleo, gás e mineração)
- Baixa densidade populacional
Outros municípios que aparecem no topo do ranking per capita têm perfis semelhantes: São Francisco do Conde (BA), Maricá (RJ) – ambos ligados ao petróleo; Paulínia (SP), polo de refino; Santa Rita do Trivelato (MT), forte agropecuária; Louveira (SP) e Extrema (MG), com indústria de transformação.
Já o Norte e Nordeste concentram a maior parte dos municípios com PIB per capita mais baixo, enquanto Centro‑Oeste, Sul e Sudeste apresentam os valores mais elevados.
Serviços x Indústria: quem está puxando a economia?
Entre 2022 e 2023, o setor de Serviços continuou liderando, representando 67,8% do Valor Adicionado Bruto (VAB). Dentro dele, destacam‑se:
- Atividades financeiras e de seguros
- Outros serviços (o maior subgrupo)
- Administração pública, educação e saúde
A agropecuária teve a maior alta em volume (16,3%), mas perdeu em preços. A Indústria, por sua vez, recuou de 26,3% para 25,4% do VAB, principalmente por causa da queda nos preços dos bens extrativos.
Esses números são importantes para quem pensa em carreira, investimento ou até mesmo na escolha de onde viver. Se você busca oportunidades em tecnologia, finanças ou serviços de alta qualificação, as capitais e grandes centros urbanos ainda são os melhores alvos. Por outro lado, quem tem interesse em setores como mineração, energia ou agroindústria pode encontrar oportunidades em municípios menores, mas com PIB per capita alto.
O que isso muda no nosso dia a dia?
Para a maioria dos brasileiros, a concentração econômica tem impactos diretos:
- Desigualdade regional: menos recursos para infraestrutura, saúde e educação em áreas fora dos grandes centros.
- Mercado de trabalho: maior competição nas capitais, salários mais altos, mas também custo de vida elevado.
- Política fiscal: governos estaduais e federais precisam equilibrar arrecadação e investimentos, sabendo que a maior parte dos impostos vem das áreas mais ricas.
Entender onde está o dinheiro ajuda a tomar decisões mais conscientes, seja ao escolher um curso universitário, abrir um negócio ou mesmo decidir onde comprar um imóvel.
Perspectivas para o futuro
O que podemos esperar nos próximos anos?
- Descentralização gradual: políticas públicas que incentivem o desenvolvimento de regiões menos favorecidas podem reduzir a concentração.
- Novas tecnologias: a digitalização pode permitir que empresas de tecnologia prosperem fora dos grandes centros, criando novos polos de inovação.
- Transição energética: com a diminuição da dependência de petróleo, municípios que hoje têm PIB per capita alto por causa de extração podem precisar se reinventar.
Enquanto isso, a tendência de concentração ainda domina. Por isso, vale ficar de olho nos indicadores do IBGE, que nos dão um termômetro da saúde econômica do país.
Como usar esses dados a seu favor?
Se você ainda está se perguntando como transformar números frios em algo útil, aqui vão algumas dicas práticas:
- Investimento: considere fundos de investimento que tenham exposição a setores em alta (serviços financeiros, tecnologia) ou a regiões em crescimento (norte e nordeste).
- Carreira: busque especializações em áreas demandadas nas capitais, como análise de dados, fintechs ou saúde pública.
- Empreendedorismo: explore nichos em cidades menores que têm alta renda per capita, como turismo de luxo ou serviços especializados.
No fim das contas, entender que 25 municípios concentram mais de um terço do PIB nos ajuda a enxergar o Brasil de forma mais clara – não apenas como um conjunto de números, mas como um mosaico de oportunidades e desafios.
E você, já percebeu como esses centros econômicos influenciam a sua vida? Compartilhe nos comentários suas impressões e vamos conversar sobre como transformar esses insights em ação.


