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Ouro encosta em US$ 5 mil: o que está por trás da corrida dos investidores?

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Ouro encosta em US$ 5 mil: o que está por trás da corrida dos investidores?

Na manhã de quarta‑feira (4), o ouro deu mais um passo em direção à marca dos US$ 5 mil por onça. Depois de subir 6 % no dia anterior – o maior ganho diário em 17 anos – o metal subiu mais 0,4 %, fechando a sessão a US$ 4.958,75. Não é por acaso que o preço está tão alto: a combinação de tensões geopolíticas e incertezas sobre a política de juros dos EUA está empurrando investidores para ativos considerados seguros.

Mas o que isso realmente significa para quem acompanha o mercado ou pensa em proteger o patrimônio? Vou explicar de forma simples, trazendo contexto, analisando os fatores que movem o preço do ouro e, ainda, dando dicas práticas de como você pode usar essa informação a seu favor.



Por que o ouro volta a subir em tempos de crise?

O ouro tem uma reputação de “porto‑seguro” há séculos. Quando a confiança nas moedas ou nas políticas econômicas vacila, os investidores buscam o metal como reserva de valor. Dois gatilhos principais estão em jogo agora:

  • Tensões entre EUA e Irã: a derrubada de um drone iraniano próximo ao porta‑aviões Abraham Lincoln aumentou o risco de escalada militar. Mesmo que ainda não haja um conflito aberto, a simples possibilidade de instabilidade no Oriente Médio mexe com o humor dos mercados.
  • Incerteza sobre a política de juros do Federal Reserve: declarações recentes do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a investigação do presidente do Fed, Jerome Powell, reacenderam dúvidas sobre a independência da autoridade monetária. Enquanto não houver clareza, os investidores preferem o ouro a ativos que pagam juros.

Esses fatores criam uma “soma de riscos” que, como apontou Nitesh Shah, da WisdomTree, impulsiona a demanda por ouro.



Como a política de juros influencia o preço do ouro?

O ouro não rende juros nem dividendos. Quando os juros sobem, investimentos como títulos do Tesouro ficam mais atraentes porque pagam mais. O ouro, por não gerar renda, perde parte do seu apelo. O inverso também é verdadeiro: quando os juros caem ou a expectativa é de corte, o ouro ganha força.

Atualmente, analistas projetam ao menos dois cortes de juros nos EUA em 2026. Essa perspectiva favorece o ouro, pois reduz a rentabilidade de alternativas de renda fixa.

Além disso, o relatório de emprego do setor privado (ADP) que será divulgado em breve pode dar pistas sobre a direção futura da política monetária. Se os números indicarem enfraquecimento do mercado de trabalho, a pressão para reduzir juros aumenta, e o ouro pode subir ainda mais.



O que os números dizem?

Vamos conferir alguns indicadores recentes:

  • Ouro à vista: US$ 4.958,75 por onça (+0,4 % em 24 h).
  • Contratos futuros (abril): US$ 4.983,49 por onça (+1 %).
  • Valorização acumulada no ano: +17 %.
  • Prata à vista: US$ 88,20 por onça (+3,58 %).
  • Platina: US$ 2.225,20 por onça (+0,74 %).
  • Paládio: US$ 1.767 por onça (+0,48 %).

Esses números mostram que, apesar da volatilidade, o ouro tem mantido uma trajetória de alta nos últimos meses.

O que isso significa para o investidor brasileiro?

Se você tem algum dinheiro guardado e está preocupado com a inflação ou com a instabilidade política internacional, o ouro pode ser uma alternativa interessante. Mas atenção: investir em ouro não é isento de riscos.

Veja alguns pontos a considerar antes de decidir:

  1. Forma de investimento: comprar barras físicas exige segurança, armazenamento e seguro. Fundos de ouro (ETFs) ou contratos futuros são mais líquidos, mas trazem custos de corretagem e margem.
  2. Horizonte de tempo: o ouro costuma proteger o poder de compra no longo prazo. Se o objetivo é curto prazo, a volatilidade pode gerar perdas inesperadas.
  3. Diversificação: o ouro funciona bem como parte de uma carteira diversificada, ao lado de ações, renda fixa e outros ativos.
  4. Cenário macro: fique de olho nas decisões do Fed, nas tensões geopolíticas e nos indicadores econômicos dos EUA. Eles são os principais motores do preço do ouro.

Em resumo, se você ainda não tem exposição ao ouro, pode ser a hora de avaliar uma pequena alocação, sempre lembrando de equilibrar com seus demais investimentos.

Perspectivas para o futuro próximo

Analistas como Giovanni Staunovo, do UBS, acreditam que o preço do ouro deve continuar subindo ao longo do ano, impulsionado por expectativas de cortes de juros e pela manutenção das tensões geopolíticas. Se a situação no Oriente Médio evoluir para um conflito maior, ou se surgirem mais dúvidas sobre a independência do Fed, a demanda por ouro pode acelerar ainda mais.

Por outro lado, caso o Fed consiga estabilizar a política monetária e os mercados perceberem que as tensões entre EUA e Irã estão sob controle, o ouro pode perder parte do ímpeto e corrigir. Como sempre, o mercado de commodities reage rapidamente a novidades, então é fundamental acompanhar as notícias diariamente.

Como acompanhar o preço do ouro de forma prática

Hoje em dia, basta usar aplicativos de corretoras, sites de notícias financeiras ou até mesmo o Google Finance para acompanhar o preço em tempo real. Algumas dicas:

  • Configure alertas de preço (por exemplo, quando o ouro ultrapassar US$ 5 mil).
  • Leia análises de especialistas que explicam o contexto macro.
  • Observe o comportamento de outros metais preciosos (prata, platina, paládio) para entender se a alta é geral ou específica ao ouro.

Essas práticas ajudam a tomar decisões mais informadas e a evitar surpresas.

Em síntese, o ouro está próximo da barreira dos US$ 5 mil por onça não por acaso. A combinação de riscos geopolíticos e a incerteza sobre a política de juros dos EUA cria um cenário propício para que investidores busquem segurança no metal amarelo. Para quem pensa em proteger o patrimônio ou diversificar a carteira, agora pode ser um bom momento para analisar opções de exposição ao ouro, sempre lembrando dos cuidados e da importância de manter uma estratégia equilibrada.