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PicPay abre capital nos EUA: o que isso significa para você e para o mercado brasileiro

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PicPay abre capital nos EUA: o que isso significa para você e para o mercado brasileiro

Na última terça‑feira (20), o PicPay anunciou que será a primeira empresa brasileira a fazer um IPO nos Estados Unidos desde 2021. A fintech, que nasceu como um aplicativo de pagamentos e hoje se posiciona como um banco digital, vai listar suas ações na Nasdaq sob o código PICS no dia 29 de janeiro. Para quem acompanha o mundo das finanças, a notícia já dá o que falar, mas o que isso realmente traz para o consumidor, para investidores e para o ecossistema de startups no Brasil?



Entendendo o que é um IPO

IPO (Initial Public Offering) é a primeira venda de ações de uma empresa ao público em geral. Quando uma companhia abre seu capital, ela deixa de ser “privada” e passa a ter suas ações negociadas em bolsa. O objetivo principal costuma ser captar recursos – no caso do PicPay, a meta é levantar até US$ 434,3 milhões – que podem ser usados para expandir a operação, investir em novos produtos ou reduzir dívidas.



Por que o PicPay escolheu a Nasdaq?

A Nasdaq é a bolsa preferida por empresas de tecnologia e fintechs. Listar-se lá traz mais visibilidade internacional, facilita a atração de investidores institucionais e pode melhorar a avaliação de mercado da companhia. O código PICS será acompanhado de um preço entre US$ 16 e US$ 19 por ação, o que, segundo a própria empresa, representa um valuation que ainda deixa espaço para valorização nos próximos anos.



Quem está por trás da operação?

  • Coordenadores globais: Citigroup, BofA Securities e RBC Capital Markets.
  • Líder da oferta: Bicycle Capital, gestora focada em capital de crescimento na América Latina, que pretende adquirir US$ 75 milhões em ações.
  • Investidores estratégicos: J&F Investimentos, controlada pelos irmãos Wesley e Joesley Batista.

Esses nomes dão confiança ao mercado de que o IPO tem apoio de players experientes e que a operação tem boa estrutura de suporte.

Resultados recentes que justificam o momento

O PicPay apresentou um salto impressionante nos últimos trimestres:

  • Lucro de R$ 313,8 milhões nos nove meses até 30 de setembro de 2025, quase dobrando o lucro do mesmo período do ano anterior (R$ 172 milhões).
  • Receita total de R$ 7,26 bilhões, contra R$ 3,78 bilhões no ano passado.
  • Base de clientes ativos cresceu de 37,5 milhões para 42,1 milhões.

Esses números mostram que a fintech não está apenas crescendo em número de usuários, mas também está conseguindo transformar esse volume em rentabilidade.

O que mudou desde o IPO planejado em 2021?

Em 2021, o PicPay havia anunciado a intenção de abrir capital, mas acabou desistindo devido a um cenário de mercado desfavorável – alta volatilidade, tensões geopolíticas e medo de investidores. Agora, com a retomada de confiança nos mercados de tecnologia e a recuperação da economia americana, a empresa acredita que é o momento certo para tentar novamente.

Impactos para o consumidor brasileiro

Para quem usa o PicPay no dia a dia, a abertura de capital pode trazer benefícios concretos:

  1. Mais recursos para inovação: com o capital levantado, a fintech pode acelerar o desenvolvimento de novos serviços, como crédito mais acessível, investimentos e integração com outras plataformas.
  2. Segurança e transparência: empresas listadas em bolsa precisam seguir normas rigorosas de governança corporativa, o que aumenta a confiança dos usuários.
  3. Possibilidade de ser acionista: investidores individuais poderão comprar ações do PicPay e participar do sucesso da empresa, algo que antes era restrito a fundos de venture capital.

Riscos e desafios

Nem tudo são flores. Listar-se nos EUA também traz desafios:

  • Pressão por resultados trimestrais: investidores americanos costumam exigir crescimento constante, o que pode forçar a empresa a tomar decisões de curto prazo.
  • Exposição a flutuações cambiais: a arrecadação será em dólares, mas grande parte das despesas ainda é em reais, criando risco de variação cambial.
  • Concorrência acirrada: o mercado de fintechs está cada vez mais saturado, com players como Nubank, Banco Inter e novos entrantes internacionais.

O cenário de IPOs nos EUA em 2025‑2026

Depois de um período de baixa atividade (2022‑2024), o mercado de IPOs nos EUA ganhou força em 2025. Apesar de alguns obstáculos – como o “tarifaço” do governo de Donald Trump, o shutdown federal e a queda das ações de IA – analistas acreditam que 2026 será ainda mais favorável, especialmente para empresas de cripto, fintechs e pagamentos digitais. O PicPay, ao se antecipar, pode capturar parte desse impulso.

O que esperar nos próximos meses?

Alguns pontos de atenção para quem acompanha a operação:

  1. Preço final das ações: a faixa de US$ 16‑19 é apenas uma estimativa. O preço de abertura pode variar de acordo com a demanda dos investidores.
  2. Alocação de recursos: a empresa ainda não detalhou exatamente como vai usar o dinheiro arrecadado. Fique de olho nos comunicados pós‑IPO.
  3. Reação do mercado brasileiro: o sucesso do PicPay pode abrir caminho para outras fintechs brasileiras buscarem listagens internacionais.

Conclusão

O IPO do PicPay representa mais que um simples evento de captação de recursos; é um marco para o ecossistema de tecnologia financeira do Brasil. Para o usuário, pode significar mais inovação e maior segurança. Para investidores, abre a porta para participar do crescimento de uma das maiores fintechs do país. E para o mercado, sinaliza que as condições estão voltando a ser favoráveis para que startups brasileiras busquem o palco global.

Se você tem curiosidade sobre investir em ações, acompanhar o desempenho do PicPay pode ser um bom ponto de partida para entender como as fintechs brasileiras estão se posicionando no cenário internacional.